Música

Cria de fábrica de hits, MC G15 é a nova estrela da indústria do funk

Desde que compôs a letra de “Deu Onda”, o sucesso do verão de 2017, Gabriel da Paixão Soares, 18, viu sua vida mudar. Conhecido como MC G15, o funkeiro atingiu o auge da fama em janeiro. Na sua agenda, ele agora encaixa participações em programas de TV e rádio, gravações de músicas e cerca de 50 shows por mês em todo o país.

“Percebi que era sucesso quando vi todos os artistas cantando”, diz G15. De Neymar a Anitta, passando por globais, muita gente se rendeu à música em parceria com o DJ Jorginho. Sem falar na paródia feminista “Minha Xota te Ama”, da MC Luana Hansen —uma referência ao verso “meu pau te ama”, da versão proibidona de “Deu Onda” (no rádio, virou “o pai te ama”).

“Gravei minha voz no estúdio dele, passaram 15 dias e a música chegou no meu celular”, explica G15. “Mas não achei que ia ser sucesso.”

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Europa

O desmonte do maior campo de refugiados da Europa expõe a falta de soluções para os imigrantes

Sherzad fixou acampamento ao lado dos canais que levam ao Rio Sena, em Paris. Imaginar o lugar pode suscitar devaneios românticos a muitos – não a Sherzad, sem condições de sobreviver, quanto mais de sonhar. Ele guarda os poucos documentos que lhe restam em um saco plástico preso junto ao corpo. Titubeia para responder se tem 17 ou 18 anos, desconfiado do que pode lhe acontecer. “Paris é melhor que a Jungle”, diz. Com medo do Taleban, ele deixou seu Afeganistão e caminhou por três meses até a Europa. Estancou na Jungle, como ficou conhecido o maior campo de refugiados do continente, em Calais, litoral norte da França. Boca do Eurotúnel, Calais é a passagem procurada nos últimos anos por milhares de refugiados em direção ao Reino Unido. Sem conseguir burlar as barreiras de segurança, Sherzad fixou-se na Jungle como uma das 9 mil pessoas vindas de países como Sudão, Eritreia, Síria e Iraque, entre tantos outros, à espera de uma oportunidade, de um vacilo da vigilância do túnel.

Após seis meses de tentativas infrutíferas de cruzar o Canal da Mancha por baixo, Sherzad perambula pelas ruas de Paris à espera de algo. Não sabe o que vai fazer, como a maioria dos refugiados espalhados pela França desde o início do processo de desmonte da Jungle, no mês passado. A operação tocada por trabalhadores de roupa laranja acaba aos poucos com uma espécie de cidade formada por barracas, contêineres e velhos trailers dispostos num terreno lamacento à beira de uma estrada. Os abandonados que lá estavam, no entanto, apenas se deslocaram. Na Zona Norte de Paris, todos os dias policiais desmontam tendas e retiram barracas nas quais eles se abrigam. A 30 minutos da Torre Eiffel, o chamado “Triângulo dos Migrantes” está ocupado há cerca de um ano por quem busca asilo na Europa depois de meses de travessia em barcos ou rotas clandestinas. A Jungle se subdividiu em “Minijungles”.

A prefeitura de Paris afirma que cerca de 2.500 pessoas se espalham atualmente em uma área com 25 hectares. Pelas calçadas veem-se abrigos de poliéster estampando, entre outras, a marca da maior rede de produtos de esporte da França, doados por tropas de voluntários, junto com roupas e alimentos. Se o acampamento cresce, banheiros químicos são instalados. Em algum momento, a polícia chega. “A polícia quer levar a gente para a delegacia, fazer uma impressão digital e nos deportar”, diz Arman, que deixou a família em uma comunidade rural no Afeganistão e viajou três meses para instalar-se embaixo de uma ponte. A dinâmica se repete até nova desocupação. Minijungles surgem e são desmontadas em Paris. A situação é similar ao desmantelamento da parte sul do campo, iniciado em março. Nos três meses seguintes, cerca de 3 mil migrantes foram evacuados da Zona Norte de Paris. Ao todo, 15 mil migrantes foram expulsos apenas da capital nos últimos 18 meses.

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Música

Dando close com a Karol Conká em Paris

Parisienses tem mania de usar preto. Vez ou outra, eles arriscam acessórios neutros ou aquele Stan Smith no pé. A matiz de tons facilita a identificação dos turistas, quase sempre com roupas coloridas. A exceção é a Karol Conká. De cabelo rosa, brinco amarelo e meia com estampa de onça, ela não está na Europa a passeio. A rapper faz sua terceira turnê internacional e toca na edição francesa do Afropunk — festival que celebra a cultura negra.

Um ótimo pretexto para sair em busca da cultura africana da cidade, bater umas fotos e trocar uma ideia no apertado metrô de Paris sobre o disco novo, machismo e cabelo.

Esperando o metrô.

Esperando o metrô.

“Isso aqui não tem no Brasil!”, exclamou ela quando parou em vitrine de Château d’Eau. O bairro que concentra cabeleireiros e lojas especializadas em cabelos afro entrou na lista de lugares favoritos da Karol. E os vendedores de lá agora tem em Karol uma das freguesas preferidas. A rapper saiu carregada de pacotes com metros e metros de cabelos de cores, tamanhos e funções diferentes. Quem chegava perto queria saber quem era aquela mulher.

Dando uma olhada nas vitrines.

Dando uma olhada nas vitrines.

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