A calma tensão de Moddi em seu terceiro álbum (completo para streaming)

A Islândia tem uma vulcão adormecido chamado Snæfellsjökull. Esse vulcão é caminho pro miolo do planeta. Quem diz é Julio Verne, no seu clássico Viagem ao Centro da Terra.

A Islândia tem estúdios, músicos, gelo e vulcões. Um dos caras que parou por lá há pouco tempo chama-se Moddi. Na verdade, ele chama-se Pål Moddi Knutsen e seu sobrenome dá título a sua banda, que acaba de lançar um álbum. “Set The House on Fire” é a primeira gravação do grupo após um hiato de três anos.

Registrado em Reykjavik, capital da Terra do Gelo, o disco é uma expedição sonora liderada pelo norueguês a paisagens densas. Nem por isso deixam de ser belas — como se precisassem ser descobertas, qual o centro da Terra.

Sua música vem em razões fundamentais. Se os países nórdicos tem a sofisticação de caras como Lindstrom ou o neogótico performático de gente como o The Knife, certamente também há pra quem busque explicações em frequências mais puras e singelas. Acústicas, dispensando a pecha de lo-fi.

Moddi executa um encavalgamento de notas, construindo seus cenários com calma de sábio em um violão de tom harpístico. Os sons suspensos saem como aliterações, às vezes de arpeggios dedilhados, às vezes do corpo percussivo.

As cordas laminadas de violino igualmente desenham cenários, contribuindo para a tensão carregada durante todo o disco. A caixa que reverbera texturas vê contraponto no piano, de função mais austera. Em Silhouette, o duelo só não vira briga porque o acordeão tocado por Moddi faz a polifonia apaziguadora. A melodia de sobriedade quase oriental.

São peças assim, históricas, que dão forma ao álbum. Num sentido contista, de quem relata causos, Moddi não se exaspera. Sua voz é o envelope do que faz com dedos e mãos. Um invólucro sem gênero, sexo ou falsete. Tenso. E protagonista de uma ruptura com o rótulo de post-rock que queriam lhe vestir.

Um grande álbum de 2013.

Para você que gosta de: Kaki King, Mirel Wagner, Arcade Fire.

Onde você poderia ouvir: como trilha de um curta sobre a condição humana.

Para quem acha que: os países nórdicos tinham mergulhado na música eletrônica ou no folk festivo.

A música: o spleen de The Architecht.

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