A cena musical, segundo David Byrne

You’re very optimistic about new and exciting scenes being able to develop, but can that happen when buzz gathers and competition foments while bands are still in the formative stages?
That is pretty tough, that the minute something reaches a point where it’s getting people excited, the word spreads really fast now. And in most cases, a band needs more time in order to make mistakes and hit dead ends, do some stuff that doesn’t work. That’s a real shame when people then feel like they can’t fail because everybody’s looking at ‘em. It’s a major thing. A band has to be able to play songs and find out they just don’t work or be able to vary their style or approach and not feel like whatever they’re doing is set in stone, that somebody just said, “OK, that’s it, you just played your second gig, that’s how you’re gonna be for the rest of your life.” That just can’t be. You can’t set everybody in amber that way. I also think [scenes are] still gonna happen, because as much as word gets out online, people still like going out to hear bands, they like the social aspect of that. They like hanging out with other like-minded people and having a drink and just the physicality of music that happens live that you don’t get over your laptop speakers. I think people will still gravitate to places to hear music together.

O novo livro do David Byrne, “How Music Works”, discute a questão da cena, da presença e da territorialização da música , entre outros pontos.

É um questionamento interessante esse do senhor Cabeça Falante. A música é um agregador social capaz de formar o que entende-se por cena. Isto é, um ambiente de troca e interações culturais apoiados em uma manifestação. Mas será que a cena depende tanto assim do espaço físico para acontecer?

Com a rede, espaços emblemáticos vem perdendo lugar para o não-espaço. A cena urbana do punk novaiorquino, que tinha como pedra-chave o CBGB, não é imaginável hoje. Tão menos o apartamento da Nara Leão e seus finos da bossa. Muito pelo contrário, vemos cenas independentes de um único lócus, como o Funk Paulista (no qual não há nem discos, apenas artistas e vídeos no YouTube) ou, até mais, o guettotech global. Nessas novas cenas, as conversas entre ritmos e pulverização de gêneros vão em alta velocidade e largas distâncias. Pra lá de cem batidas por minuto e muitos decibéis. Sim, é a música eletrônica que mais se aproveita disso.

Redes sociais, blogs, fóruns e ferramentas de publicação expandem os metros do quarteirão e a turma de alguns amigos a bairros e grupos bem maiores, embora virtuais. Some a isso aparelhos móveis e terá um processo que acontece quase que sem imediações, em tempo real.

A música gravada no Ableton Live sobe para o YouTube, ganha um tópico em algum fórum obscuro, é compartilhada no Facebook e encontra seus semelhantes no além-rede. É questão de tempo para alguém nomear o movimento — e para ele sobreviver também, é verdade.

Caberá perguntar daqui a um tempo quem veio antes: a cena ou o artista?

[ssba]

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