A mais antiga gravação da voz humana

Que paradoxo: Édouard-Léon Scott de Martinville, empresário gráfico e vendedor de livros, foi o primeiro ser humano a gravar o som da sua voz. Ao menos, até onde se tem notícia.

O feito aconteceu com um fonoautógrafo, aparelho inventado pelo monsieur Scott. O treco simulava um ouvido, bem como muitos aparelhos de som atuais. Um cone captava ondas sonoras que rebatiam numa membrana presa a uma agulha. Ela desenhava as ondas em uma folha de papel carbono. Uma representação gráfica do som, enfim.

O princípio, encontrado nos sulcos dos discos de vinil, também foi usado por Thomas Edison.nAcontece que, em vez de uma frágil folha com fuligem, o norte-americano usou uma folha de liga de alumínio. A mudança de material permitiu que o som gravado fosse reproduzido. Aí o francês ficou para trás.

Sem os louros da popularidade, ele leva os louros do pioneirismo. Só em 2008 os arqueólogos do som do FirstSounds conseguiram reproduzir o som. Segundo eles, o francês cantarola a cantiga francesa “Au clair de la lune”.

A qualidade do áudio é horrível e mal dá para entender o que se ouve como uma canção de verdade, mas isso não tira a importância do arquivo. Mais do que a compreensão da gravação como um possibilidade de pouco mais de um século, escutar esse som equivale a olhar para as estrelas, cuja luz passageira vem de um passado distante. A diferença nesse caso fica na relevância da imagem. Enquanto o mundo se abarrota delas desde que inventaram uma câmera — a primeira foto já feita ilustra o texto –, sons se perdem bem antes de o homem começar a pintar.

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