As imagens criam música no Figure

 

Vão-se os sabores dos cigarros, vêm os sabores dos smartphones. Esses, que são o cigarro acesos com acesso a 3G, tem pra todos os gostos, basta escolher o aplicativo e provar com os dedos na tela. O que mais pega até agora são, claro, as versões móveis de redes sociais e os jogos, que tem comido uma fatia expressiva do mercado de consoles tradicionais.

Nesse Pac-man tecnológico os aplicativos de áudio também vêm ganhando pontos. Com interfaces e funções equivalentes ao do pioneiro iPod, esses programinhas já já mandam o filho prodigioso da Apple para o mesmo cemitério do Discman e do Walkman. As causas da substituição são, basicamente, duas: o constante aumento da capacidade de memória desses aparelhos (muitos com extensão via cartão SD) e a preferência pela unicidade. Pra quê carregar duas traquitanas para ouvir música se uma já me basta?

Ouvir música na sua versão digital e em qualquer lugar foi o salto que a Apple permitiu há quase dez anos. Fazer música na versão digital e em qualquer lugar pode ser o salto que a fabricante Propellerhead permitirá.

Não se trata da revolução que foi o iPod para o consumo de música, até porque aqui fala-se de outro nicho. Definitivamente nem todo mundo que escuta quer fazer música, mas talvez essa diferença possa diminuir com a proposta do Figure, aplicativo da empresa sueca, já que o smartphone é, assim, um cigarrinho da pós-modernidade.

O que torna o Figure uma boa aposta é que, visivelmente, ele foi pensado para sua plataforma, o mobile. Isso o tornaria mais valioso entre outros apps do gênero se houvesse esse gênero. O software chega a um filão dos smartphones (e da música) ainda não contemplado porque o que se tem até agora são transposições ou adaptações de hardwares para a tela. O simples e gratuito Kaoss Pad, por exemplo, nada tem de inovador em relação ao aparelho original, de metal e silício.

O aplicativo da Propellerhead, ao contrário, tem uma interface pensada para a composição de peças eletrônicas na tela sensível ao toque. Um detalhe simples que evidencia isso é a mudança do contador de cima para baixo enquanto se desliza o dedo sobre os botões, enquanto a grande virada é poder criar música a partir de trajetos ou toques na tela.

Esses desenhos montam a música baseado em conceitos tipo melodia e ritmo. Como se trata de música eletrônica, há uma seção especial para o grave. O aplicativo é um mini-sintetizador, porque tem as mesmas funções do aparelho, mas não o é, porque tem outras possibilidades nas especificidades do tablet ou do smartphone.

Simples e bonito. Pode dar certo ou não. Quem sabe ninguém queira fazer música enquanto estiver no ônibus, como mostra o trailler. Não vou correr o risco de queimar a língua afirmando isso, mas não há problema em dizer que temos mais um sabor no nosso cigarro eletrônico. O resultado a gente espera por ouvir — por enquanto, só de quem tem iPhone ou iPad.

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