Até quando marginalizados?

O problema dessa proliferação do funk é que elas continuam à margem da indústria cultural. DJs e MCs criam suas músicas, produzem seus vídeos que viram febre na internet, tocam em bailes funks, ganham dinheiro com isso, mas o som permanece sendo visto como algo a ser banido da sociedade. Acontecem nas ruas, atraem de centenas a milhares de pessoas e avançam madrugada adentro. Autoridades públicas, como o secretário de Segurança Urbana de São Paulo, Edsom Ortega, afirmou: “Muitas dessas festas não passam de uma extensão do ponto de drogas dos traficantes.” Esse, em resumo, é o tom da cobertura midiática.

Tensa e certeira a análise do Farofafá sobre o assassinato de mais um funkeiro da baixada santista, MC Primo, dono da versão paulista da conhecida Diretoria, do MC Sapão. Se MC Primo morreu porque espetava bandido ou policial nas letras, prefiro não arriscar. Ao mesmo tempo que o rap paulista faz isso há muito tempo e “apenas” Sabotage foi vítima, são quatro mortes de funkeiros em três anos na região.

Certo é que existe associação entre crime e música, mas ela é causada pela marginalização do Estado, e não o contrário. Ainda assim, ela não contamina toda a cena. MC Dedê não deixa mentir.

A história conta: mesmo a contragosto das autoridades norte-americanas, as festas de rua  insistiam em acontecer em bairros da quebrada, como Bronx e Brooklyn, em Nova York — as “block parties”, como essa da imagem, do filme “Do The Right Thing” do Spike Lee.

E “Fuck The Police” é um clássico do hip hop feito pelo N.W.A., grupo de onde saíram caras como Ice Cube e Dr. Dre.

Vai vendo.

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