Felipe Maia

Música

Festival do Eme

Voltei, nem tão cedo, mas voltei!

Finalmente os brasilienses do Móveis vieram pra sampa e pisaram em solo Uspiano, cumprindo rumores de algum tempo atrás.

Movéis Coloniais de Acaju no Festival Alternativo da POLI – USP, dia 19 de abril.

Como diz o subtítulo, foi um festival. Das bandas que passaram, porém, eu estive presente no Motocontínuo, no duo freak Montage e a miscelânea do Móveis. Queria ter visto o Hurtmold e dedicarei mais espaço aqui para o Móveis Coloniais de Acaju.

No Motocontínuo eu só estive presente em corpo. O suficiente pra ouvir pouco da banda e alguns rumores não muito favoráveis ao som dos caras.

O Montage chamou a atenção e cumpriu a proposta. A sonzera eletrônica da dupla espantava quem não estivesse acostumado, mas não deixava de fazer as pernas se mexerem — e o movimento contido das pernas se multiplicava por mil pra galera “na vibe” da frente do palco.


Fico feliz por ter visto que o Cansei de Ser Sexy tem rendido algo aqui no Brasil também. Como disse o Lúcio Ribeiro, dá pra fazer um som no Brasil sem ter nada brasileiro impregnado. E isso não é no sentido pejorativo, não na leitura do impregnado. Talvez seja pejorativo pensar que a tal da globalização dos anos 90 não vai sumir mais — nesse caso cada um pensa como quer. No
last.fm, contudo, pediram Montage na Inglaterra. É o hype? E eu to com “I trust my (fuckin) dealer” na cabeça…

E vamos ao Móveis! O show mais esperado, sem dúvida. A espera tinha sido longa até então. As filas da cerveja faziam brotar pessoas e metros, a rotatividade do público já era alta e a demora começava a encher o saco. Os brasiliense, enfim, subiram ao palco.
Abriram com uns lados-B da banda (como assim? lado-B duma banda que nem tem Coletânea/Perfil! É o hype (?) ), mas não deixaram de empolgar lodo de início.


Os metais como a flauta e o sax foram comprometidos pela estrutura, não tinha jeito. Os caras são uma big band tocando num palco razoavelmente pequeno. O engenheiro de som fez milagre pro teclado aparecer junto dos trompetes, com um pouco de ajuda da acústica do local. Felizmente o resultado foi bom.

Onde estive pulularam bates-cabeça com tentativas mais afoitas de moshpit, nada que não fosse abortado. Quando tocaram Seria o Rolex a galera pulou como nem parecia na melancolia da letra — e da melodia, em parte: ninguém mais acha que lembra Unchain My Heart do Ray Charles? Falando em Ray, eles mandaram junto da galera um Hit the Road Jack, suave e bem levado.

Algumas músicas novas prometem. Não me recordo dos nomes, nem muito das músicas. O que tenho certeza é que elas continuam bem desenhadas, com a conversa sutil do sax-trompete e baixo-teclado, ao estilo Móveis Coloniais que vem se formando. Não esqueci também da solada do batera. Simples e entremeada pela pegada ska.

Os pontos altos foram deixados pro fim. O riff de Copacabana fez a galera cantar em uníssono. Apesar do som meio “sobreposto”, a execução foi bem legal. Os instrumentistas desceram do palco e fizeram aquela coreografia com a galera. Impagável. Só quem esteve lá mesmo.


Móveis Coloniais de Acaju representaram a cena alternativa. Ou melhor, a cena da música como alternativa pra tanta coisa ruim que tem se ouvido. Pois é, alternativo é aquilo que se chamou underground por um tempo, agora se chama indie e depois sabe lá deus (ou alguma gravadora) o que vai ser.

Facebooktwitterredditpinterestmail
Música

Primeiro, o Arnaldo.

Alguns bons shows a serem comentados e pouco tempo. O problema é achar que o tempo é pouco, mas isso é problema da sociedade contemporânea.
Enfim, o começo:

Analdo Antunes no Beco do Aprendiz, domingo passado (13 de abril).


O show era de graça (promovido pela
Eletrocooperativa) e aconteceu no Beco do Aprendiz, na Vila Madalena Madaloca Madá e variantes… O cenário felizmente foi propício para Arnaldo criar e recrear.

O músico caminhou bem a performance, sem chamegos ou aversões à platéia. També, pudera: ali todo mundo se conhece: o público, Arnaldo; Arnaldo, o público. Por mais que a frase ainda seja dita (“ele pode fazer qualquer coisa, cara, é o Arnaldo” o poeta-músico-cantor-artista se comunica e transforma cada um que vê o show.

Ele sabe até onde vai com suas poesias enquanto são feitos alguns ajustes. Sabe fazer o charminho pro pessoal pedir bis. Sabe mandar uma dancinha que muito me lembrou o Chico caranguejo de andada Science. Sabe satisfazer os pedidos da platéia (Lavar as Mãos, com trecho logo abaixo)

Arnaldo fez juz à sua persona camaleona ao tornar a apresentação tão aconchegante quanto o local — que por vezes não ajudava o timbre grave de sua voz. Seus músicos merecem atenção, (é claro) em especial o tecladista que “arranhou” na sanfona uma apresentação à parte, uma que agradaria o Rei do Baião ou um tiozinho do Leste Europeu.

*Detalhe que deve ser mencionado: os dois garotos nas grades no show. Os moleques tavam curtindo mais que ninguém, arriscando uns gritos e levando todas as músicas.
Nem tudo é Malu Magalhães — pedras sobre minha cabeça.

*A foto e o vídeo são do celular, dá um desconto!

* O show do Móveis Coloniais de Acaju fica pra mais cedo, quando eu acordar.

Facebooktwitterredditpinterestmail