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Cultura, Música

Rótulos acadêmicos

Matéria um pouco velha, mas ainda atual. Sobre a posição da academia ante o que se tem feito na música popular brasileira nos últimos anos.

Apesar de esse assunto ser interessante, o que mais me chama a atenção no texto é a importância dada ao olhar teórico e crítico sobre a produção artística. Muito se fala de rótulos e de quão nocivos eles podem ser para uma cena — esse termo, mesmo, já é um rótulo.

Superestima-se demais a embalagem ao passo que não se reconhece sua função. Ela é muito útil para uma análise e um olhar externo e, igualmente, ela não pode ser tão poderosa a ponto de definir os destinos de uma criação. Ou pode?

Isto posto, destaco uma declaração do grande Luiz Tatit:

Os trabalhos artísticos em geral são fenômenos que não dependem da crítica ou dos modelos analíticos, assim como as plantas, por exemplo, não dependem dos botânicos para que desenvolvam seu ciclo de vida. Portanto, não cabe ao acadêmico aceitar ou rejeitar uma “cena” ou um “movimento” musical.

Cultura

Diga com quem andas

O documentário Influencers investiga de maneira sucinta aquelas pessoas que criam os fenômenos, memes, modas e tendências na sociedade. Se não criam, são elas as responsáveis por transferir algo do nicho para uma cena maior, por vezes, global.

É uma abordagem horizontal, que recorre a depoimentos e videografismos interessantes para ilustrar algumas partes desse processo difícil de identificar — e de se aprofundar, sejamos justos.

Além dos aspectos interessantes levantados, como a forte presença da música, da cultura pop e dos ídolos nesse sistema de influências, fica claro que os referenciais de hoje se movem em sentido diverso.

Se o meio é mesmo a mensagem — como diria o filósofo popular do ano — e a mensagem não segue mais um caminho linear, assim são as influências. E atualmente elas mudam não em força, mas em sentido.

O que é o mainstream hoje? O que é o nicho hoje? São tantos pontos e tantas caudas longas que pode-se dizer com certeza que os Strokes foram influência para um sem fim de bandas da última década, mas não se pode dizer o quanto essas bandas atingiram o mainstream.

O contrário não se pode falar sobre os Beatles ou os Stones, cujos riffs ainda ecoam em clubes da Augusta por aí e foram essenciais para dezenas de bandas que fazem sucesso mundial até hoje.

Em ambos os casos, certamente, foi uma influência em cadeia global, mas não se pode dizer que foi algo massificado. Justamente porque não se tratam de redes de influências massificadas e singulares. O contrário, sim, são redes pulverizadas e plurais.

E mundão grande de meu deus.