Category Archives: Jornalismo

Jornalismo, Música

Kraftwerk em 1991

When we started it was like, shock, silence. Where do we stand? Nothing. Classical music was of the 19th century, but in the 20th century, nothing. We had no father figures, no continuous tradition of entertainment. Through the 50s and 60s everything was Americanised, directed towards consumer behaviour. So, we were part of this ’68 movement, where suddenly there were possibilities, and we performed at happenings and art situations. Then we started just with sound, to establish some form of industrial German sound, and then we founded our Kling Klang studio: the German word for sound is ‘klang’, ‘kling’ is the verb. Phonetics, establishing the sound; we added more electronics. You had these performances from Cologne radio, Stockhausen, and something new was in the air, with electronic sounds, tape machines. We were a younger generation, we came up with different textures.

O trecho é parte da entrevista feita pelo jornalista Jon Savage com o Kraftwerk em 1991. A entrevista nunca tinha visto a luz do dia, até agora, quando foi transcrita. Entre previsões, desejos e criações, os alemães acertam muito.

Jornalismo, Mídia, Web

2o dia do MediaOn

Participei hoje do segundo dia do MediaOn, evento realizado pelo Portal Terra e o Itaú Cultural. O última dia teve três painéis e alguns pontos altos. De qualquer maneira, o evento já é de grande importância só pelo tema tratado, como disse no post anterior.

2o Painel – “O novo jornalista e a cobertura eleitoral – utilização das inovações e ferramentas multimídia”

Primeiramente, vou falar do 2o Painel, que ocorreu ontem e sem dúvida foi um dos melhores que assisti. Para discutir a respeito do perfil do jornalista online foi chamado, além de profissionais de mídia — Edward Pimenta da Abril e Andrea Fornes do MSN —, um acadêmico, Fabio Malini. Pimenta e Fornes fizeram apresentações mais institucionais, mas não por isso desinteressantes. Malini, por sua vez, foi um dos poucos, senão o único a estabelecer um mínimo contato entre a Universidade e o Mercado. Provando que entende de comunicação na teoria e na prática, Malini dissecou em poucos minutos o que é o jornalista online e o que se espera dele sem esquecer, obviamente, do próprio jornalismo web. Ficou claro que o jornalista digital é aquele que sabe exercer todas as atividades do processo jornalístico, o que, acredito eu, torna o trabalho menos industrial, menos segmentado — e mais difícil. A maior causa desse jornalista multi-task é a não-linearidade da web: uma notícia deve contar com hiperlinks, podcasts, vídeos e infográficos. E todo esse conteúdo é informação que parte da mão de um jornalista. Malini ainda citou alguns elementos básicos presentes nos jornalistas online: interação com o público, cross-media, blogging, conhecimento mínimo de tecnologia, etc.

Passada a quarta, vamos a quinta. A manhã começou com o 5o Painel, que se propunha a comentar as estratégias de blog na obtenção de audiência e transmissão de informação. Giles Wilson, editor de blogs da BBC, apresentou o case de sucesso que comanda. Com milhões de visitas diárias, os blogs da BBC não são bem blogs, segundo Wilson. A plataforma usada não separa mais um site de notícias de um blog. Maior exemplo disso é o Clarin, jornal argentino. Wilson disse que os blogueiros da BBC seguem o padrão da corporação, buscando uma objetividade e clareza nos textos. Esse, aliás, é um dos fatores do sucesso dos blogs da BBC — e alavanca de qualquer blog que se preste a tal serviço: informar. Blogs como o da BBC preocupam-se, também, com os comentários. Talvez o maior trunfo do jornalismo online, em que os cruzamentes de opiniões tornan-se mais plausíveis.

António Granado, professor da Universidade Nova de Lisboa

Posteriormente, ocorreu o 6o Painel, no qual se discutiu a relação entre as mídias sociais e o jornalismo. Ta aí um assunto que dá pano pra manga. Afinal, a rede que usamos hoje (a web 2.0) se pauta basicamente em participação do usuário (= jornalismo online e redes sociais). Fazendo valer o mote, António Granado apresentou propostas simples e eficazes para o uso das redes sociais pelo jornalismo na internet. Para ele, as redes sociais são um elemento que devem ser entendidos e integrados pelo jornalismo. Existem ótimas ferramentas web prontas para serem usadas, só falta coragem e menos conservadorismo. É uma atitude já tomada em jornais como o NYTimes ou o Washington Post, mas que não ocorre por aqui. Faz parte do tom de rivalidade assumido entre as corporações de mídias brasucas, levantada no Painel 1. Em vez de, por exemplo, linkarem vídeos do youtube ou fotos do flickr, veículos grandes preferem criticar as novas mídias e reinventar a roda.

Caíque Severo, segundo debatedor e diretor de conteúdo do iG, apresentou o MinhaNotícia. Um projeto que, apesar de ter mais de um ano de existência, ainda é beta. A proposta é a publicação de notícias por qualquer pessoa. No caso, elas passam por uma equipe de moderadores. Severo afirmou que na versão que vem por aí do MinhaNotícia o processo de escolha e rankeamento de notícias será mais natural, controlado por uma comunidade. É uma outra estratégia, diferente daquela do iReport — mais escancarada apesar da linha editorial. Falando em linha editorial, Severo nem mencinou o embate TSE x iG.

Existem mais 100 Mallu Magalhães, todas fazem boa música?

O último Painel tinha como título o “Diálogo produção-jornalismo cultural”. Dos 3 debatedores, o melhor mesmo veio do mediador, o jornalista Maurício Stycer. O correspondente do iG disse uma frase muito boa, para ele o “jornalista cultural tem uma infinita gama de opções [na internet], mas a questão central é ainda se a ‘Mallu Magalhães’ é boa ou ruim”, relembrando o fênomeno do myspace. O trabalho do jornalista cultural, então, fica até mais difícil com os inúmeros profiles no myspace. É preciso uma bagagem cultural pra definir, creio eu, não o que é bom ou o que é ruim — isso não cabe ao jornalista —, mas sim o que vale a pena ser visto, ouvido, enfim, pensado. Sendo assim, o blog é um ponto de partida para o jornalista. E tomara que a cadeira não seja o seu ponto de estada. A propósito, ninguém em nenhum painel levantou esse ponto, contudo, é imprescindível ressaltar que o trabalho do jornalista ainda é um trabalho de campo: físico e, há um bom tempo, virtual.

fotos do blog do MediaOn e do Tiago Dória que, aliás, cobriu o evento pelo seu blog.
Jornalismo, Mídia, Web

Media on – Seminário Internacional sobre Jornalismo Online

Estive hoje no mediaon, a 2a edição de uma série de painéis sobre jornalismo online. Realizado no Itaú Cultural, o evento é basicamente composto por painéis de discussão e seminários (e algumas oficinas inexistentes), reunindo principalmente gente com relevância nas corporações midiáticas.
A parte o atraso e a falta de informações básicas (confirmação, oficinas, etc.) o que vi hoje foi uma reunião que põe em pauta um tema alardeado por todos, mas que poucos querem por a mão. De um lado, a academia, pra qual jornalismo online o assunto ainda é um pântano: nebuloso, lamacento e cheio de armadilhas. Do outro, o mercado, que busca um jornalista online com crise de identidade: não sabe o que faz, quanto faz, ou mesmo se é só online.

Tas e Rosemblun na abertura do envento

O primeiro painel contou com o mediador Alon Feuerwerker (editor de política do Correio Braziliense e blogueiro), e os debatedores Bob Fernandes (editor do Terra Magazine) e Ricardo Feltrin (colunista da Folha e editor-chefe da Folha Online). Juntando a fome com a vontade de comer, o assunto eleições brasileiras e web não poderia vir em melhor hora, vide a última decisão do TSE que restringe o conteúdo sobre eleições na internet.

O debate, que frequentemente descambava pra política e legislação, explicitou uma opinião bem sensata: a internet é um espaço democrático e a nova lei do TSE vai de encontro a isso.

Eleições digitais?

Bob Fernandes lembrou que alguns senhores, como o Sarney no MA, Collor em AL e, por que não, Aécio Neves em MG detêm direitos sobre radiodifusoras — mesmo que escusos. É um nem tão novo coronelismo, não menos nocivo do que os de antigamente. Um “coronelismo medial” que Ninguém cutuca (com N maiúsculo, são cargos do alto escalão). Não posso deixar de mencionar que a internet não é uma concessão: ela esta aí pra quem pode e quer falar, ler, gritar. A medida do TSE é proibitiva e trata a rede como um teco do espectro radiodifusor. Um teco de algumas milhões de toneladas informacionais, impossíveis de serem controladas. Ainda bem, pois, como falou Bob, “no fim das contas a lei será descumprida”. Legislação, aliás, é o que falta para a internet — e não uma censura velada baseada num código inaplicável, até então, ao ciberespaço.

Nessa esteira de ficção (essa lei bem que podia ser do 1984), Ricardo Feltrin disse que “nunca se sentiu tão cerceado”. Feltrin ressaltou a pressão que se faz sobre o jornalismo político: ora é o Estado, ora os Partidos, ora o próprio usuário — comentadores mandados, pagos, trolls, típicos da rede. Digo que é bem verdade que o jornalismo está mais pra um pitbull rosnando pra tudo quanto é político. Contudo, quando essas pressões ameaçam empurrar para baixo o lucro das empresas de mídia, jornalista vira poodle e a corporação ainda põe coleira pro senador ou o que for acariciar. Feltrin disse bem ao afirmar que “essas forças [as pressões] precisam mudar, senão muda o jornalismo”. Completo dizendo que também precisa mudar a postura das empresas e conglomerados de mídia — mas isso é mais difícil que político falando a verdade.

Depois mais comentários sobre os outros painéis e sobre o segundo dia do evento.