Category Archives: Música

Música

Cria de fábrica de hits, MC G15 é a nova estrela da indústria do funk

Desde que compôs a letra de “Deu Onda”, o sucesso do verão de 2017, Gabriel da Paixão Soares, 18, viu sua vida mudar. Conhecido como MC G15, o funkeiro atingiu o auge da fama em janeiro. Na sua agenda, ele agora encaixa participações em programas de TV e rádio, gravações de músicas e cerca de 50 shows por mês em todo o país.

“Percebi que era sucesso quando vi todos os artistas cantando”, diz G15. De Neymar a Anitta, passando por globais, muita gente se rendeu à música em parceria com o DJ Jorginho. Sem falar na paródia feminista “Minha Xota te Ama”, da MC Luana Hansen —uma referência ao verso “meu pau te ama”, da versão proibidona de “Deu Onda” (no rádio, virou “o pai te ama”).

“Gravei minha voz no estúdio dele, passaram 15 dias e a música chegou no meu celular”, explica G15. “Mas não achei que ia ser sucesso.”

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Música

Dando close com a Karol Conká em Paris

Parisienses tem mania de usar preto. Vez ou outra, eles arriscam acessórios neutros ou aquele Stan Smith no pé. A matiz de tons facilita a identificação dos turistas, quase sempre com roupas coloridas. A exceção é a Karol Conká. De cabelo rosa, brinco amarelo e meia com estampa de onça, ela não está na Europa a passeio. A rapper faz sua terceira turnê internacional e toca na edição francesa do Afropunk — festival que celebra a cultura negra.

Um ótimo pretexto para sair em busca da cultura africana da cidade, bater umas fotos e trocar uma ideia no apertado metrô de Paris sobre o disco novo, machismo e cabelo.

Esperando o metrô.

Esperando o metrô.

“Isso aqui não tem no Brasil!”, exclamou ela quando parou em vitrine de Château d’Eau. O bairro que concentra cabeleireiros e lojas especializadas em cabelos afro entrou na lista de lugares favoritos da Karol. E os vendedores de lá agora tem em Karol uma das freguesas preferidas. A rapper saiu carregada de pacotes com metros e metros de cabelos de cores, tamanhos e funções diferentes. Quem chegava perto queria saber quem era aquela mulher.

Dando uma olhada nas vitrines.

Dando uma olhada nas vitrines.

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Cultura, Jornalismo, Música

O pacto de sangue entre rap e futebol na França

Como ocorre no Brasil, o fim de cada jogo da França na Eurocopa 2016 acompanhou intermináveis mesas redondas na TV. Após a derrota para Portugal, todas lamentavam o gol do atacante Éder e tentavam, em vão, explicar o porquê do vice-campeonato.

Dias antes, nas quartas-de-final, o clima da análise era oposto: a maior parte das discussões celebrava os pormenores da goleada de 5 a 2 na Islândia. No canal i-Tele, um grupo questionava o gesto de Paul Pogba, meio-campista francês, ao comemorar seu tento. “Não seria uma ofensa ao público?”, questionou um deles.

“Isso é um dab”, respondeu Djibril Cissé. Com a tranqulidade de quem revela um segredo conhecido, o ex-jogador explicou que aquilo era um passo de dança importado do hip-hop. Era mais um exemplo da frutífera relação entre rap e futebol na França.

“Os jogadores estão muito próximos do rap por aqui, eles escutam esse tipo de música no vestiário, eles estão atualizados com o que tem de novo”, explica Mohammed Sylla. Mais conhecido por MHD, o rapper de 21 anos é a mais recente sensação do hip-hop francês Com seu chamado “Afro-Trap”: uma mistura de texturas do oeste africano a arranjos e prosódias clássicas do rap norte-americano.

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Jornalismo, Música

20 Anos de Baile Funk: Sergio Goldemberg, Diretor do Documentário ‘Funk Rio’

Houve um tempo romântico do funk carioca. A bem da verdade, a música era menos funk que Miami Bass com algumas paródias ingênuas. As roupas tinham mais pano. As dancinhas, nem tão sofisticadas quanto o Passinho do Romano, frequentemente se resumiam a pular de um lado a outro em um filinha — o bonde. Aliás, esse bonde era o único que recorria ao exagero do romantismo em forma de porrada, só pela diversão, entre um lado e outro do baile. Está tudo no documentário Funk Rio, de Sergio Goldemberg. E ele confirmou isso pra gente numa conversa.

“Todo mundo ia pros bailes. Era o programa do fim de semana. Em todos os lugares do Rio de Janeiro, da periferia do Rio, milhares de jovens iam pro baile funk”, me disse ele, lembrando dos dias em que gravou o filme. Foram cerca de dois meses de pesquisa e duas semanas de filmagem que resultaram no documentário que faz, nesse ano, vinte anos. Sergio acompanhou e registrou garotas e garotos da periferia carioca que extravasavam os picos da juventude no pancadão calorento dos bailes na quadra da Mangueira ou no Fluminense de Niterói.

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