Category Archives: Música

Música

Ajudar o peixe…

Vá, nem é uma das melhores músicas do Billy Idol. Ou melhor dizendo, nem é um dos melhores hits do pai do Supla — pobre (ou não) coitado que só se fez de hits após o Generation X. O que pegava nessa música era o refrão: ajudar o peixe… Tinha gente que até apelava e emendava aí o backin’ vocal: feche os olhos e vááá.

Nesse caso é uma transliteração do som muito bem sucedida. Afinal, duvido que você escute outra coisa que não seja a súplica ao peixe; caso contrário você sabe a letra — e não vai ser eu quem vai escrever ela aqui!

O cômico é que criaram um site pra isso. Kissthisguy.com só reúne essas confusões entre o que foi ouvido e o que foi escrito. Às vezes a diferença nem é tanta — principalmente em se tratando de profundidade poética —, mas o engano não deixa de ser engraçado.

A começar pela f*dida Purple Rain, cujo verso (Excuse me, while I kiss the sky) dá nome ao site. Ali tem mais um monte.
O Rock the Casbah do Clash virou Lock the Taskbar. O wannabes (de Pretty Fly for a White Guy) do Offspring virou one-eyed peas. Enquanto isso, o drama do REM, It’s me in the corner/It’s me in the spotlight, dá lugar à chanchada Let’s pee in the corner, let’s pee in the spotlight.

A língua do Tio Sam — e a nossa também — é cheia dessas malandragens (mode boça). De vez em quando dá nisso e noutros:



Último vídeo do anderssaruo.com

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Now playing: Stan Getz, João Gilberto, Astrud Gilberto – O Pato
via FoxyTunes

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Misc, Música

Rave do eu sozinho e um pouco mais

Foto no flickr da lucy.aboytes


Aconteceu a
primeira rave sem música em Nova York. O evento, que já se realizou na Europa, ocorreu na Union Square. Uma multidão de jovens dançando com cada um escutando à playlist do seu iPod.

Não vá pensando que é só chegar e dançar. O negócio tem uma série de regrinhas para deixar a “vibe” mais coletiva possível. Pra muitos é algo retardado. Eu vejo mais como uma metáfora que todos os participantes compram. Com tudo cada vez mais individual a necessidade pelo outro recrudesce. Haja vista, por exemplo, o coworking. Todo mundo quer se sentir mais social nesse mundo de metaverso.

* Pauta 2

E a Virada Cultural chegando, hein. presença confirmada no Mundo Livre SA, no Sick Sick Sinners, no Orquestra Imperial e no Ultraje a Rigor. Vai ter muito pano pra manga. E quem sabe algumas surpresas (boas, espero!)

* Pauta 3

O Lúcio Ribeiro e seus rumores. Diz ele que podem aterrisar por aqui Joss Stone, Megadeth, Guns, Red Hot, Madonna — e isso é só o primeiro parágrafo.

Pelo sim — Overcoming Folk Trio na Virada vai tocar — e pelo não — Rage Against the Machine, como ele disse há um tempo — é bom economizar uma grana.

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Música

Festival do Eme

Voltei, nem tão cedo, mas voltei!

Finalmente os brasilienses do Móveis vieram pra sampa e pisaram em solo Uspiano, cumprindo rumores de algum tempo atrás.

Movéis Coloniais de Acaju no Festival Alternativo da POLI – USP, dia 19 de abril.

Como diz o subtítulo, foi um festival. Das bandas que passaram, porém, eu estive presente no Motocontínuo, no duo freak Montage e a miscelânea do Móveis. Queria ter visto o Hurtmold e dedicarei mais espaço aqui para o Móveis Coloniais de Acaju.

No Motocontínuo eu só estive presente em corpo. O suficiente pra ouvir pouco da banda e alguns rumores não muito favoráveis ao som dos caras.

O Montage chamou a atenção e cumpriu a proposta. A sonzera eletrônica da dupla espantava quem não estivesse acostumado, mas não deixava de fazer as pernas se mexerem — e o movimento contido das pernas se multiplicava por mil pra galera “na vibe” da frente do palco.


Fico feliz por ter visto que o Cansei de Ser Sexy tem rendido algo aqui no Brasil também. Como disse o Lúcio Ribeiro, dá pra fazer um som no Brasil sem ter nada brasileiro impregnado. E isso não é no sentido pejorativo, não na leitura do impregnado. Talvez seja pejorativo pensar que a tal da globalização dos anos 90 não vai sumir mais — nesse caso cada um pensa como quer. No
last.fm, contudo, pediram Montage na Inglaterra. É o hype? E eu to com “I trust my (fuckin) dealer” na cabeça…

E vamos ao Móveis! O show mais esperado, sem dúvida. A espera tinha sido longa até então. As filas da cerveja faziam brotar pessoas e metros, a rotatividade do público já era alta e a demora começava a encher o saco. Os brasiliense, enfim, subiram ao palco.
Abriram com uns lados-B da banda (como assim? lado-B duma banda que nem tem Coletânea/Perfil! É o hype (?) ), mas não deixaram de empolgar lodo de início.


Os metais como a flauta e o sax foram comprometidos pela estrutura, não tinha jeito. Os caras são uma big band tocando num palco razoavelmente pequeno. O engenheiro de som fez milagre pro teclado aparecer junto dos trompetes, com um pouco de ajuda da acústica do local. Felizmente o resultado foi bom.

Onde estive pulularam bates-cabeça com tentativas mais afoitas de moshpit, nada que não fosse abortado. Quando tocaram Seria o Rolex a galera pulou como nem parecia na melancolia da letra — e da melodia, em parte: ninguém mais acha que lembra Unchain My Heart do Ray Charles? Falando em Ray, eles mandaram junto da galera um Hit the Road Jack, suave e bem levado.

Algumas músicas novas prometem. Não me recordo dos nomes, nem muito das músicas. O que tenho certeza é que elas continuam bem desenhadas, com a conversa sutil do sax-trompete e baixo-teclado, ao estilo Móveis Coloniais que vem se formando. Não esqueci também da solada do batera. Simples e entremeada pela pegada ska.

Os pontos altos foram deixados pro fim. O riff de Copacabana fez a galera cantar em uníssono. Apesar do som meio “sobreposto”, a execução foi bem legal. Os instrumentistas desceram do palco e fizeram aquela coreografia com a galera. Impagável. Só quem esteve lá mesmo.


Móveis Coloniais de Acaju representaram a cena alternativa. Ou melhor, a cena da música como alternativa pra tanta coisa ruim que tem se ouvido. Pois é, alternativo é aquilo que se chamou underground por um tempo, agora se chama indie e depois sabe lá deus (ou alguma gravadora) o que vai ser.

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Música

Primeiro, o Arnaldo.

Alguns bons shows a serem comentados e pouco tempo. O problema é achar que o tempo é pouco, mas isso é problema da sociedade contemporânea.
Enfim, o começo:

Analdo Antunes no Beco do Aprendiz, domingo passado (13 de abril).


O show era de graça (promovido pela
Eletrocooperativa) e aconteceu no Beco do Aprendiz, na Vila Madalena Madaloca Madá e variantes… O cenário felizmente foi propício para Arnaldo criar e recrear.

O músico caminhou bem a performance, sem chamegos ou aversões à platéia. També, pudera: ali todo mundo se conhece: o público, Arnaldo; Arnaldo, o público. Por mais que a frase ainda seja dita (“ele pode fazer qualquer coisa, cara, é o Arnaldo” o poeta-músico-cantor-artista se comunica e transforma cada um que vê o show.

Ele sabe até onde vai com suas poesias enquanto são feitos alguns ajustes. Sabe fazer o charminho pro pessoal pedir bis. Sabe mandar uma dancinha que muito me lembrou o Chico caranguejo de andada Science. Sabe satisfazer os pedidos da platéia (Lavar as Mãos, com trecho logo abaixo)

Arnaldo fez juz à sua persona camaleona ao tornar a apresentação tão aconchegante quanto o local — que por vezes não ajudava o timbre grave de sua voz. Seus músicos merecem atenção, (é claro) em especial o tecladista que “arranhou” na sanfona uma apresentação à parte, uma que agradaria o Rei do Baião ou um tiozinho do Leste Europeu.

*Detalhe que deve ser mencionado: os dois garotos nas grades no show. Os moleques tavam curtindo mais que ninguém, arriscando uns gritos e levando todas as músicas.
Nem tudo é Malu Magalhães — pedras sobre minha cabeça.

*A foto e o vídeo são do celular, dá um desconto!

* O show do Móveis Coloniais de Acaju fica pra mais cedo, quando eu acordar.

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