Category Archives: Tecnologia

Tecnologia

Eu usei a máquina de ser outro e virei mulher

Eu conheci um pouco do futuro muito tempo antes de você questionar qual a procedência da carne: natural ou sintética? Aliás, a mania de se perguntar de onde vinha a carne começou naqueles anos, mas era uma propaganda. E a clonagem não era carne de vaca. Ninguém se preocupava em distinguir uma holografia de uma pessoa, tampouco se falava em comprar um tablet quântico. O big data era famoso e a mineração espacial era uma das fronteiras finais. Nessa época, houve um dia em que eu conheci um pouco do futuro.

Eu virei outra pessoa. Eu virei mulher.

Não que modificar seu sexo fosse algo do futuro. É verdade aquela história de que muita gente ainda não entendia ou simplesmente odiava as pessoas transgênero – não me pergunte o que eles pensariam caso soubessem da problemática ética e jurídica quanto a fertilização eugênica sob demanda. Mesmo assim, outras identidades de gênero eram realidade. O grande passo adiante, então, era dar um passo com o corpo de outra pessoa. E fazer isso graças a um sistema eletrônico, digital e interativo era mais futurista ainda.

Naqueles idos, ambientes de realidade virtual ainda eram ficção científica. Várias empresas tinham se arriscado nesse mercado, mas nenhuma chegava nem perto do que víamos nos filmes. A Nintendo, por exemplo, tentou um tal Virtual Boy que mais parecia o visor do Ciclope conectado à primeira edição do Mario. Quem ganhou a corrida, afinal, foi o Oculus Rift, da empresa Oculus VR, posteriormente comprada pelo país-corporação Facebook. Eles criaram o aparelho que tornava a experiência de imersão virtual em algo plausível de se chamar real.

Essa é a Marina cumprimentando o Antero, o amigo do Philippe. Ou vice-versa. Crédito: Felipe Maia

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Música, Tecnologia

A nova ressureição da única máquina de discos de vinil do Brasil

Quando era mais novo, eu “dava” uns CD-Rs com músicas gravadas para alguns amigos. Era um trabalho complicado. O cara – geralmente alguém que ligava o computador para usar o Paint, o Chat do UOL e o FreeCell – fazia uma seleção de músicas; eu baixava aqueles MP3s no Kazaa sem me importar com a qualidade dos arquivos – contanto que não fossem aquelas versões com a chiadeira proposital do RIAA –; depois, convertia as faixas para WAV no Winamp; e, enfim, gravava o CD com alguma versão do Nero que também tinha sido gravada em algum CD.

Esse esquema é realmente coisa de moleque se comparado ao trabalho de Arthur Joly e Bruno Borges, o DJ Niggas. Os dois burlaram o sistema tradicional de produção de discos com uso de moldes de acetato – o processo de prensagem em larga escala. Num pequeno estúdio na Zona Sul de São Paulo a dupla criou a Vinyl-Lab, a única produtora do Brasil capaz de gravar discos diretamente nas bolachas de vinil. Com muitíssima paciência, muita grana, alguma engenhosidade e um pouco de sorte, eles botaram pra funcionar a Neumann AM32B, de 1957, um torno de corte de discos tão histórico quanto complicado.

Arthur Joly prepara a máquina de fazer vinis. Crédito: Felipe Maia

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Tecnologia

O Barão do Bitcoin

“Existem lucros que são difíceis de ser conquistados: você tem de dar um trampo”, diz Allex Ferreira, sem tirar o olho do celular, enquanto toma seu segundo café expresso na tarde. “Mas quando o lucro é muito simples, você vai atrás.” Sentado em uma livraria em São Paulo, o paulistano que não gosta de revelar a idade lembra das histórias que fizeram sua fama. Ele é um broker de bitcoins: compra e vende moedas digitais aplicando seu lucro a cada transação. Se ajustadas aos valores atuais, elas somam cerca de R$ 2 milhões movimentados por ele. Mas não é só por isso que Allex é chamado de Barão do Bitcoin.

Ele é falastrão. Faz parte do seu avatar de Lobo de Wall Street. Allex critica possíveis concorrentes, discute com colegas e, caso entenda os debates como ofensa, bloqueia os perfis em grupos e fóruns que modera. “Nunca perdoei”, diz. Ele faz parte de um grupo que toca um enorme comércio subjacente à superfície da internet. Um leilão que chegou a cem mil operações diárias no mundo no início de 2015. Numa definição simplória, transferir Bitcoin é como enviar dinheiro por e-mail sem taxa ou cobrança de banco; significa, a grosso modo, copiar e colar dígitos específicos em carteiras virtuais – softwares que podem conectar qualquer usuário da rede de forma anônima.

Crédito: Felipe Larozza/ VICE

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Arte, Cultura, Música, Tecnologia

Pinta uma música aí

A ideia do Dyskograf é essa: cada marca de caneta sobre o disco de papel resulta em um barulho diferente. O disco gira, a música acontece.

Um sequenciador digital que funciona a base de tinta e papel. Conceitos analógicos que dão incerteza à linguagem binária.

A instalação fará parte da Vision Sonic, festival multimídia que acontece em Paris em novembro.

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Música, Tecnologia

Quais são as seis músicas da sua vida?

Pergunta difícil. Eu mesmo levei um bom tempo tentando responder ao desafio proposto pelo Guardian. Na minha playlife entram Clash, Michael Jackson, Louis Armstrong, Nouvelle Vague, Wilson Simonal (que entrou como Paulinho Tapajós porque não foi encontrado na base de dados) e Novos Baianos.

O mais legal do aplicativo são as informações agrupadas. Como as 399 pessoas que escolheram Dancing Queen, do Abba, como música para dançar. Dessas, a maioria é mulher, entre 35 e 44 anos e britânica. Ou que quatro pessoas escolheram Clocks, do Coldplay, como música para o funeral — mais da metade é eslovaco (?).

Vai lá: Six Songs of Me.

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