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Música, Tecnologia

Criando círculos com as frequências do som

Sound frequencies are displayed as they are heard. Lower frequencies are mapped low (bottom) to high (top). Brightness is determined by amplitude. Sweeping tones and rhythmic patterns create intricate structures. The circular form is in memoriam of dead formats; the CD, vinyl LP, MiniDisc and others. R.I.P.

Desse jeito saem círculos como esse aí da imagem. O projeto é do coletivo Cargo e de um desenvolvedor do SoundCloud. Para fazer as imagens é só ir no http://spectrogr.am/ e inserir na url o artist/track/ do SoundCloud. Apertando H aparecem algumas opções, como cor e comprimento das ondas. Tem um aplicativo também, mas só para Mac.

Acho que imagens assim servem pra confirmar palavras como preencher e pontuar (entre outras) quando utilizadas para descrever música.

via ISO50

Música, Tecnologia

A história da música no Facebook

O Spotify reuniu vários dos principais marcos da história da música na sua Timeline do Facebook. Até agora, o uso mais legal que já vi do recurso. Conteúdo interessante que vai render muitos cliques pro site e seu player — que, a meu ver, é só o iTunes reeditado, em interface e conceito.

Algumas coisas bacanas de lá estão na galeria abaixo.

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Música, Tecnologia

O streaming ainda demora a chegar no 100% por aqui

Deu no Link nesta sexta:

Apple e Google na briga pela música online

A Apple terminou o desenvolvimento de um serviço de música online e deve lançá-lo antes de o Google fazer a estreia de um serviço semelhante — projeto que está parado — , segundo pessoas familiarizadas com os planos de ambas as empresas.

A despeito do clássico migué do hard news “pessoas familiarizadas com os planos”, típico principalmente em tecnologia, vamos ao que (me) interessa: o streaming.

Também deu no Link da semana passada uma matéria bacana sobre o futuro do conteúdo como serviço e não como bem, ainda que digital. Alguns pontos levantados no texto são relevantes ao assunto, tais como a relação entre gravadoras e sites de streaming (Spotify, Last.fm, Pandora), futuro do mercado, tipos de serviço, entre outros.

O que me chamou a atenção são pontos não comentado, talvez por conta do espaço. São questões menores, mas que terão relevância com o peso que vem ganhando esse tipo de serviço.

Estrutura

A primeira é a necessidade de estrutura. No mesmo Link, desta vez o da semana passada, há uma reportagem sobre a banda larga no Brasil. Dois dados chamam atenção. O primeiro, de que somos o 61º país mais conectado entre outros 133, segundo o Fórum Econômico Mundial. A posição, que já não é privilegiada, perde o ouro que restava quando vemos que estamos à frente de uma grande parcela de países latino-americanos, africanos e do leste europeu — países onde o Spotify, o Pandora e o Last.fm não têm vasto mercado.

Outro dado interessante é o preço médio pago pela banda larga de 1 Mbps. Segundo a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), são quase 70 reais para ter essa velocidade. O preço já é altíssimo para os padrões brasileiros, em especial da classe C, uma base larga do país. Se o PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) vingar, o preço deve cair, mas ainda estaremos em um estágio insuficiente para o streaming em larga escala, principalmente para o vídeo.

Numa conversa que tive com o gerente de produtos da Philips, Marcelo Natali, ele disse que 2 Mbps era a velocidade recomendável  para o streaming nas novas TVs conectadas da marca, e o valor não deve variar para outros fabricantes. E nem precisamos chegar tão longe nos eletrônicos para ver o entrave que se avizinha. Me diz alguém que goste de esperar carregar um vídeo no Youtube para, só depois de um tempo, poder vê-lo? Isso não é streaming. É no máximo um download on demand e é especialidade na conexão de 1 Mbps.

Qualidade e quantidade

Ora, argumentariam aqui que para música não é preciso tantos dados por segundo. É bem verdade, mas aí faço as vezes de super-herói e defenderei os fracos e os oprimidos, a minoria enfim.

O MP3, amigos, já é comprimido. Sem novidade até aí. No streaming a compressão chega a uma coisa sub-atômica (alguém faz um infográfico disso). Uso um serviço chamado Audiogalaxy. O negócio é bacana mesmo: ele indexa todas as músicas que tenho no PC e toca direto no meu smartphone via, adivinhe, streaming.

O problema é quando quero ouvir algumas particularidades da canção. O software só faz a transmissão de músicas em qualidade baixa e quando a transmissão é numa qualidade superior ou de algum formato mais fiel, como FLAC, ele logo avisa que a reprodução pode sofrer falhas. Tudo bem, estamos falando de redes móveis, mas a rede 3G a que tenho acesso alcançou 0,74 Mbps em um teste do instituto DataMaia. A velocidade que a operadora afirma vender é de 1 Mbps. Assim, músicas em alta qualidade são um problema. Vídeos, novamente, nem pensar.

Deixando os filmes de lado — já que, ficou claro, é algo distante que só quero ver na Copa —, existe um último ponto específico da música digital. Quantos discos existem em MP3? Uma trocentena, certamente. Mas quantos não existem? Se o mercado de discos ainda hoje faz sucesso é por causa da sua qualidade, discutida acima, e quantidade. Tem coisa que não tem em MP3. E, seguindo a lógica, tem coisa que não tem em streaming.

Navegue pelo Grooveshark, o queridinho de muitos operários do computador. Busque por uma senhora chamada Aracy de Almeida. Algumas canções vão aparecer, mas o disco em que ela canta Noel Rosa não está na lista. Preciosismo à parte, estão outras músicas dela ali. Mas preciosismo faz parte, ainda mais quando falamos de boa parte da população que foge ao mainstream ou atual e garimpa coisas nas redes de sebos ou sites — oi, tudo bom?

Pode ser questão de tempo até aparecer a canção Conversa de Botequim na voz da sambista no Grooveshark. Também pode ser questão de tempo até que a música surja para streaming em ótima qualidade. E, por fim, também pode ser questão de tempo para que um computador aqui em São Paulo e um computador em alguma cidadezinha do Amazonas consiga tocar a música da dona Aracy com ótima qualidade, quem sabe numa grande festa onde um MP3 não satisfaz. São todas questões que podem ser, mas uma questão que certamente já é: quanto tempo isso vai levar? Um bocado, garanto.

Música, Tecnologia

O povo gosta é da aparelhagem

A estética da fome, expressão adorada entre 10 de 10 intelectuais. Uns para criticar, outros para glorificar. Pobreza sempre rende algo para arte, na forma mais capitalista e mais ars gratia ars do termo render. E quando o pobre faz arte? A rentabilidade é questionável, novamente. Desde o século passado inquestiona-se, no entanto, a presença da tecnologia nos produtos que surgem do gueto. A técnica na fome, que atinge níveis esfaimados há pouco tempo.

Venho mastigando essa história faz um tempo. Desde o Theremin e seus congêneres, a música namora com o acústico e o eletrônico. Se o transistores e soldas facilitaram a vida do músico ou se piorou a qualidade da música são discussões para outros posts. Se o piano de cauda é tão disseminado quanto o teclado é um fato desse post. Na explosão urbana da virada do século o tamanho já era limitante para as famílias grandes em apartamentos pequenos. O rádio também cumpria bem a função do entretenimento audível. À mesma época a indução eletromagnética já era menos precária e o semi-acústico virava, enfim, o elétrico, junto dos sintetizadores. O miúdo dos componentes eletrônicos servia também para aumentar a intensidade do volume. E temos amplificadores na linha de produção.

Quando a história é demais o leitor desconfia, então vamos pular pra parte que interessa. Como tudo que vem do norte chega no sul, os elétricos todos aterrisaram nos subdesenvolvidos. O caso mais expressivo é o da Jamaica. A praia privada estadunidense se viu invadida por caixas de som que reproduziam, nos devidos moldes, o american way of life. Não sei quando, mas resolveram empilhar os alto-falantes e habemus soundsystem. Nada subversivo, no contexto, até o momento em que o R&B não chega mais às antenas jamaicanas. Precisavam de algo dali, autóctone. Rumba, mambo, calipso, mento já existiam, mas eram o folk das ilhas caribenhas. E folk é aquela coisa… um cara, um violão e uns ouvindo. Reproduzir discos da música negra americana já era antiquado. E aí surge um figura de nome Coxsone Dodd com a idéia de criar um estúdio ali mesmo em Kingston.  Daí pra frente é ska, rocksteady, reggae e o resto é artigo da Wikipédia.

Ora, um estúdio, item básico para mixagens e gravações. Onde todos os sonhos do cancioneiro ganham vibrações reais. A fábrica dos álbuns. Todo e qualquer álbum, é fato. Não foi por causa do estúdio que surgiu Bob Marley. Mas foi por causa do estúdio e do Bob Marley (não, dele não, mas do reggae, sim) que surgiria o dub. O dub, ou o estúdio instrumentalizado. Enfiaram metalinguagem na produção musical só por conta da tecnologia. E todo e qualquer dub não surgiram sem mesas de som, canais, equalizadores, etc. Imaginar desacelerações das BPM, his, mids, lows, echoes e reverbs sem um estúdio é impossível da mesma maneira que o é pensar o dub fora do terreno fértil que é a Jamaica. Lee Perry não me deixa mentir.

As mesas de som seguiram o caminho natural da tecnologia e diminuíram, viraram pickups e mixers. Nos EUA, se houvesse dancehalls eles virariam danceclubs, mesmo caminho dos bares de jazz suburbanos, povoados outrora pelas bandas. No Bronx, outro jamaicano tomava a cena, um senhor Kool Herc. O domínio do maquinário lhe valeu técnicas de transição e remixes ao vivo das pedradas funks de James Brown e os renegados da Motown. Sem o aparelho, nada de Grandmaster Flash ou Afrika Bambaata, que dirá de hip hop. A técnica, aí de novo, foi vetor tão determinante para o movimento quanto o contexto social e artístico, embora esses últimos tenham refletido com maior força.

O interessante é observar a velocidade desses processos e a facilidade da metamorfose. A história conta com exemplos vastos de elementos, físicos ou não, que vão de um estrato a outro da sociedade. São os casos dos dominados copiando os dominadores ou da livre adaptação do status vigente para formas mais condizentes. Um penteado, uma roupa ou um trejeito atravessam as pessoas rapidamente. Por outro lado, uma obra de arte demorou para sair do museu e das academias de belas artes (será que já saiu, efetivamente?), uma câmera custou (e ainda custa) muito caro, sem falar do já falado piano de cauda, para finalizar os exemplos.

Considerando que a tecnologia quase sempre é de alto custo, isto é, para quem pode e não para quem quer, há aí um impedimento claro não fosse a evolução veloz dos aparelhos e suas leis de Moore. O novo torna-se obsoleto, e o obsoleto é queima de estoque, tá barato. O aprendizado é outro ponto. Sem tocar na questão da complexidade, não há um didatismo secular por trás dos aparelhos tecnológicos, tão novos quanto os movimentos que os circundam. Menos secular ainda é a gambiarra, a transformação de um em outro. No mundo da elétrica um toca-discos deixa de ser um reprodutor na mão de um ouvinte e passa a ser uma plataforma de criação para algum DJ — não todos.

A ferro e fogo, no entanto, criar música eletrônica — tentei evitar o termo durante todo o texto, mas não deu — significa modificar/juntar/editar algum som pré-existente. Mais do que os equipamentos, contudo, que mudaram desde Dodd ou Herc, mudou o caminho. E isso, sim, é mais relevante que qualquer avanço tecnológico. Se outrora as composições tinham como base os vinis do mainstream, hoje elas vem com ruídos do MSN ou o conhecido tamborzão. Nas favelas cariocas é o funk que toca e faz a soundsystem da juventude, e isso não é novidade pra ninguém. Novidade é, sem dúvida, o fato de a tecnologia ser não só apreendida e transformada, mas regurgitada. Para muitos um escarro em forma de letras de conotação sexual ou criminosa, alienação e a “música ruim”. Para outros tantos, um sopro animador em festas e ditador de parte considerável da produção eletrônica atual — M.I.A e seu fiel escudeiro Diplo, só pra citar dois. E nem mencionei o tecnomelody, o brega e tantas outras manifestações. De um jeito ou de outro, não tem como não perceber que ainda tem gente com fome, mas agora, também servindo os pratos.

Favela on Blast_Out everywhere in July. from Leandro HBL on Vimeo.

Música, Tecnologia

Alto-falantes para dois ouvidos

Como um monte de inventos atuais, os fones de ouvido começaram numa das centenas de tentativas de Tomas Edison com eletricidade. O alto-falante já chegou a ser um trambolhão de ferro, mas foi miniaturizado até os minúsculos modelos que conhecemos hoje. Existem até tipos maiores, o extra-auriculares, com qualidade mais fiel na transmissão de som e uns tão baratos quanto um CD pirata. Tem pra todos os gostos. Mas por que raios tem gente que insiste em ouvir sua música em alto volume publicamente?

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