Cloclo, o Simonal da França

Claude François tem o nariz parecido com o nariz do Simonal. Olha bem a foto acima.

No mais, esse cara (à primeira vista, tipo um Gugu com Roberto Leal) tem outras semelhanças com o saudoso compositor de “Homenagem a Martin Luther King”. Por essas e outras é que vale a pena conhecer o senhor Cloclo, que acabou de ganhar uma filmobiografia.

A começar pela origem. Seu Claude François nasceu no Egito, filho de pai francês e mãe italiana. Se não ostentava a pele negra, como o Simona, carregava a mesma origem humilde — o conflito pelo canal de Suez foi a bancarrota da família até então rica; por conta da crise, também, foi que Claude mudou-se para território francês.

Cantor de primeira, Claude François começou jovem na música. E, também como Simona, Cloclo tinha como ídolos os crooners, cantores acompanhados geralmente por grandes bandas ou orquestras. Aí a escola dos palcos ensinou rapidinho a cada um as manhas das divisões, arranjos, e os truques com a plateia.

Já famoso, Claude François se tornou um dos maiores ídolos da música pop francesa, rivalizando mesmo com Serge Gainsbourg. Um mais popular, dançante e canastrão. Outro, mais noir, psicodélico e conceitual. Tal qual Simonal e Roberto Carlos que, se não fazia o lado intelectual, era o bom moço.

Outra: Claude François logo sacou que podia tirar mais dinheiro da sua obra se ele mesmo a explorasse e, após chegar a um bom patamar com a Phillips, logo criou sua própria produtora — e administrava até uma revista jovem de muito sucesso, a Podium. Enquanto isso, Simonal também abria sua própria gravadora, lançava o boneco Mug e era contratado da Shell, recebendo uma bolada danada da petrolífera e uma das maiores já vistas no mercado fonográfico brasileiro.

Nem Cloclo nem Simona se envolveram com política. O negócio deles era cantar.

O negócio deles também era mulheres e carros. Dois bon vivants sabidos e de temperamento particular.

Eles também foram responsáveis por marcas sensíveis nas músicas de seus países. Nos trópicos, Simona machucou os corações e adicionou mais balanço e suíngue à música jovem — até então, embalada pelo iê-iê-iê. Nos temperados, Claude François foi um dos primeiros a perceber a pegada do disco novaiorquino e logo adicionou o groove e a batida a seu som.

Infelizmente, os dois tiveram fim prematuro. Claude François teve morte trágico aos 39 anos e Simonal, se não morreu aos 40, caiu no ostracismo, depressão e alcoolismo por conta do imbróglio com seu contador e o DOPS. Hoje, sabe-se que isso não passa de uma grande injustiça.

A história do Simonal você pode conferir na biografia dele, escrita pelo Ricardo Alexandre — e com a qual eu contribui um pouquinho. Não por isso: o livro é coisa fina e conta letra por letra a história até então mais mal contada da música brasileira.

A história do Claude François você pode conhecer na ótima homenagem cinematográfica. Enquanto ela não chega por aí, só mais duas curiosidades:

My Way, uma das canções mais belas e mais conhecidas do mundo, não é do Frank Sinatra, mas sim de Claude François. Um daqueles raros momentos em que o papel de ídolo e fã se inverte.

Mais uma do par Cloclo-Simona: o francês também gostava do Rio de Janeiro.

Você vai dizer que a dancinha e o estilo não tem nada a ver com o Simonal, mas num outro post mais pra frente eu vou mostrar que essa musiquinha ainda pode tocar em alguma rádio brasileira em alguns meses.

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