De volta ao Brasil com Fernanda Cabral

Coisas que não são novidade: a desvalorização da música menos comercial no Brasil, a ausência de espaços e gravadoras que revertam essa situação e artistas que, por contam disso, fazem mais sucesso no exterior que no próprio país. A pauta recorrente apareceu esses dias no jornal A Gazeta. Em vez de procurar as respostas pro debate, fica o registro de uma moça que é mencionada na matéria: Fernanda Cabral, brasiliense radicada em Madrid.

Foram 14 anos em solo espanhol até a estreia do primeiro disco que conta mais uma saudade da terra deixada que uma exaltação da terra acolhedora. O título do álbum, Praieiro, em bom e velho português, está mais para Brasil que para Espanha. As faixas disponíveis no SoundCloud da cantora também revelam isso. São referências natais, de afrossamba a baião, relidas em arranjos e harmonias trabalhados.

Para não dizer que não falei das flores espanholas, há alguma ou outra entrada eletrônica, típica do país que nos deu o Sónar. Nada que acelere o ritmo de Fernanda. A calmaria do disco está até na faixa Silêncio que, além de efeitos sintéticos, traz contratempos violados. A voz da moça leva o barco sem pressa.

Para você que gosta de: Céu, Ceumar

Onde você poderia ouvir: em um pocket-show de alguma livraria.

Para quem acha que: a Espanha não gosta de brasileiros.

A música: Valentia, cujo piano lembra o piano de César Camargo Mariano na época do Sambalanço Trio.

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