Django Django: a brisa escocesa

Que Sarkozy não me escute, mas o bom da Europa é a ausência de fronteiras — ou quase. Por causa delas, um cigano belga chegou à Paris, conheceu o jazz e marcou a história da música com seu estilo próprio de tocar violão. Anos mais tarde, ele seria lembrado nem tão longe dali, na Escócia, como nome de uma banda: Django Django. O quarteto britânico faz referência à cultura nômade no seu nome e em todo seu álbum de estreia, lançado no começo de 2012 pela Because Music e viajante por si só.

Da primeira à última faixa, o disco dos escoceses se move por entre influências e rótulos. Se dá para achar uma essência ali, ela é, claro, a música cigana. Tremolos e bends nas cordas, chimbal e tamborins na percussão e palmas, muitas palmas. Está tudo ali no single, a faixa Wor. Mas ela mesmo está mais para surf music que para qualquer outra coisa.

Essa ideia menos enraizada e mais andarilha é que faz girar o Django Django. Na carreta vem não só o surf music, mas também rock, jazz e até acid house — eles dizem, então quem achar dá um toque. A caravana é movida a toque de sintetizadores e moduladores. Isso dá novas texturas aos instrumentos, às vozes e às letras.

Como a brisa é nova e o negócio é viajar a qualquer preço, a psicodelia também tem sua vez. Ela está ali, permeando o disco em efeitos bizarros e camadas sutis de samples. Basta ouvir. Eles vão da Escóssia ao Egito em doze faixas.

Para você que gosta de: The Drums, Chemical Brothers, Franz Ferdinand

Onde você poderia ouvir: numa propaganda da Coca-Cola.

Para quem acha que: Django é só o nome do maior e mais sanguinário herói do western spaghetti.

A música: a outra surfista do álbum, Life’s A Beach.

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