Do Harlem ao Belém Shake

Que seja a última vez que a coqueluche mundial apareça por aqui. Senão, será por um motivo merecido, tipo o novo clipe da Gang do Eletro. Keila Gentil, William Love, Waldo Squash e Marcos Maderito (aka Garoto Alucinado) tremem em “Velocidade do Eletro” quase como os verdadeiros b-boys do Harlem Shake.

O grupo não é o criador de nenhum dos dois passos. Tampouco são um dos poucos representantes dos remelexos. Também como o Harlem Shake para o Harlem, o treme é outra brincadeira séria de Belém. A coreografia é expressão legítima dos jovens que frequentam as festas de aparelhagem, já menos exóticas para o resto do Brasil.

Embalado pelo eletroantropofágico tecnomelody, o treme absorve tudo aquilo que o grão-Pará deixa caber. A mistura tem trejeitos femininos do Passinho, o breakdance do Hip Hop e o frenesi jungle beat de poucos bits e muitas batidas por segundo. Tudo sob a roupa kitsch retroiluminada por LEDs do brega (ou do Daft Punk?).

Essa tonelada de pantones e luzes não está no clipe da Gang do Eletro. Opção estética que deve ter partido dos diretores Bruno Regis e Carolina Mattos, que também assinam o clipe de Felipe Cordeiro. A falta do excesso combina com a Gang do Eletro em vésperas de embarcar para Austin, Texas, onde se apresentarão no SXSW — gigantesco festival de música que reúne artistas de todo o mundo.

A faixa, na versão que estará no primeiro disco do grupo, engordou os efeitos de MIDI sobre uma percurssão mais orgânica. O pacote não é a regra da produção cultural eletrificada paraense, mas entrega um presente aos ouvidos desacostumados — de gringos norte-americanos e brasileiros.

Há pouco mais de um ano Gaby Amarantos fez isso em seu primeiro disco — que já cantava a bola do treme. Deu muito certo.

Então aprenda a fazer o Belém Shake, internet.

PS: Pequena edição pois a Carolina Mattos também é diretora do clipe.

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