Documentário: Last Shop Standing

O Soho é um bairro londrino famoso. Por ali estão megastores de marcas célebres, brechós de porão, baladas de música eletrônica, boates gays e, principalmente, lojas de disco. Estavam. As lojas de disco do Soho vêm fechando nas últimas décadas — como mostra a imagem acima. A decadência dos vinis no bairro é parte de uma assustadora crise que tomou conta do tradicional mercado musical britânico, que fez minguar quase 300 lojas em um cenário dominado, nos anos 80, por mais de duas mil.

Esse é o argumento do documentário Last Shop Standing, lançado mês passado na Inglaterra. Baseado no livro de mesmo nome, o filme de 50 minutos tenta dar luz aos motivos que varreram das ruas aqueles saguões quadrados cheios de bolachas, fones, toca-discos e, claro, gente.

Entre colecionadores extravagantes, ouvintes perdidos e músicos sedentos, os protagonistas da fita são mesmo os donos das lojas. Os caras que conseguem achar o Bad Brains entre as diferenças musicais e alfabéticas do Addicteds e do Circle Jerks. Eles também sabem que o CD é o maior culpado pela derrocada do vinil, mas o documentário se propõe a responder por que isso aconteceu. Será que a portabilidade do Compact Disc suplantaria a grandiosidade do LP se não houvesse interesses econômicos envolvidos?

Para além do leite derramado, o documentário também cuida de falar sobre as lojas que resistem nesse mato sem cachorro — que, sem tanta ferocidade, dá sinais de volta. O nicho do vinil existe e parece aumentar. Lugares como a Sister Ray, parte do filme, continuam a criar vínculos entre pessoas e música num mesmo espaço compartilhado. É tipo um Facebook, mas de verdade.

A propósito, foi na nessa loja do Soho que consegui uma grande pérola da minha modesta coleção: o disco “Last Gang in Town”, edição não-oficial com tiragem limitada de 500 cópias e repleta de lados B e bootlegs do Clash.

Achar algo assim no Google nunca será comparável a achar algo assim em uma loja de discos.

PS: Outras boas lojas de discos que ainda sobrevivem no Soho são a Phonica Records, para eletrônica, a Reckless Records, bem variada, a Sounds of Universe, com muita coisa de fora da ilha, e a On the Beat, com preços camaradas.

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