Hoje: Feist e a turnê “Metals”

Então chegou a hora da estreia da Feist em solo brasileiro. O show da canadense vem com a turnê do álbum mais recente, “Metals”. Lançado em 2011, o disco não é aquele que a colocou na agenda dos fãs de indie por aqui. Ou dos fãs de pop. A artista que toca hoje e amanhã em São Paulo e, na quarta, no Rio de Janeiro, tem uma trajetoria que vai de temas singelos e contidos em Monarch (1999) a artimanhas pegajosas em Reminder (2007). A continuação da história faz parte do caminho de volta de Leslie Feist.

O Rizzomado esteve num show dessa turnê e dá algumas pistas de como será a apresentação:

Quando “1234” virou trilha de um comercial do iPod, em 2007, a cantora Leslie Feist sentiu indiretamente o poder da publicidade. As vendas do disco “The Reminder” decolaram, ela virou personagem de programa infantil e, para completar o círculo, o clipe da música virou inspiração para outra propaganda. O preço disso tudo foi uma mudança da prateleira do indie para a prateleira do pop. Desde então foram-se quatro anos de intervalo até o lançamento de outro disco e a volta aos palcos em nova turnê. Agora sem o hit e sem precisar de uma prateleira permanente.

A Feist de hoje se dá a esse luxo pois está segura do que faz. Aos 37 anos e há mais de uma década na estrada, a canadense não é mais uma garota indie ou uma estrela pop. Feist é uma artista que achou um caminho empunhando um mero violão com detalhe em rosa ou uma poderosa guitarra Guild Starfire. O trajeto é de personalidade e, há de se convir, tem uma ajuda da poderosa voz da moça. Potente sem ser grande, singela sem ser simples.

No palco, ela dá provas disso até sem microfone. Em “Graveyard”, Feist puxa o coro da contida platéia francesa no tete a tete. Em “Intuition” ela também o faz, e tenta até no idioma da terra. Embora o Transbordeur, em Lyon, seja uma sala grande, sua apresentação é aconchegante — mesmo quando a música é grandiosa, como “A Commotion”.

O valor aí está nos detalhes, como manda a etiqueta. A banda de Feist é composta por três multi-instrumentistas que se revezam entre percussão e instrumentos de corda. As três backing vocals são outra banda, a The Mountain Man, que utiliza apenas um microfone e muito cuidado nas vozes.

Eletrônico não entra aqui. Feist não se fascinou pela certeza dos pads e botões dos anos 2000 e prefere a incerteza de algum chocalho ou meia-lua. A sonoridade orgânica e acústica chega também a canções passadas, como “I Feel It All”. Se for necessária uma guitarra ela fica lo-fi, como em “The Bad in Each Other”.  A turnê — em frânces, tornar — nada mais é que o retorno feito por Feist no último álbum.

Em “Metals”, Feist volta ao interior do Canadá, ao país com uma das menores densidades demográficas do mundo, aos campos da música de raíz, à cidade pequena onde nasceu (que não tem nem 60 anos, como disse a cantora sobre o palco). Aí onde o silêncio é importante, Feist canta letras que contam tristezas e vontades. Sem pretensão alguma de virar outra trilha de comercial, a artista também voltou a si mesma.

O recado fica no palco. Até então, Feist não tocou o hit “1234” nesta turnê. Não é uma questão de estigma, como se fosse uma outra “Anna Júlia”. Trata-se de proposta: a canadense quer contar com os detalhes, com as coisas pequenas que dizem muito — como um acorde sujo, uma nota suspensa. São menos números.

fotos da Maiara Noda

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