Lisbon revisited, Lisboa remixada

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

A estrofe acima é do poema “Lisbon revisited“, de Álvaro de Campos, um dos heterônimos do poeta português Fernando Pessoa. O título do poema foi também título de uma exposição do fotógrafo Jorge Colombo que aconteceu em 2009, em Portugal. Como parte da exibição de imagens, o produtor Elvis Veiguinha foi chamado para criar ambientes sonoros e, como deveria ser, revisitou a capital portuguesa atrás dos seus sons.

Em fevereiro desse ano, no outro lado do Atlântico, os sons da Lisboa revisitada por Veiguinha foram recapturados por Marc Weidenbaum. O norte-americano, por sua vez, convidou alguns artistas a re-revisitarem Lisboa, remixando a criação (criação?) original da exposição fotográfica: o LX RMX.

Coincidência ou não, o nome do projeto tocado por Weidenbaum se chama Disquiet, cuja origem vem dos nossos caros portugueses: o idioma e o Pessoa. Inspirado na obra “O Livro do Desassossego”, o projeto é um guarda-chuva para outros que envolvam música eletrônica, cenários sonoros, sound design, som-arte, etc. Um deles, por exemplo, chamava artistas a criarem faixas a partir de fotos do Instagram.

Ainda que não seja o tipo de coisa que se ouça no seu iPod, vale a pena conhecer por conta das aproximações entre literatura e música. Quem fala é o próprio Weidenbaum.

“Heterônimos são uma forma de pseudônimos na música manipulada eletronicamente. Questões de identidade são frequentemente ampliadas e distorcidas por vários fatores: a semi-anonimidade existente em comunidades online, a fragmentação desenfreada na rotulação dos gêneros, as dificuldades em relação a questões autorais baseadas em tecnologias alheias, a prevalência em fazer samples e remixes.”

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