Niki & The Dove arrisca na estreia conceitual

Álbum conceitual e estreia não são uma dupla muito comum na música. O primeiro disco, no pop, tem de pegar ouvidos desatentos e novatos, ao passo que um disco autoral pode ser menos apelativo comercialmente que as faixas refeitas pelas mãos de um produtor. Que dirá, então, de fazer uma pre-estreia conceitual? Esse é o arriscado o passo do duo sueco Niki & The Dove.

Ainda que não vá a fundo na experimentação, o EP The Drummer não é de todo normal, mesmo para aquela região mais a norte do planeta que tem na Bjork seu expoente mais célebre. Da primeira à sétima faixa há uma ordem cronológica evidente, realçada pela diferença entre o proto-hit The Drummer e a paisagem sonora The Birth of the Sun.

A música que leva o nome do EP tem a voz de Malin Dahlström. A moça canta letras interessantes com timbre variando entre o orgânico e o eletrônico, aos moldes do que já fizeram outras moças dessa safra atual, caso da Likke Ly e da Dillon. O que garante o pop da faixa, no entanto, é a percussão. Ainda que sintética, ela tem uma boa pegada house.

Nas outras músicas, as batidas ganham sofisticação e variação sonora ao enquanto são entremeadas por efeitos e filtros. As diferenças entre as canções estão no valor dado por Gustaf Karlöf, a outra metade do duo. Ora são mais de melodia e ritmo, ora são mais de sound design e soundscape. O álbum, que terá apenas algumas músicas a mais que o EP, contará uma única história com muitos cenários.

Para você que gosta de: Bjork, Friendly Fires, Likke Ly, Little Boots

Onde você poderia ouvir: numa instalação em alguma exposição do FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica).

Para quem acha que: o nome Niki & The Dove tem alguma coisa a ver com a música When The Doves Cry, do Prince.

A música: o excelente remix do DJ californiano Goldroom para uma das canções do EP, The Mother Project.

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