O abecê musical de 2013 – Parte 1

Esse é o primeiro de uma série de cinco posts que olham, espetam e chutam um monte de coisas que pode chegar aos ouvidos no ano que começa. Tem de gente a movimentos, passando por estilos, bandas e até coisas pouco palpáveis. Mais ou menos, é tudo plausível.

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Afrobeat(s) Com e sem s, mas sempre plural, o Afrobeat é o vento africano sobre a música ocidental — com um empurrão dela, como rabo atrás do cachorro. Quando no singular, fala-se do movimento que reverbera aqui em bandas como Bixiga 70 e Abayomi Afrobeat Orquestra e começou com Fela Kuti na capital da Nigéria, Lagos. O documentarista Pedro Rajão está por lá capturando imagens pro filme Anikulapo, que tratará dessa vanguarda musical, política e social. Quando mais de um, o Afrobeats passa a ser guarda-chuva sobre dezenas de manifestações do ghettotech africano: o Hiplife na Nigéria, o Kuduro em Angola, o Lungu Lungu em Gana, o Coupé Decalé na Costa do Marfim, etc. Mais ou menos novos, esses ritmos vão chegando aos poucos às pistas em versões sui generis ou relidos.

O quê: Família Kuti e DJ Abrantee
Também: Ghettotech

Bondax Meninos dos olhos da última residência da Red Bull Music Academy, os dois do Bondax já vêm colhendo alguns ovos de ouro. Mal saíram da academia, Adam e George já tocaram uma turnê no mercado mais saturado pela música eletrônica atualmente, os Estados Unidos. A coragem deles vem do que fazem nas mesas de som: encaixes originais da estética londrina do grave/ambiance com envolventes vocais e melodias  norte-americanas. São corajosos também porque são muito moleques. Apenas 17 anos.

O quê: Baby I Got That

Também: Madeon

Chromatics (Johnny Jewel) 2012 já foi uma boa volta em torno do sol pro trio americano. Longe do hype, o Chromatics alcançou críticas favoráveis a seu 4º álbum. Kill for Love pisa firme sobre o synthpop melancólico, embebido na transição punk-new wave — nem por isso soa velho. Motivo justo para figurarem em tantas listas de melhores do ano. E motivo justo para acreditar que o mentor da banda, Johnny Jewel, será um cara aparecido em 2013.  Ele toca o projeto eletro-analógico Italians Do It Better, a banda Desire e já recebeu convites pra colaborar na produção do rapper Kid Cudi e da cantora Beyoncé. Ah, e ainda tem o Chromatics.

O quê: cover de Ceremony, do Joy Division

Também:  Warsaw

Distrito Federal Não sou de Brasília e minhas incursões na cidade pintaram um retrato monótono da capital: um único tom de cor, de curva e de humor. Do concreto branco e redondo do DF, contudo, pode brotar mais que carteiradas de filhos de militares e filhos de políticos. Falo de uma cena independente calcada em linhas sintéticas, arranjos fluidos e batidas sutis. Na cabine do avião os veteranos do Sexy Fi (outrora Nancy), com o Nunca Te Vi De Boa, lançado em outubro. A ironia do título dialoga com as mordazes letras referentes à cidade plano-planejada. Elas deitam sobre — e se enrolam com — o post-rock jazzístico e pop do grupo, de levadas melancólicas feitas para bailar. A atmosfera fragmentada e fluida tem refúgio também nos conterrâneos do Voxolder (na foto), bem mais eletrônicos que os parceiros. O EP com nome hipster — nome da banda – vogais + consoantes em caixa alta — dá espaço a um synthpop/dreampop interessante, ao qual não falta melodias insistentes e marcações eletrônicas.  Pra quebrar um pouco a morosidade, a banda Deltafoxx, cujas versões não deixam a dever queridinhos do eletro-indie mundial, como Gigamesh e Aeroplane.

O quê: Looking Asa Sul, Feeling Asa Norte

E também: First Move Mixtape 1

Escandinávia A invasão dos herdeiros vikings não é de agora, mas é de 2013 o ataque por vários flancos. Na eletrônica Todd Terje continuará a remixar o mundo, como ele mesmo diz, e Lindstrom colherá os frutos do álbum lançado no fim de 2012 — e já teve passagem pelo Brasil. Retornando à luta estão Bjork, que voltará a cantar ao vivo, o Sigur Rós com turnê agendada e o The Knife, também com shows marcados do álbum que terá lançamento em breve. Fecham a infataria os novatos Nikki and The Dove, que seguirá em turnê do disco de estreia, Frida Sundemo, com o EP de Indigo, e Of Monsters and Men (na foto), atrações do próximo Lollapalooza Brasil. Pra não dizer que não falei de desertores, o Swedish House Mafia anunciou aposentadoria e faltou um monte de acentos nos nomes supramencionados.

O quê: Set do Lindstrom em São Paulo

Também: Masquer

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