O abecê musical de 2013 – Parte 5

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Ume O primeiro disco da banda (lê-se, em inglês, ooo-may) foi lançado em 2009. Phantoms poderia ser mais visceral, poderia ser mais empostado, poderia ser mais pujante. À parte os devires, o álbum não consegue sair da obrigatória apresentação do trio texano. Além da letra U, o que o traz a essa lista, contudo, são os devires que tornam-se deveres caso o potencial seja liberado — e aí a história fica boa. O segundo disco da banda está previsto para março e pode ser a chance de Lauren Larson, vocalista e guitarrista, mostrar realmente a que veio. Se optar por riffs desenhados cuidadosemente sob o filtro do overdrive, a banda deixa de lado um certo tom Paramore e caminha para a experimentação, ainda que comedida, do Warpaint. A reboque, as linhas de baixo e bateria ganham mais notoriedade. É uma aposta de risco controlado. A propria Lauren afirmou que, entre as faixas do primeiro álbum, tem predileção pela viajandona Dancing Blind.  E o próximo LP da banda foi feito em parte por crowdfunding — nada mais indie e livre de amarras. Se nem isso conseguirem, a banda ainda será legal por comandar um projeto de rock para garotas.

O quê:  Captive, clipe de estreia do Ume

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Vinicius de Moraes O apelido era poetinha, mas a gente sabe que Vinícius de Moraes começou nos sonetos diplomáticos e, para não bancar o Rosa, desceu a ladeira com um 12 anos no braço e uma melodia na cabeça. A viola ele não carregava. Como só andava em boa companhia, a deixava para parceiros como Toquinho, junto de quem compôs parte fundamental do cenário musical brasileiro. Por essas e tantas são obrigatórias as homenagens ao fluminense no ano de seu centenário. Entre as confirmações, ele será mote de apresentações da OSESP na Sala São Paulo, ganhará exposição no Museu da Língua Portuguesa e também estará em tema de samba-enredo. Do erudito ao popular, como manda o figurino.

O quê: o álbum em parceria com Toquinho e Maria Creuza

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The Weeknd Sob a alcunha de The Weeknd, Abel Tesfaye fez um tríptico musical em forma de mixtapes que culminou no seu álbum de estreia ano passado. Elogiado pela crítica, “Trilogy” renova um espírito sutil do R’n’B de luxúria tensionada em atmosferas soturnas — um clima que ressurge com outros artistas.  O canadense de 22 anos fez algo que Marvin Gaye dominava com maestria, orquestrando sopros e cordas em arranjos eletrônicos somados a um falsete singular. Ao transitar entre raízes negras e pop mainstream, o cara arrisca batidas de um grime desacelerado e, por vezes, até um drone mais digerível. O que acontece agora é esperar o triunfo do rapaz, uma vez que seu primeiro disco apareceu no fim do ano. Parcerias, remixes, mashups e vídeos estarão por aí.

O quê: o clipe de Wicked Games

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X/Y Houve um tempo que a moda era bandas com nomes gigante, como o …And You Will Know Us By The Trail Of Dead, The Tony Danza Tapdance Extravaganza e Maylene and the Sons of Disaster. Depois foi a época das supressões de vogais, caso do SBTRKT, do MNDR e mais recentemente o TNGHT.  Em 2012 começaram a pipocar artistas com nomes incógnitos — e sons com força para 2013. Os mais famosos da lista são o The xx, que entram aqui por mera formalidade, já que são bem de antes. Depois do segundo álbum lançado, este ano provavelmente será de turnês e poucas novidades. A excessão deve ficar com Jamie xx, como já dito por aqui. Enquanto isso, o ar fresco partirá mesmo de caras como o jovem produtor xxyyxx. Outro rebento da era pós-Internet, Marcel Everett tem 17 anos e já surpreendeu muita gente com sua espécie de downtempo chillwave. Tal qual um James Blake de garagem (ou quarto), o jovem faz de seus álbuns estudos de batidas ruidosas e modulações vocais. Logo antes no alfabeto, o produtor xxxy também opera experimentos eletrônicos, só que voltados pra pistas. Há um tempo na estrada, Rupert Taylor vem de dois anos e dois bons EPs, o que leva a crer que em 2013 pelo menos o nível será mantido. Pra fechar a trinca, o rapper XV, que volta aos estúdios depois de um debut em 2006 e um monte de mixtapes. Ainda tem a Charli XCX, que já apareceu por aqui e, bem, o jogo só termina quando as combinações de letras e o talento acabarem.

O quê: o primeiro álbum do xxyyxx, completo para streaming

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Zuzuka Poderosa O superávit da balança comercial não vai tão bem, o dragão da inflação já fumega a alta dos preços e a economia criativa continua sendo a habilidade de se virar por aqui com apenas um salário mínimo. Apesar dos emboras, o Brasil é o país do futuro. Pra efeito de música, considere o futuro como sendo algo do ano passado, do próximo segundo ou dos próximos dias. Por frágeis que estejam, as estruturas de poder e economia da última década conseguem gerar artistas fora dos eixos costumazes, com bons panoramas para o que virá daqui pra frente. Feita a análise, coloque na cena a funkeira indonésia-brasileira Zuzuka Poderosa inserida em um dos centros mundiais da música independente hoje. Residente no Brooklyn nova-iorquino, a moça já é conhecida abaixo do Equador de outros tempos e talvez tenha agora a seu favor o vento que faltava. Além da visibilidade brasileira, Zuzuka ocupa a toada do ghettotech global apoiado sobre embaixadores como Diplo. Se o funk já não é grande novidade no mundo, a garota se apropriou do tamborzão para revesti-lo de variações rítmicas e sonoridades  periféricas da cultura de baixas frequências, como Moombathon, Cumbia Digital e Trap. A experiência já tem outros operadores, mas com Zuzuka sairá em forma de EP oficial com o pretensioso nome de gênero: Carioca Bass. Encarnada numa mestre de cerimônias frenética, a garota ainda lançará novo clipe para divulgar o material — provavelmente da música Psicodelia. Solta o pancadão, de novo, DJ.

O quê: a mixtape que apresenta o estilo, Carioca Bass Mixtape

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