O Bin Laden está no Brasil e agora é funkeiro

Bin Laden não morreu. Ele não tem barba grande, não usa turbante, nem é islâmico, mas ele tem um séquito fiel, bomba pra cacete por onde passa e fica muquifado em algum lugar de São Paulo. Eu colei no esconderijo desse Bin Laden e posso garantir: ele toca o terror e, em vez de sandália de pastor afegão, ele usa um chinelão de borracha — mas só quando acorda.

“Bin Laden Não Morreu” é o nome da música que transformou o MC Jeeh 2K em MC Bin Laden. Jefferson Cristian dos Santos de Lima tem 20 anos e nasceu na favela da Vila Progresso, Zona Leste de São Paulo, mas ele só fica em casa em dias de folga, quando tem tempo para a namorada ou para a Igreja. Talvez mais famoso entre os leitores do Noisey pelo “Passinho do Faraó”, ele canta funk proibidão há seis anos e nunca largou o evangelho.

“Posso abandonar tudo, mas não abandono Deus por nada”, disse ele durante a entrevista, pouco depois de acordar às 11h de uma sexta-feira. É a hora em que o galo e o pau cantam na KL Produtora, comandada pelo empresário do funkeiro, Emerson Martins. Sem muita cerimônia, ele desperta o bonde do MC depois de uma noite de dois shows e pouco sono.

“Acorda aí que chegou a imprensa!”, fala a chefia. Aos poucos, umas dez pessoas amontoadas em meia dúzia de beliches abrem os olhos sob a mistura densa de suor da correria passada, pó da parede rebocada e cheiro de cobertores jogados. Bin Laden esfrega a cara, senta na cama e me cumprimenta com simpatia, mas ele ainda precisa de um tempo pra se orientar.

Meia hora depois o funkeiro começa a explicar suas músicas com histórias de erva, sequestros e assaltos. “Eu queria cantar proibidão, mas um negócio teatral”, explica. Ele chama seu show de Baile do Afeganistão e seus dançarinos de Iraquianos. “O Bin Laden tinha várias pessoas que andavam com ele. Eles dois ficam assustando a galera”, diz.

Saddam e Salim chegam junto e se posicionam que nem leões de chácara persas ao lado do MC. De vez em quando eles falam um idioma inventado. É uma piada interna do naipe do cabelo e da sobrancelha do Bin Laden, mas esses viraram moda. Preto e branco no estilo Tony Country — vem de Town & Country, marca que usa o Ying Yang nas estampas. É o bem e o mal.

“Nóis é bom, mas não é bombom”, dá a letra o MC. Ainda assim, ele é bem generoso. Se você encostar num show com a cabeça meio-a-meio, talvez ganhe um presente do próprio Bin Laden. Pode ser um relógio ou um boné, ele diz, mas nada que vá te deixar chapado. O funkeiro canta sobre maconha e lança, mas não usa. “Só faço música na brisa dos outros”, conta.

O flow do funkeiro vai rápido na marcação dos cliques de revólver ou explosões de granada. À exceção de músicas como “Lança de Coco” (que parece uma versão dopada do finado “Harlem Shake”), a maioria de suas letras está entre “O Quinto Vigia”, do Ndee Naldinho, e “157 Boladão de AK47”, do MC Frank. Ele não faz ostentação. “Não tinha dinheiro e pensava: a ostentação está me influenciando a gastar o que eu não tenho. Resolvi cantar proibidão”.

Na conversa, Bin Laden lança a real: “O funk se chama favela”. Ele também fala sobre histórias de algumas músicas, apologia a drogas e de seu próximo atentado, marcado para 11 de setembro. Ninguém vai morrer, mas o cara quer parar o mundo com seu novo clipe. Se bobear, vai tocar fora do Brasil. “Só não vou pros Estados Unidos!”, diz ele, enquanto ri do nome.

Achei bem firmeza o clipe de “12 Calibre”. Você que teve a ideia?
MC Bin Laden: Foi. Eu tive a ideia, queria gravar um bagulho diferente. Nem falei com meu empresário. Falei com o menino que faz os vídeos e ele falou que essa ideia era muito louca. Aí fui filmando. Fui dando o peão, fui fazendo naturalmente. Comprei o Carlton, o vinho e foi natural porque não tem mais isso no funk. Acho que as coisas ficaram muito superficiais.

De um tempo pra cá tem muito clipe parecido, do KondZilla, do Tom Produções. Esse clipe é diferente dos clipes de ostentação.
O meu som é puxado mais pela origem do funk. A origem do funk não é ostentação, a origem vem de muito tempo atrás. O funk foi se aprimorando, se revolucionando, e eu não tenho nada contra o funk ostentação, mas pra favela o ostentação é muito pesado. O cara que sai pra trabalhar hoje consegue tirar um salário de R$ 800, R$ 1.000. Pro cara ostentar na balada é muito difícil. Se ele ostenta hoje, amanhã ele já não tem dinheiro, não tem condições de comprar um alimento pra goma dele, não pode comprar uma roupa e às vezes não tem dinheiro nem pra ir no cinema com a namorada porque ostentou no camarote da balada, gastou tudo. Eu sempre fui favelado, não tinha dinheiro e pensava: a ostentação está me influenciando a gastar o que eu não tenho. Eu tive umas ideias e resolvi cantar proibidão. Já cantava há anos e eu não queria parar. Quando eu vim na produtora eu falei que não queria cantar apologia, queria cantar proibidão, um negócio teatral. Que fosse o Bin Laden, mas com seus bonecos no palco, tendo uma história. O show mesmo é entretenimento. Muita gente fala que nas músicas eu falo de maconha, lança, mas eu não estou influenciando o povo a usar. É uma forma de se expressar sobre o que acontece hoje. Na televisão eles mostram um pouco da verdade nas novelas, mas escondem muito. Se eu estou fazendo errado, a TV também está.

Você fala mais de lança, de ganja…
De brisa, de dança. Eu não falo que isso é algo cultural porque se eu disser isso a sociedade não vai aceitar, mas é a verdade, mano. Se você for em todos os fluxos de São Paulo, Brasil afora, os caras vendem lança dessa forma. “Olha o laaança.” Essa parte da música surgiu porque eu colei em São Mateus e tinha um moleque vendendo assim: “olha o lança, quem não bafora não transa”. Achei da hora e pus na música. Virou uma brincadeira também. “Ô, pai! Não tô gripado!/Me dá lança perfume que deixa com pé gelado.” Foi algo mais pra ser brincadeira, mas o povo tem uma ideologia diferente. “Olha o MC querendo influenciar.” Hoje, criança de 11 anos já cresce sabendo o que é droga. Não é a gente que influencia. Eu tenho um irmão de 11 anos e eu falo de drogas pra ele desde os 8, desde os 9. A educação é diferente.

E suas outras músicas. Tem uma com o Kadaffi. Ele é angolano?
Ele é da Angola, sim. Mas a gente ainda não trabalhou essa música, a gente ainda não divulgou. A intenção não é divulgá-la ainda. Ela vai vir como se fosse uma surpresa pro funk. Ele aparecendo e mandando o rap terrorista! A voz do cara é da hora, tio.

Quantas músicas você tem lançadas?
Ao todo acho que 57 músicas. No CD tem 18 músicas, mas como lanço música toda a semana eu tenho na internet umas 20 músicas. Lancei tudo em um ano.

E como você faz as músicas?
No dia a dia mesmo. Estou aqui, surge uma ideia, gravo um áudio e depois começa. Às vezes eu nem escrevo no papel. Gravei a “Bololo Haha” e nunca botei ela no papel. “Lança de Coco” eu nunca escrevi e a “12 Calibre” também não. Escrevi as mais difíceis. “Bin Laden Não Morreu”, “Sequestro da Filha do Coreano”, “Senhor das Armas”, “Madame do Crime”. Essas eu passei pro papel, fiz rima com rima. Eu já sou meio doidão, faço rima de cabeça. Eu fico matutando. O povo acha que eu sou louco e eu só estou aqui pensando. Aí eu chego do nada e falo: “Aí, rapaziada, se liga nessa música”. Tatatatá, vou cantando. E os caras falam: “De onde veio isso?”. Jesus me deu o dom.

E suas músicas giram tudo em torno desse lance de aventura, crime.
Eu não gosto de exaltar o crime porque eu não quero que meu irmão seja influenciado a ser criminoso. Quero que o povo ouça a verdade. Eu sei que se eu falar a verdade, o que rola nos fluxos, eu vou falar pelo Bin Laden. É um personagem. Faço músicas teatrais. Tem uma música que é muito rápida. [Canta “Bin Laden Não Morreu”].

É meio rap essa aí. Você curte?
Curto bastante os Racionais MCs. Hoje eu não tenho tempo pra escutar. Gostava de Ao Cubo também, porque sou evangélico. É difícil falar, mas antes de entrar no funk eu já era evangélico. Cantar a verdade é o que acontece nas ruas. Não canto apologia porque não quero conflito, só quero fazer meu trabalho, ajudar minha família e fazer meu ganha pão. Não quero conflito com ninguém do crime, da política, da rapaziada que anda fardada e faz seu trabalho na rua. Muita gente fala “pô, proibidão!”, mas é um proibidão muito diferente. Saiu no G1 que eu era MC de ostentação, mas não sou. Se eu for cantar ostentação eu vou pra classe A, começo a cantar pra aparecer na televisão, pra ir pra fora do país. Aí mudo até o gênero musical. Vou pra um forró, alguma coisa assim, porque o funk não é isso. Funk pra mim é o que eu canto, que foi cantado muito tempo atrás. Todo mundo esqueceu de cantar isso por causa da televisão.

O que é o funk então?
O funk, na minha opinião, são aqueles moleques que estão na favela jogando bola, alegres, cantando, se divertindo. Não se iludindo pelas mentiras. Como uma criança de favela vai crescer achando que vai ter uma Ferrari? Pô, como o cara vai trabalhar pra ter uma Ferrari? O cara não vai trabalhar pra sustentar a casa, pra ser um pai de família. O funk se chama favela. Várias classes altas conhecem nossa música. O tratamento é igual se você tem ou não tem dinheiro. Todo mundo é igual. E muita gente fala que tem playboy que quer ser igual a favelado. Pra mim, o funk está dentro da favela e não tem outra coisa a se declarar.

E quando você entrou no funk?
Há uns 6 anos, na favela da Vila Progresso. Eu estava lá fazendo umas rimas e o DJ de lá falou pra eu virar MC. Eu cantava debaixo do chuveiro, ficava cantando, teve uma vez que passei uns 40 minutos no banheiro, esqueci até de passar sabonete. Só fiquei cantando. Meu pai chegou falando um monte. E eu tinha outro nome. Era MC Jeeh JK meu nome. Era a mesma coisa. Mas aí eu conheci a KL Produtora e a gente começou a fazer um trabalho diferente. Em menos de um ano aconteceu o que está acontecendo. Acho que ainda não explodi. Sou conhecido e vou lançar três videoclipes até o fim do ano. Mas teve uma época que eu dei uma parada com o funk porque não estava dando muito certo, aí comecei a frequentar muito a igreja evangélica. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida.

Quando isso?
Tem dois anos. Eu sempre ouvia muito o evangelho, gostava de ouvir as pessoas falarem, gostava do nome Jesus Cristo. Eu comecei a ir no culto, conhecer mais, praticar, comecei a buscar. Quando conheci isso, minha vida estava de cabeça pra baixo e Jesus Cristo deu uma retomada. Ele viu aquilo que eu estava vivendo e deu uma reviravolta. Aconteceram problemas de amizade, falavam de mim coisas que não eram verdade, estava com problema no meu namoro, aconteceu coisa com a minha família e Jesus começou a me abençoar. Posso abandonar tudo, mas não abandono Deus por nada. Muito MC hoje tem o sonho de estourar. Fico pensando: e se ele estourar? No começo ele vai ajudar a família, comprar roupa, mas e depois? Ontem fui fazer um show e um MC falou: “Pô, dá valor a sua carreira. Você não é MC de três meses, você só tem música diferente”. Eu poderia ser assim por causa das drogas, mulheres, bebidas. Se eu chegar na balada, tem muita menina que vai querer ficar comigo não pelo que eu sou, mas pelo status e pelo nome. Antes de me conhecer mesmo. Tô firmão. A mina vai falar que é mó gostosa?! Pode ser Juju Salimeni, Sabrina Sato, quem for, eu tô pouco me importando. Foi ela quem andou comigo a pé? Foi ela quem passou fome comigo?

Você tem namorada?
Tenho. Dou o maior valor a ela. Vou pro terceiro ano. Ela me apoia, tem ciúmes, mas eu sei separar muito. Eu dou muito valor a meus fãs. Pode estar quem estiver aqui com a gente, mas se estiverem três fãs meus eu vou dar atenção a eles. Tem que ir pra outro show e tem fã pra tirar foto eu abro a janela, pulo do carro. A pessoa saiu da casa dela, gastou dinheiro pra me ver, gastou tempo, está lá cansada e não vai conseguir foto? Eu sempre fui fã do MC Tikão e um dia ele tocou em Osasco numa matinê. Eu saí do baile às 23h30. Pedi a Deus pra segurar o último trem e a última perua pra eu chegar em casa. E pra chegar? Eu não tinha o dinheiro da condução. Foi na boca e na conversa. Hoje eu dou muito valor. Tem fã que pinta o cabelo, faz a sobrancelha igual a minha. Até assusta!

Já viu alguém com tatuagem com seu nome ou algo assim?
Eu não gosto muito que façam tatuagem com meu nome porque eu sou muito evangélico e não quero fazer tatuagem. Prefiro que pintem o cabelo, façam uma meia preta e branca, pinte a sobrancelha, dê um estilo diferente. Até gosto de ver tatuagem no corpo dos outros. Em mim mesmo eu não gosto. Muita gente fala que eu tenho que ter tatuagem, que tenho que ser um MC com tatuagem. Não tem que ter nada, tem que cantar.

Você que lançou o estilo Tony Country e a sobrancelha?
Eu que lancei.

[Nessa hora, os dançarinos dele chegam na sala. Um deles fala uma única frase em português antes de assumir o personagem.]

Saddam: Nóis toca o terror no baile!

MC Bin Laden: Eles estão desarmados, mas no baile é com fuzil. Quando a gente lançou o Tony Country muita gente desacreditou, dava risada. “Esse moleque é doidão, tio! Tem coragem de andar na rua assim?” Tenho! Essa é minha marca. Todo mundo vai fazer igual. Até aqui mesmo na produtora falaram. “Venhamos e convenhamos, Bin Laden. Acha que o povo vai querer fazer igual você?” No outro dia meu empresário pintou porque ele acreditou nisso. Ele chegou numa produtora, na Maximo, e os caras falaram que ele estava loucão. Daí ele falou: “Você vai ver meu artista! Todo mundo vai pintar o cabelo que nem ele!”. Eu dou um presente pra todo mundo que tem o cabelo pintado no meu baile. Se eu estou de boné, dou o boné, se estou de relógio, dou o relógio. Nem faço pra ganhar mídia, eu faço para parabenizar meu fã.

E você nasceu onde?
Nasci em SP, sempre morei na Vila Progresso. Depois fui morar na Celso Garcia, num antigo mutirão que tem até hoje lá, e como minha mãe não tinha condições de me criar financeiramente, eu voltei pra Vila Progresso.

Você vai gravar um DVD nessa semana?
Dia 15 de agosto. Vai ser a primeira gravação. Tudo nosso é diferente. Posso adiantar que vai ser gravada uma parte do DVD. Ele vai ser gravado em Sorocaba, na capital, onde tiver fã do Bin Laden. Depois vamos juntar todas as partes. Quero que todo mundo participe do meu DVD, assim como quero meus fãs no meu videoclipe. Eu convido meus fãs. Encosta que vai ter videoclipe. Quero que eles participem. Vou gravar o “Lança de Coco 2”, depois “Bololo Haha” e “Bin Laden Não Morreu”, que vai ser uma mega produção. Vou lançar no dia 11 de setembro. Se prepara que o negócio vai ser… Nossa intenção não é nem parar São Paulo ou o Brasil. É parar o mundo!

E de onde vem essa história de Bin Laden?
Eu tinha essa música do Bin Laden, “Bin Laden Não Morreu”, há mó cota. Resolvi fazer porque não tinha esse vilão. E o funk proibidão é marcado pelos vilões. Tinha o Coringa, o Charada, na minha quebrada tinha o Pinguim. Mas eles não deram continuidade no trabalho. O único que está aí até hoje é o Coringa, que é o Cauã.

Aí você fez a música e mudou o nome?
Eu era MC Jeeh JK, e meu show era sempre pra cima, agitadão. Aí meu empresário falou pra eu mudar de nome. Topei, aceitei a proposta de trabalho deles e mudei o nome. E funcionou.

E Os Iraquianos?
Tem Os Iraquianos e quero que tenha uma menina, a Iraquiana. Eles dois ficam assustando, encenando. O Bin Laden mesmo tinha pessoas que andavam com ele. Muita gente falava que eu tinha que ter também. Aí vieram os bonecos do “Lança de Coco”. Eles viraram os dançarinos, mas aí a gente pensou em fazer o Baile do Afeganistão com os dançarinos do Bin Laden e os dançarinos do Lança de Coco. Aí esses dois aqui viraram os oficiais. Eles estão sofrendo comigo, batalhando comigo.

[Bin Laden fala alguma coisa em um árabe inventado com os dançarinos. Eles respondem e os três racham o bico.]

A gente é muito unido. O Bin Laden não é só o MC, tá ligado? Tem o meu produtor, tem o meu DJ, tem os dançarinos do “Lança de Coco”, tem muita gente. A gente dorme junto aqui na produtora, a gente ensaia, come, bebe, joga videogame junto. Se eu fumasse, fumava junto com eles. A gente é uma família. Somos 15. O Bin Laden não é só eu. Eu não gosto de ganhar pontos sozinho. Todo mundo faz um trabalho para eu chegar no palco. E eu gosto de trabalhar a imagem deles também. Se eu não trabalhar a imagem deles pode parecer que amanhã eu vou pegar outro dançarino, mas não é isso.

Você não fuma mesmo?
Não. Só faço música na brisa dos outros.

E pra fechar, como tem sido a rotina de shows?
Eu estou abençoado. Tenho feito três shows por noite, na média. Vim do Mato Grosso do Sul ontem e vou pra BH dia 22 desse mês. Se eu for pra fora, só não vou pros Estados Unidos, né!?


Matéria originalmente publicada em setembro de 2014 no Noisey. Fotos por Anna Mascarenhas.

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