O DNA compartilhado entre Daft Punk e Phoenix

Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter são dois robôs. Feitos na França, país com pouca tradição na área, eles ainda são os robôs mais famosos na Terra — a Curiosity está em Marte. Sob o título Daft Punk o duo elevou o house e o eletro a uma outra pista. Por sobre a cultura underground da música eletrônica nos anos 90, faixas como “Robot Rock” e “Discovery” criaram um universo novo que fez conversar clubes e rádios. De um lado a outro, lá foram eles movidos a riffs de hard rock, baterias da disco music, repetições e oscilações sutis e solos progressivos. Não bastasse a criação retro-futurista de um robô, o projeto neogaulês ainda tinha uma identidade visual e sonora que revestia tudo que por eles era tocado. Ponha no checklist o filme Interstella 5555, parcerias como a indefectível “Music Sounds Better With You” e tecnovanguardismos como o “Daft Club” (um site com conteúdo exclusivo para quem comprasse o CD Discovery, de 2001). Tudo sob o tempo “four-on-the-floor”.

E essa é a história conhecida.

O fato mais obscuro na origem da dupla é o que veio antes do acidente em estúdio no dia 9 de setembro de 1999, segundo os benditos-cujos, o seu particular Chernobil na mutação robótica. Nos idos de 1987, quando seres biônicos ainda eram distantes, nascia a banda Darlin’.

Com nome em homenagem a uma canção dos Beach Boys, o grupo era formado por Homem-Christo, Bangaltar e Laurent Brancowitz. Hoje em dia, esse terceiro elemento é mais conhecido como guitarrista do Phoenix. E agora, caro Watson, faz todo o sentido uma certa promiscuidade entre as bandas, não? Especialmente essa sobre o palco.

Curioso é observar o quanto das bandas estavam embrionadas no projeto malfadado (ainda bem) do fim dos anos 80. Na primeira gravação do Darlin’, de 1992,  as guitarras em overdrive ainda dizem mais ao shoegaze que ao setentismo pra bailar dos três, mas a semente roqueira já está plantada.

A postura agressiva perde vez para uma cadência maior no outro registro conhecido da banda. De volta para o passado, a compilação “La viande pour le disco”, de 1995, é um telescópio. O resquício garageiro na primeira faixa seria a tônica de Laurent no Phoenix, enquanto a marcação nu-disco seria o abre-alas do Daft Punk. Em comum, as guitarras duelando com acordes ou solando indefinidamente.

Esse barulho sujo motivou um crítico inglês a chamar o som do Darlin’, à época, de “punk bobo”. Ou Daft Punk, a banda techno que não tem demo e, mais, não quer falar com ninguém, segundo a carta logo ali em cima.

[ssba]

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