O garageiro e skatista Hanni El Khatib

Ano passado, o Guardian comparou o músico Hanni El Khatib a Joe Strummer. Segundo o jornal, o americano filho de imigrantes seria uma versão mais punk do vocalista do Clash. Eu acho que dá para ir além. Entre a banda e o novo nome há uma garagem. É daí que saiu a música Garageland (uma resposta dos britâncios a críticas da época) e é daí que sai o som sujo e lo-fi de Khatib.

Apesar do nome palestino, a música do cara nasce no cenário urbano e ocidental da Califórnia. Khatib foi criado no skate do Golden State e, numa conversa por email, ele não escondeu a influência que o carrinho exerce no seu primeiro álbum, “Will The Guns Come Out”. “Mais do que o próprio skate, sua cultura me expôs a arte, música e fotografia”, disse ele, na ocasião, às vésperas do festival Les InRocks Black XS, em Paris.

No palco, o cara acaba com essa história de que o punk não morreu. Aliás, ele acaba com a história de que o punk não morreu, apenas dorme mais cedo. Se o álbum dele têm fôlego do início ao fim, o show não é diferente. Khatib revigora os três acordes em faixas como “Build. Rebuild. Destroy”. Quando não isso, esquece todo o cuidado de clássicos como Human Fly, do Cramps, ou Heartbreak Hotel, do Elvis Presley.

Munido de suas pedaleiras, de dois microfones — um deles especialmente chiado — e acompanhado do baterista Nicky Andre, Khatib faz barulho. E pretende manter a linha. “Eu só quero continuar a fazer minha música e meus shows. Eu não quero mudar”, diz. Nada mais punk e paradoxal que mandar os rótulos às favas.

Para você que gosta de: Black Keys, The Cramps, The White Stripes

Onde você poderia ouvir: no fone de ouvido do Tommy Guerrero.

Para quem acha que: lo-fi é só folk — Khatib gravou seu primeiro álbum todo em casa.

A música: I Got A Thing, trilha de uma propaganda da Nike.

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