O que esperar do Foster the People no Lollapalooza Brasil

O Foster the People foi a banda de 2011 no circuito indie. Novidade para ninguém. Um barômetro (aquele instrumento que mede a pressão) disso é ver quantas propagandas surgiram no ano passado com músicas dos caras como trilha sonora. Sair da velocidade do YouTube e chegar à modorra da TV é sinal de que alguma coisa tem. Outra evidência é a lista cheia de países da turnê em pouco mais de um ano de banda. Em outubro passado foi a vez da França, em Paris, como parte do festival Les InRocks Black XS. Eu assisti a esse show e dá para tirar algumas conclusões do que são os caras no palco.

Antes é preciso dizer que eles têm seus méritos no hype. O disco “Torches” tem seu valor. Além das músicas, dois fatores da gravação permitem afirmar isso. O grupo  fez o álbum sem muita certeza do que ia sair, na onda das experimentações e influências que vão do hip hop ao eletrônico. Outra coisa curiosa é o número de produtores da ficha técnica: quatro.  Isso tudo eles falam em entrevistas que vêm dando por aí porque sabem que é algo importante para a obra. Graças à mistura de referências e ainda com a mistura de produtores eles fizeram uma estreia consistente, que vai além de uma única faixa e tem registro e assinatura.

No palco, a gente vê e ouve o que só ouve no primeiro disco. Juntos, eles são empolgados e funcionam bem. Cada um sabe onde entrar e como executar seu instrumento — ou maquininha, seja um sintetizador, o MacBook com samples ou o teclado. Esse sim um dos trunfos deles. O hit “Pumped Up Kicks” foi lançado muito antes de “Torches” e antes de outra banda norteamericana estourar, o MGMT. Se as texturas eletrônicas estão nos dois grupos, a diferença é justamente as linhas crescentes de Mark Foster. Ora na cozinha, ora no ataque, elas preenchem o espaço no som da turma e são o meio do caminho entre as cordas e os botões dos pads.

Enquanto tocam, e isso você pode ver no YouTube, nenhum deles parece se cansar. Os caras vibram pra valer com o som que fazem e querem que a plateia entrem na mesma onda. Não fosse por isso, não cantariam em uníssono em tantas músicas. Recurso batido desde o Arcade Fire, mas que ainda envolve qualquer um que escuta. Além do hit, a faixa Houdini também tem o coral ao vivo, inclusive do baterista Mark Pontius. O destaque pra ele vem na faixa seguinte do álbum — e talvez terceira do show .  Mark Pontius não varia muito no disco inteiro, mas no palco ele mostra que tem pegada nas baquetas, em especial nessa música, matando os tons e o surdo.

O show não vai além do primeiro álbum dos caras. Pode parecer óbvio, mas depois de quase um ano de lançamento, algumas bandas estariam tocando e variando as músicas novas ao vivo. O recado é que não se pode esperar mais que a proposta do grupo. E não há mau nisso: eles não decepcionam mesmo sem tirar nem por. Em São Paulo eles ainda terão uma vantagem em relação ao show de Paris. Na capital da França eles tocaram no La Cigale, casa de show que não comporta o público de um festival como o Lollapalooza. No próximo domingo eles farão um show para muito mais gente num espaço aberto, o que realmente ajuda em se tratando do som deles.  Se não fazem maravilhas, fazem com destreza aquilo que se propõem: um som empolgante o carimbo Foster The People.

E aposto que a cereja do bolo será o bis de “Pumped Up Kicks”, uma piração que vai do dubstep ao eletro ao vivo e fará do chão uma pista de dança.

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