O que esperar do show do The xx?

Por volta de junho de 2012, o The xx saía do covil em que gravava o seu aguardado segundo álbum. Desde a estreia em 2008, o trio mantinha a discrição da sua música no processo de continuação da obra. Consolidar a frágil, concisa e pontual arquitetura sonora que os fez atravessar a barreira dos blogs não seria fácil. A partir do primeiro álbum seria preciso encaminhar a elevada carga autoral, embora pouco experimental, por sobre batidas eletrônicas que, por natureza digital, comovem muito mais quando tocam o corpo que quando o convidam a pensar.

Àquela altura esse trajeto já fora terminado. O retorno à luz — ainda que artificial porque, como manda o figurino, tem de ser à noite — foi como headliner do San Miguel Primavera Barcelona.

Estive no show que marcava o início da transição da turnê de xx para Coexist. Como disse Oliver Sim à época: “Esse é o nosso primeiro festival em dois anos”.


(Ninguém sabe cantar Fiction, single de Coexist)

Passado pouco mais de um ano desde então, certamente algo mudou sobre o palco. É de se esperar, contudo, que essa outra estreia — a da banda no Brasil — tenha muitos toques daquele retorno em junho de 2012. No Rio de Janeiro parece que foi assim.

O show de pouco mais de uma hora abre com a oitentista Islands. Terceira faixa do único álbum, a canção se apoia nas conversas entre Craft e Sim. Seja nos vocais, quando destilam as românticas letras, seja nas cordas, quando dedilham notas na guitarra e no baixo, respectivamente e, por vezes, alternadamente. Os diálogos seguem em músicas como VCR, em que a notas reverberam e passam perto do drone, sem soar algo etéreo ou fluido demais.

Essa concretude se deve muito a Jamie xx, coração com marcapasso da banda. Tocando calmamente teclas e pads, o produtor recria batidas e linhas rítmicas ao vivo. Quando chega ao departamento dos dois colegas, a melodia, o britânico dá uma ideia do que será o novo álbum. Mais dançantes ou mais ‘club music’, como já afirmou Oliver em entrevistas, as duas recém-chegadas músicas vêm com toques de deep house e eletro. Ainda sem nome, uma delas fechou a apresentação. Certamente um novo cartão de visitas da banda.

[Texto originalmente publicado no finado site da MTV Brasil]
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