O que você não sabe sobre o Gangnam Style

– A música “Gangnam Style” e seu indefectível PSY não são novidade pra ninguém que esteja lendo esse texto. O que talvez seja novo é tudo aquilo por trás e ao redor do vídeo mais estrondoso do ano.

– PSY, ou Park Jae-Sang, é parte de algo maior, o K-Pop. O gênero é um filtro oriental sobre o showbiz ocidental, especialmente o norte-americano. Do lado de cá saem os passos estilizados e coletivos dos Backstreet Boys e das Spice Girls; samples e batidas pegajosas em compassos simples e dançantes, tipo Eurodance ou Hip-hop; vocais em grupo, mas com espaço para destaques e notas altas.

– De lá, vem um toyotismo fabril, importado dos vizinhos japoneses, que estabelece tudo, desde progressão de acordes até ângulos de câmeras que sejam bem sucedidos.

– Realmente, o K-Pop funciona num modelo industrial. Agências formam grupos por meio de audições e olheiros. Certamente asiáticos, os artistas não são necessariamente coreanos. Mudanças no estilo sempre são bem-vindas e, por vezes, até cirurgiras plásticas. Uma vez escolhidos, os próximos astros recebem todo o tipo de treinamento para o sucesso.

– Como qualquer produto atual, os K-Idols também têm obsolescência programada. Suas vidas úteis são de alguns cinco anos, proporcional à rotação do público jovem.

– O K-Pop, ele mesmo, é parte de algo maior ainda, o Hallyiu. O nome define a popularização (ou invasão) da nova produção cultural da Coréia do Sul por toda a Ásia. Fortemente estimulada pelo governo local, a onda sul-corena se manifesta não só em música, mas também em filmes, novelas e séries de TV.

– Fala-se aqui de algo tão sério que existe até um órgão oficial dedicado a estudar e estimular a cultura sul-corena, o Korean Wave Research Institute (KWRI).

– Não que seja apenas isso, mas é também uma maneira sábia de ofuscar um possível imperialismo regional de um país que passou a 13º economia mundial no ano passado, segundo o FMI. Desse PIB, quase 4 bilhões de dólares vieram do consumo da cultura sul-coreana em 2011.

– Mais da metade dessa grana vem da indústria da música e de bandas como a Girls’ Generation e a Super Junior. A maior parte das divisas vem dos Estados Unidos, empurrada pela grande colônia asiática. Quem pode tomar esse posto a longo prazo é, claro, a China. Por enquanto, o segundo lugar no mercado da música pop coreana é do Japão.

– Isso não significa que por lá as coisas sejam fáceis para PSY. O ocidente realmente tem um gosto diferente para as coisas em relação ao Japão — e amplie bastante esse meridiano de Greenwich. Enquanto a coqueluche do passinho do pônei continua sua cavalgada, na ilha do sol nascente “Gangnam Style” amarga um 30º lugar no iTunes. Bem pouco se comparado ao topo das paradas na Grã-Bretanha ou a prata nos Estados Unidos.

– Por outro lado, a maré boa do PSY respingou até no pai, que controla a companhia de semicondutores DI Corp. Até o fim do último mês, as ações da empresa subiram mais de 11% na bolsa de valores sul-coreana.

– Em tempo, PSY foi o primeiro artista sul-coreano que fez o que mais querem os magnatas do K-Pop: expandir o alcance do seu produto cultural unindo nichos e mercados. Um cara que entrou no livro dos recordes por ter o vídeo com mais “likes” no YouTube e ainda virou tema de paródia na rival Coreia do Norte é, sem dúvida, um bom parâmetro.

– Isso só não vale para o Japão, como já dito. Nesse caso há até quem tenha transformado a indiferença em aversão. Alguns blogueiros do país dizem que a música só chegou aonde chegou por causa de alguma mutreta tecnológica que ampliou exponencialmente o número de visualizações do vídeo no YouTube. Seria o “F5 Style”.

– Han Koo-hyun, presidente do KWRI, não aturou a ofensa e disse, em outras palavras, que isso não passa de mimimi e dor-de-cotovelo dos japoneses. Pra finalizar ele ainda mencionou o atual campeão em vizualizações no Japão. “Conteúdo grotesco e ridículo, típico exemplo do gosto dos japoneses em matéria de vídeo.”

– Talvez os brasileiros concordemos. Certamente é ponto comum que não dá pra cantar Gangnam Style. Quem quiser se arriscar, ou pelo menos entender mais da letra, vai lá no K-Pop Lyrics.

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