O Twitter e a janela

“Gol do Corinthians!” gritou um amigo pela janela no último domingo, enquanto víamos o jogo. Além do gol, legal mesmo foi ouvir ele falar “vou aqui nesse Twitter analógico”. No Twitter digital, o de verdade — que coisa: o virtual é o de verdade, o real é o de mentira —, piavam centenas de xingamentos, brincadeiras e comemorações. No Facebook não era diferente e nos condados abandonados do Orkut também não deveria ser.

Há alguns anos a comparação “Twitter analógico” nem faria sentido. Hoje ela não só é plausível, como também pode virar piada e até, digamos, manifestação artística.

A galera do blog real tweet, por exemplo, espalha caixas de texto do Twitter por algumas paredes. Os backgrounds são tão concretos quanto os campos para os 140 caracteretes, feitos de papel. As fotos das colagens vão parar no blog.

Resumindo o caminho, uma expressão em meio digital é realizada para depois, novamente, ser digitalizada.

A brincadeira está em transpor os limites que ainda existem entre virtual e real, criados pelas propriedades de cada coisa. Assim acontece com o rádio, com a TV, com o jornal que, ao menos por  enquanto, mantêm-se alicerçados no que podem fazer melhor.

Em tempos rápidos de mundo digital e conectado, a morte anunciada (ou tuitada) de um meio, objeto, coisa ou sei lá vem junto com sua incapacidade de manter os aspectos que o relevaram.

O que é mais fácil, atrativo e rápido: mandar uma carta para um sorteio ou enviar um SMS com um código inscrito no rótulo?

Ao mesmo tempo em que as chuvas de cartas somem da TV, felizmente, a janela ainda serve como protetora da chuva e como púlpito para um grito de gol. E o Twitter também, mas só para o último caso.

Facebooktwitterredditpinterestmail
[ssba]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *