Os efeitos do terror em Paris

Os atentados terroristas de sexta-feira (13) devem ressoar durante muito tempo na vida dos parisienses. Embora o estado de urgência decretado pelo presidente François Hollande tenha término previsto para quinta, 19, as consequências do terror se apresentam em várias esferas da vida social.

A vigilância em Paris foi reforçada em vários pontos importantes. Atrações turísticas têm presença garantida de policiais e alguns destacamentos do Exército. Em estações de trem, é comum ver homens das forças armadas com fuzis em punho. Alguns são vistos em trens, deslocando-se a outras cidades do país em que há controle de fronteiras — 285 ao todo. Segundo a imprensa local, mais de 3 mil militares serão adicionados às tropas na capital.

O esquema de segurança conhecido como Vigipirate também deve ser recrudescido nos próximos dias. Desde os atentados de janeiro à redação do jornal Charlie Hebdo, prédios públicos, universidades e pontos turísticos exigem identificação e revista a bolsas ou mochilas na entrada dos estabelecimentos. A data também marcou um aumento no efetivo de policiais em vários pontos da França.

Busca pela vida
Nas redes sociais, ainda neste domingo (15) é possível encontrar usuários em busca de pessoas desaparecidas desde os atentados. O governo francês adotou uma linha telefônica e um site dedicado a esse tipo de procura. Mesmo assim, há casos de quem passa por vários hospitais em busca de informações sobre algum parente ou amigo.

Todos os hospitais de Paris e região estão sob o Plan Blanc, um pacote de medidas emergenciais que inclui a convocação de centenas de profissionais de saúde, implantação de um área de atendimento psicológico a parentes de vítimas e reforço do sistema de telecomunicação.

Filas imensas de voluntários se formam em alguns centros de doação de sangue. O órgão responsável pelas doações, Estabelecimento Francês do Sangue, afirmou em comunicado oficial que nove mil pessoas doaram sangue somente neste sábado. O departamento afirma, contudo, que são necessárias 10 mil doações por dia.

Terroristas identificados
De acordo com a imprensa internacional, quatro terroristas suspeitos já têm identidades reveladas. O francês Omar Ismael Mostefali, de 29 anos, teria atacado Bataclan com explosivos. Seis familiares dele estão detidos para interrogação. Dois outros agentes do Estado Islâmico seriam franceses: Ibrahim Salah, 31 anos, morava em Bruxelas e teria participado do ataque suicida no Comptoir Voltaire. Seu irmão, Abdeslam Salah, de 26 anos, também vivia em Bruxelas e ainda é procurado pela polícia. Um passaporte sírio também foi encontrado entre os terroristas. Segundo o governo da Grécia, o dono do passaporte se infiltrou no país como refugiado. Também foi identificado um homem-bomba que participou de atentado ao Stade de France.


Matéria originalmente publicada no site da revista Época.

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