Jornalismo, Música

20 Anos de Baile Funk: Sergio Goldemberg, Diretor do Documentário ‘Funk Rio’

Houve um tempo romântico do funk carioca. A bem da verdade, a música era menos funk que Miami Bass com algumas paródias ingênuas. As roupas tinham mais pano. As dancinhas, nem tão sofisticadas quanto o Passinho do Romano, frequentemente se resumiam a pular de um lado a outro em um filinha — o bonde. Aliás, esse bonde era o único que recorria ao exagero do romantismo em forma de porrada, só pela diversão, entre um lado e outro do baile. Está tudo no documentário Funk Rio, de Sergio Goldemberg. E ele confirmou isso pra gente numa conversa.

“Todo mundo ia pros bailes. Era o programa do fim de semana. Em todos os lugares do Rio de Janeiro, da periferia do Rio, milhares de jovens iam pro baile funk”, me disse ele, lembrando dos dias em que gravou o filme. Foram cerca de dois meses de pesquisa e duas semanas de filmagem que resultaram no documentário que faz, nesse ano, vinte anos. Sergio acompanhou e registrou garotas e garotos da periferia carioca que extravasavam os picos da juventude no pancadão calorento dos bailes na quadra da Mangueira ou no Fluminense de Niterói.

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Parisiense tenta retomar a vida depois da tragédia

Os dias seguintes aos ataques terroristas em Paris, que deixaram 129 mortos na sexta-feira (13), começaram sob o medo de novas tragédias e a sob a vigilância oficial, uma vez que o presidente François Hollande declarou estado de emergência em todo território francês. Em vez ficarem em suas casas, no entanto, muitos franceses saíram às ruas como em um dia normal.

– Eu não vi razão para ficar em casa – afirma Antonela, norte-americana que dá aulas de inglês em Paris. Assim como ela, ao menos 300 pessoas circulavam pela Place de la République na tarde de sábado (14). Muitas prestavam homenagens às vítimas deixando flores, velas e cartazes em volta da estátua Marianne — símbolo da república francesa.

Muitos parisienses não viram razão para ficar em casa.

Muitos parisienses não viram razão para ficar em casa.

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Estudante franco-brasileiro narra noite de horror no Bataclan

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Christian Hartmann – 13.nov.2015/Reuters

O estudante franco-brasileiro Nicolas Lafargue, 22, estava, na noite da última sexta-feira (13), na casa de shows Bataclan –cenário do mais sangrento dos ataques a Paris naquele dia, com 89 dos 129 mortos confirmados. Ele sobreviveu à tragédia com ferimentos leves na cabeça.

Nicolas nasceu na Guiana Francesa, filho de mãe paraense e pai francês. Eles ainda vivem na sua terra natal, mas ele está na França para estudar geografia na faculdade Bordeaux Montaigne. Leia abaixo o seu relato.

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A primeira resposta aos ataques

O parisiense ainda voltava pra casa quando o presidente François Hollande veio a público decretar estado de emergência nessa sexta-feira, 13, por volta das 23h (horário local). A medida veio em resposta aos ataques terroristas que mataram pelo menos 120 pessoas em cinco pontos diferentes da cidade. Como efeito colateral, a circulação de transporte público foi alterada, não se via engarrafamento em avenidas e bulevares e poucas pessoas andavam pelas ruas — um clima de terror.

O vazio era maior nas proximidades da casa de show Bataclan, onde cerca de 1,5 mil pessoas assistiam à apresentação da banda Eagles of Death Metal quando foram surpreendidas por homens armados. O ataque durou quase três horas. O desfecho trágico veio após a meia-noite: mais de 80 pessoas foram mortas a tiros de metralhadora pelos terroristas.

Segundo anúncio oficial da polícia, um dos terroristas foi morto no confronto e três se mataram ao ativar bombas presas a cintura. “Estamos em guerra e você sabe muito bem contra quem”, disse Antoine, empresário que estava próximo a Bataclan no momento do ataque.

Nas horas a seguir, dezenas de viaturas e ambulâncias iam e voltavam pela rua que fora palco do maior massacre da noite. Os sobreviventes eram retirados em ônibus. A maioria estava coberta por capas térmicas de alumínio para suportar o frio. “Eu estou usando isso porque deixei tudo na Bataclan”, disse Gregoire, um dos sobreviventes que resolveu ir por conta própria para casa.

Por volta das 5h, era raro ver alguém caminhando pela cidade.

Por volta das 5h, era raro ver alguém caminhando pela cidade.

Esse era o objetivo de quem estava refugiado em bares, restaurantes, hotéis ou mesmo no trabalho. Era hora de buscar uma alternativa segura para chegar em casa. Sem transporte público, a solução era conseguir um táxi livre. “A gente ouviu tiros e foi se esconder na academia onde eu trabalho”, disse Emerique enquanto liberava uma das poucas bicicletas disponíveis na estação pública da Place de la République.

Localizada a poucos metros da casa de shows, a praça tinha acesso liberado pela polícia que reforçava o cerco da cena do crime a metros dali. Segundo testemunhas, o ataque começara ali mesmo. “Ouvimos tiros por volta das 22h, aí fechamos o restaurante e ficamos lá dentro por quase quatro horas”, disse o gerente de uma lanchonete fast-food que preferiu não se identificar.

Por volta das 5h, era raro ver alguém caminhando pela cidade. Quase 500 feridos eram atendidos nos hospitais de Paris, e entre os pontos de ataque, apenas na Bataclan algumas vítimas ainda eram atendidas. Poucas testemunhas acompanhavam o fim da noite de terror na região. “[Na hora do ataque] a gente se escondeu no bar de um amigo tunisiano”, disse Claire, uma das poucas testemunhas ao fim da noite de terror. “Nós ficamos todos juntos e não foi um momento triste: foi um momento de força.”

Dezenas de viaturas nas ruas da capital

Dezenas de viaturas nas ruas da capital.

Matéria originalmente publicada no site da revista Época.

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Os efeitos do terror em Paris

Os atentados terroristas de sexta-feira (13) devem ressoar durante muito tempo na vida dos parisienses. Embora o estado de urgência decretado pelo presidente François Hollande tenha término previsto para quinta, 19, as consequências do terror se apresentam em várias esferas da vida social.

A vigilância em Paris foi reforçada em vários pontos importantes. Atrações turísticas têm presença garantida de policiais e alguns destacamentos do Exército. Em estações de trem, é comum ver homens das forças armadas com fuzis em punho. Alguns são vistos em trens, deslocando-se a outras cidades do país em que há controle de fronteiras — 285 ao todo. Segundo a imprensa local, mais de 3 mil militares serão adicionados às tropas na capital.

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