Jornalismo, Mídia, Web

2o dia do MediaOn

Participei hoje do segundo dia do MediaOn, evento realizado pelo Portal Terra e o Itaú Cultural. O última dia teve três painéis e alguns pontos altos. De qualquer maneira, o evento já é de grande importância só pelo tema tratado, como disse no post anterior.

2o Painel – “O novo jornalista e a cobertura eleitoral – utilização das inovações e ferramentas multimídia”

Primeiramente, vou falar do 2o Painel, que ocorreu ontem e sem dúvida foi um dos melhores que assisti. Para discutir a respeito do perfil do jornalista online foi chamado, além de profissionais de mídia — Edward Pimenta da Abril e Andrea Fornes do MSN —, um acadêmico, Fabio Malini. Pimenta e Fornes fizeram apresentações mais institucionais, mas não por isso desinteressantes. Malini, por sua vez, foi um dos poucos, senão o único a estabelecer um mínimo contato entre a Universidade e o Mercado. Provando que entende de comunicação na teoria e na prática, Malini dissecou em poucos minutos o que é o jornalista online e o que se espera dele sem esquecer, obviamente, do próprio jornalismo web. Ficou claro que o jornalista digital é aquele que sabe exercer todas as atividades do processo jornalístico, o que, acredito eu, torna o trabalho menos industrial, menos segmentado — e mais difícil. A maior causa desse jornalista multi-task é a não-linearidade da web: uma notícia deve contar com hiperlinks, podcasts, vídeos e infográficos. E todo esse conteúdo é informação que parte da mão de um jornalista. Malini ainda citou alguns elementos básicos presentes nos jornalistas online: interação com o público, cross-media, blogging, conhecimento mínimo de tecnologia, etc.

Passada a quarta, vamos a quinta. A manhã começou com o 5o Painel, que se propunha a comentar as estratégias de blog na obtenção de audiência e transmissão de informação. Giles Wilson, editor de blogs da BBC, apresentou o case de sucesso que comanda. Com milhões de visitas diárias, os blogs da BBC não são bem blogs, segundo Wilson. A plataforma usada não separa mais um site de notícias de um blog. Maior exemplo disso é o Clarin, jornal argentino. Wilson disse que os blogueiros da BBC seguem o padrão da corporação, buscando uma objetividade e clareza nos textos. Esse, aliás, é um dos fatores do sucesso dos blogs da BBC — e alavanca de qualquer blog que se preste a tal serviço: informar. Blogs como o da BBC preocupam-se, também, com os comentários. Talvez o maior trunfo do jornalismo online, em que os cruzamentes de opiniões tornan-se mais plausíveis.

António Granado, professor da Universidade Nova de Lisboa

Posteriormente, ocorreu o 6o Painel, no qual se discutiu a relação entre as mídias sociais e o jornalismo. Ta aí um assunto que dá pano pra manga. Afinal, a rede que usamos hoje (a web 2.0) se pauta basicamente em participação do usuário (= jornalismo online e redes sociais). Fazendo valer o mote, António Granado apresentou propostas simples e eficazes para o uso das redes sociais pelo jornalismo na internet. Para ele, as redes sociais são um elemento que devem ser entendidos e integrados pelo jornalismo. Existem ótimas ferramentas web prontas para serem usadas, só falta coragem e menos conservadorismo. É uma atitude já tomada em jornais como o NYTimes ou o Washington Post, mas que não ocorre por aqui. Faz parte do tom de rivalidade assumido entre as corporações de mídias brasucas, levantada no Painel 1. Em vez de, por exemplo, linkarem vídeos do youtube ou fotos do flickr, veículos grandes preferem criticar as novas mídias e reinventar a roda.

Caíque Severo, segundo debatedor e diretor de conteúdo do iG, apresentou o MinhaNotícia. Um projeto que, apesar de ter mais de um ano de existência, ainda é beta. A proposta é a publicação de notícias por qualquer pessoa. No caso, elas passam por uma equipe de moderadores. Severo afirmou que na versão que vem por aí do MinhaNotícia o processo de escolha e rankeamento de notícias será mais natural, controlado por uma comunidade. É uma outra estratégia, diferente daquela do iReport — mais escancarada apesar da linha editorial. Falando em linha editorial, Severo nem mencinou o embate TSE x iG.

Existem mais 100 Mallu Magalhães, todas fazem boa música?

O último Painel tinha como título o “Diálogo produção-jornalismo cultural”. Dos 3 debatedores, o melhor mesmo veio do mediador, o jornalista Maurício Stycer. O correspondente do iG disse uma frase muito boa, para ele o “jornalista cultural tem uma infinita gama de opções [na internet], mas a questão central é ainda se a ‘Mallu Magalhães’ é boa ou ruim”, relembrando o fênomeno do myspace. O trabalho do jornalista cultural, então, fica até mais difícil com os inúmeros profiles no myspace. É preciso uma bagagem cultural pra definir, creio eu, não o que é bom ou o que é ruim — isso não cabe ao jornalista —, mas sim o que vale a pena ser visto, ouvido, enfim, pensado. Sendo assim, o blog é um ponto de partida para o jornalista. E tomara que a cadeira não seja o seu ponto de estada. A propósito, ninguém em nenhum painel levantou esse ponto, contudo, é imprescindível ressaltar que o trabalho do jornalista ainda é um trabalho de campo: físico e, há um bom tempo, virtual.

fotos do blog do MediaOn e do Tiago Dória que, aliás, cobriu o evento pelo seu blog.
Design

Rabeira Muderna

Pegar rabeira nunca foi tão conceitual. O esquema é esse: super desentupidores de pia que se grudam no carro e você pega a carona.

No site do designer, Robert Nightgale, rola até umas dicas.

For best results position yourself at traffic lights, railway stations or air hangers. Subtly wait for the opportune moment (which is precisely 7 seconds before the initial point of acceleration) and attach the product as firmly as possible to the host vehicle (a brief run up usually does the trick), paying attention to ground clearance for ones feet and enjoy the ride…

Transporte de guerrilha? Curti, mas um skate deixaria a aventura mais interessante!

Jornalismo, Mídia, Web

Media on – Seminário Internacional sobre Jornalismo Online

Estive hoje no mediaon, a 2a edição de uma série de painéis sobre jornalismo online. Realizado no Itaú Cultural, o evento é basicamente composto por painéis de discussão e seminários (e algumas oficinas inexistentes), reunindo principalmente gente com relevância nas corporações midiáticas.
A parte o atraso e a falta de informações básicas (confirmação, oficinas, etc.) o que vi hoje foi uma reunião que põe em pauta um tema alardeado por todos, mas que poucos querem por a mão. De um lado, a academia, pra qual jornalismo online o assunto ainda é um pântano: nebuloso, lamacento e cheio de armadilhas. Do outro, o mercado, que busca um jornalista online com crise de identidade: não sabe o que faz, quanto faz, ou mesmo se é só online.

Tas e Rosemblun na abertura do envento

O primeiro painel contou com o mediador Alon Feuerwerker (editor de política do Correio Braziliense e blogueiro), e os debatedores Bob Fernandes (editor do Terra Magazine) e Ricardo Feltrin (colunista da Folha e editor-chefe da Folha Online). Juntando a fome com a vontade de comer, o assunto eleições brasileiras e web não poderia vir em melhor hora, vide a última decisão do TSE que restringe o conteúdo sobre eleições na internet.

O debate, que frequentemente descambava pra política e legislação, explicitou uma opinião bem sensata: a internet é um espaço democrático e a nova lei do TSE vai de encontro a isso.

Eleições digitais?

Bob Fernandes lembrou que alguns senhores, como o Sarney no MA, Collor em AL e, por que não, Aécio Neves em MG detêm direitos sobre radiodifusoras — mesmo que escusos. É um nem tão novo coronelismo, não menos nocivo do que os de antigamente. Um “coronelismo medial” que Ninguém cutuca (com N maiúsculo, são cargos do alto escalão). Não posso deixar de mencionar que a internet não é uma concessão: ela esta aí pra quem pode e quer falar, ler, gritar. A medida do TSE é proibitiva e trata a rede como um teco do espectro radiodifusor. Um teco de algumas milhões de toneladas informacionais, impossíveis de serem controladas. Ainda bem, pois, como falou Bob, “no fim das contas a lei será descumprida”. Legislação, aliás, é o que falta para a internet — e não uma censura velada baseada num código inaplicável, até então, ao ciberespaço.

Nessa esteira de ficção (essa lei bem que podia ser do 1984), Ricardo Feltrin disse que “nunca se sentiu tão cerceado”. Feltrin ressaltou a pressão que se faz sobre o jornalismo político: ora é o Estado, ora os Partidos, ora o próprio usuário — comentadores mandados, pagos, trolls, típicos da rede. Digo que é bem verdade que o jornalismo está mais pra um pitbull rosnando pra tudo quanto é político. Contudo, quando essas pressões ameaçam empurrar para baixo o lucro das empresas de mídia, jornalista vira poodle e a corporação ainda põe coleira pro senador ou o que for acariciar. Feltrin disse bem ao afirmar que “essas forças [as pressões] precisam mudar, senão muda o jornalismo”. Completo dizendo que também precisa mudar a postura das empresas e conglomerados de mídia — mas isso é mais difícil que político falando a verdade.

Depois mais comentários sobre os outros painéis e sobre o segundo dia do evento.

Design

Pergunta:

nos jogos olímpicos de Pequim eles usam material esportivo made in china?

Enquanto você pensa, não deixe de ver as imagens da Anistia Internacional para as Olimpíadas. Ao que parece, elas vazaram na rede.




Política

Democracia e a mesmice dos novos tempos da política


Eleições chegando, trazendo consigo o desgostoso e embolorado engodo do poder está nas suas mãos. Não passa da ludibriação da democracia, amalgamada aqui numa lavagem suína (e pré-cerebral) para que seja concebida como sinônimo de voto. Votar é legal — e, para a maioria, obrigatório, mas isso é detalhe.

Vote, adolescente de 16 a 18 anos sem oportunidades de boa educação, que dirá de bons empregos; vote, senhor velhinho que faz da sua aposentadoria tripas coração para comprar remédios e manter o coração e as tripas; vote, você aí dessa cidade afastada, essa sem luz, água, saneamento e uma câmara pra lá de requintada e confortável; e vote você também, que, numa condução lotada, se locomove todos os dias da periferia para o centro e vice-versa, afinal, no dia da votação você vota aí pertinho de casa, numa escola (ou aquilo que se propõe a sê-la).

Pelo menos dá pra achar graça, caso você seja brasileiro. Se você levar na esportiva, até consegue dar uma risada aqui, um comentário feliz acolá, mas nada de mais. Se você levar a sério, sim, você racha o bico. É quando você diz “tem que rir pra não chorar!”, tamanha a graça da desgraça em que estamos envoltos. Aliás, o anedotário da propaganda política, assaz hype e antenado, vem acopanhando a rede e vem se mostrando tão criativo quanto no meio televiso.

Porque na internet, você tem interatividade.

Na web você conhece seu candidato até na mais íntima roupa suja!

E na world wide web você também descobre que é tudo muito rápido, tudo muito veloz.

Sem esquecer de como a política está por todos os lados.

Além de tudo, é versátil:

Pois se a política, para esse senhores e senhoras, pode ser tudo isso (e mai$ um pouco), porque a democracia se restringiria ao voto? Democracia vai além de muita campanha e 5 dígitos. Democracia é a voz uníssona e constante de pessoas que gritam para terem as suas necessidades atendidas e respeitadas; nem sempre são as melhores precisões, mas é assim que se caminha para esse tal melhor. Que interessa? A essa orquestra não estamos acostumados. O que toca em loop por aqui é a Ode a Charlamentarismo.

Por causa desse post eu até lembrei dum grifo meu num livro. É de um antigo jornalista francês, Prosper-Olivier Lissagray, sobre a Comuna de Paris — provavelmente o único movimento revolucionário que deu, realmente, poder ao povo:

Em 1848 disseram ao povo: “O sufrágio universal torna toda insurreição criminosa; o voto substitui o fuzil.” E, quando o povo vota contra os seus privilégios, eles se encolerizam; todo governo é faccioso se levar em conta a vontade popular. O que resta ao povo, se não o argumento peremptório, a força? Ele por fim a tem.

*foto do flickr do Jaume d’Urgell.