RIP Frankie Knuckles

Frankie Knuckles

Frankie Knuckles, padrinho da house music, morreu nesta terça (31/3).

A dívida que a música tem com o produtor e DJ é grande. Em 1977, ele formalizou o som eletrônico de pista mais pela necessidade que pela criatividade. Tempos em que nem todo mundo podia ser DJ e, quem podia, o fazia porque sabia. Naquele ano, Frankie saíra de Nova York em direção a Chicago. Seria residente de uma nova casa, a Warehouse — lugar que daria nome ao gênero criado por ele e parceiros como Jesse Saunders e Marshall Jefferson.

Na cidade que deixara, o camarada Larry Levan, outro mestre, dava sobrevida à disco na também mítica Paradise Garage. Entre os trunfos de Levan estava a artimanha que Frankie usou como ponto de partida de sua criação.

“Muitos desses discos de dance music feitos hoje em dia são criados por produtores de quarto. Mas, antes disso, era tudo diferente. Eu não tinha a tecnologia. Eu tinha um estilete, um tape deck de rolo e muitos rolos de fita”, diz ele em 1997 em entrevista à clássica revista Keyboard.

Enquanto Levan estendia clássicos da Motown, da Atlantic e da Stax por horas a fio, Frankie botava seus ouvidos nas menores células das faixas. Batidas, viradas de bateria e riffs de piano foram realçados pelo produtor que, em pouco tempo, passou a remixar músicas. A adição da Roland TR-909 seria fundamental no house, afastando de vez a necessidade da instrumentação orgânica do disco. Com o tempo, cantoras como Diana Ross e Toni Braxton, acostumadas a estúdios com grandes bandas, emprestavam suas vozes à misteriosa aparelhagem do Mr. Warehouse.

O avanço estético conversava com a consolidação das experimentações alemãs, antevia a proposta minimalista do techno de Detroit e serviu de base para a improvisação instrumental do Acid House do Phuture. Além disso, o som tinha a cara de Chicago. Era música negra feita para dançar como fora o explosivo jazz de Countie Basie.

Abaixo, um pequeno documentário da Mixmag resume, com entrevista do próprio Frankie Knuckles, como essa história toda se desenrolou.

A seguir, uma das mais recentes apresentações do cara num pequeno quarto abarrotado por hipsters da Boiler Room.

Por fim, uma das grandes faixas criados por Frankie Knuckles.

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