Sango estudando o funk

O norte-americano Sango é realmente bom no que faz. Seu arranjo ao subestimado Nas recorta a música em fatias sincopadas com pancadas na medida e no compasso dos vários andamentos da faixa — um exemplo de autoria considerável em meio à ressaca do Trap e enxurrada do Future Beats.

O novo trunfo dele é o Da Rocinha 2. O álbum, distribuído no Bandcamp, é um estudo do funk carioca comparável às propostas de Tom Zé com o samba ou a bossa nova.

As bases do ritmo são dissecadas até melodias, camadas sobrepõem variações graves e glitches trincados, silêncios intercalam as texturas fluidas do tal (sound)cloud rap. Engenharia reversa de Seattle pro Rio de Janeiro que retoma processos de King Tubby ou James Blake. Em vez de mais, é menos.

A assinatura do Sango já rolava no primeiro Da Rocinha, com a excelente viagem sonora de Kendrick Lamar pelos morros. Imagina quando ele chegar ao funk ostentação.

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