Snoop Game

A música pop vive uma terra arrasada do pós-guerra virtual onde o hip hop é o farol das boas novas estéticas. Seus atalaias são deuses renascidos, messias midiáticos, imperadores megalomaníacos e líderes amotinadores. No panteão, Snoop Dogg mantem-se rei, como ele mesmo se denomina, a passos aparentemente desconexos.

De 2012 para 2013, sua guinada à música jamaicana transferiu-lhe de mestre de cerimônias da costa leste a toaster de Kingston. As texturas eletrônicas próprias do Diplo, produtor do álbum “Reincarneted”, deixaram a desejar uma apropriação substancial da prosódia da ilha, mas vieram em prol de uma tomada espiritual e lírica do então Snoop Lion.

O documentário com mesmo nome do disco conta bem essa história com uma taxa de baseados por minuto nunca antes vista no cinema. Ainda que reforce o estigma rastafariganjapower deixado pelo maior diplomata jamaicano — Bob Marley –, o fato é a cereja do space cake bolado de forma pioneira por Snoop. A bandeira da maconha no hip hop é levantada por ele desde o tempo em que o camarada Dr. Dre batia em rappers usuários.

Uma das últimas rebarbas do álbum jamaicano encerra essa dança esquisita de Snoop. Em vez de ostentação, bling bling, performances de belas-artes ou filmes conceituais, o cara presta homenagem ao clássico Pokémon de Game Boy no clipe de “Get Away”. Bela jogada, Dogg Lion.

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