Sobre o VMB 2012

– Gaby Amarantos garfou três prêmios com tacacá. E adormeceu a boca da herdeira Abravanel com tucupi jambu.

– E mais sobre essa história de Beyoncé: a bola foi cantada aqui no blog há um tempo. A outrora single lady é nosso rastaman Bob Marley, levando um bocado da música do seu canto pra todo o Brasil. E que boa música!

– Mas se a MTV fez a Gaby tirar onda, porque parece ter tirado onda da dupla sertaneja João Lucas e Marcelo? Os dois (ou três) tocam na novela, tocam na rádio e fazem (muito) dinheiro. É de se pensar sobre o que premia uma e não premia outros tantos.

– Na mesma leva “rindo de mim ou rindo comigo” também estão o Bonde do Rolê e a Banda UÓ. Dois álbuns recém lançados com estéticas que põem na mesa a questão sobre o que é deboche e o que é releitura — ou talvez misture os dois com arroz e feijão.

– Aliás, o show do Bonde do Rolê foi pancadão digital e percussão analógica. No mais, é um resumo dessa antropofagia pop-eletro-dance-brega-chique — há quem chame isso de Tropical. São coisas do “Top do Momento”, ou o país da Copa e das Olimpíadas. Não à toa a semelhança com a apresentação de BNegão e companhia na cerimônia de encerramento de Londres 2012. O Brasil é pop. E popular?

– E sobre o BNegão: outra bola cantanda aqui. Foram dez anos até sair o segundo disco com os Seletores de Frequência, mas a pressa é, realmente, inimiga da perfeição. Disco bom, prêmio levado.

– Com o Planet Hemp, a persona é Bernardo (como disse D2). Não cabe aqui aquela especulação típica de bandas e tretas como “os caras nem se olhavam” ou “é visível que eles têm sintonia novamente”. Isso é tema de documentário pra daqui a 10, 20, 30 anos. Por enquanto a Exquadrilha da Fumaça está de volta. Diferente e com uma mensagem e peso coerentes.

– A outra Exquadrilha, a dos Neurônios Evaporando/Evoluindo, essa não conseguiu tanto quanto podia. A ConeCrewDiretoria vem de um primeiro álbum interessante. No vácuo esfumaçado deixado pela trupe do D2, eles falam de maconha, política, criminalidade e, por que não, festas, consumo e zoação. Isso não foi suficiente pra dar um único canino dourado aos caras. Parece que foi por pouco, mas uma hipótese pode ser o número de paulistas da Academia VMB. E aí o Projota leva.

– Calma lá: o Projota tem seus méritos. Assim como o Vanguart. Ambos já tem alguns discos nas costas. E suas últimas crias são independentes. Quem ganha é a originalidade.

– Só que o Vanguart não tira uma dúvida: onde foi parar o Rock Nacional? O Terno pode ajudar, mas vamos falar de cena e movimento. E força.

– O Restart carregou o peso da guitarra-baixo-bateria, mas será mesmo? Que seja: quais são as outras bandas e artistas do rock brasileiro que fazem diferença a ponto de barganharem um prêmio desses? Entre uns e outros, o que se vê é mais do mesmo — e não falo do álbum do Legião Urbana.

– Em tempo: bobagem vaiar os caras na premiação. O Hit do Ano é de quem clica mais e chora menos. O fã clube agradece e a plateia reconhece.

– E se for pra falar de Rock, os maiores dos anos 90 salvam. Iggor Cavalera continua martelando e Lúcio Maia palheta com o espírito aguçado. Fizesse um solo, veríamos um novo Rage Against the Machine na versão pesada de “Dedo na Ferida”. A bandeira e o boné do MST vieram em boa hora.

– Os discursos do Emicida e do Criolo também. A propósito: bacharéis das altas cúpulas, entre tantas proibições pra essa cidade, não tem alguma que proíba incêndio criminoso? Quem acha que isso tudo é culpa de gambiarra e gato é mais louco que Nero, o imperadorzinho piromaníaco que não e o nosso.

– Fogo! Os Racionais botaram fogo no VMB 2012. Nem todo mundo queimou, é verdade. Foram quarenta minutos de um show pesado, com o crime de la crime dos mais de 20 anos de carreira. A Cosa Nostra e a bandeira do Fundão sobre o palco fecharam o compromisso dos caras: eles continuam a se importar mais com as letras, o flow e as batidas que com qualquer público. Taí porquê a plateia assistia, imóvel, à apresentação dos ganhadores de Melhor Clipe do Ano.

– Quem fica parado cria limo. Reclamem de Gal Costa e Rita Lee, mas lembrem-se que elas ainda estão na pegada. E o novo disco da Gal é eletrônico. Mais uma que absorve e regurgita. Sem esquecer do RAPadura Xique Chico, que merecia o caneco. Luiz Gonzaga estala de felicidade em ver o sofrimento do povo cantado em tom de embolada.

– O Brasil é uma zona mesmo. E o VMB se curvou às mais baixas. Ou, agora, às mais altas. O brega, o rap, o eletrônico, o Corinthians campeão da Libertadores (valeu, Sheik!), o norte, o nordeste, o Moinho, as eleições para prefeito de São Paulo e o tchu-tcha-tcha são sinais do fim. 2012 vem chegando: o mar vai virar sertão, o sertão vai virar mar, o popular vai virar pop, e o pop vai virar popular.

– Pra saber mais sobre como foi o prêmio: VMB 2012 celebra música com shows eletrizantes e destaque para Gaby Amarantos

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