SXSW13: Gang do Eletro

Semana passada aconteceu o maior festival de música independente do mundo, o South By Southwest. Ele é o maior não somente por reunir centenas de bandas em uma semana na cidade de Austin, Texas. Também não só por colocar essas bandas tocando em cada canto da cidade, numa grande apropriação do espaço desamarrando propriedades e fomentando ocupação. Nem tampouco por, em paralelo, ocorrer outros dois enormes festivais: o de cinema e o de tecnologia, eles mesmos espraiados pela urbe.

O lance do SXSW é trazer bandas de todo o mundo. A ideia de um infográfico que una um mapa do mundo e a nacionalidade das bandas está aí. Ficaria bonito de ver.

Do Brasil, foi uma fauna diversa. Falei com alguns na semana passada e, como não deu pra ser antes, ficam as entrevistas nesta semana. Começando com a Gang do Eletro — com a palavra, o Jamie xx do rolê, Waldo Squash.

Como surgiu o convite para tocar no SXSW?

Nós fizemos a inscrição e esperamos o resultado. Não criamos muitas expectativas e quando o convite foi oficializado ficamos super felizes. Estamos iniciando a turnê de lançamento do primeiro CD da Gang do Eletro com o pé direito.

As bandas que vão pro SXSW tem de arcar com os custos, certo? Por conta disso alguns artistas desistem de ir ao evento, mesmo sendo convidados. Como vocês contornaram isso?

Bom, assim que tivemos a confirmação do convite, fomos atrás dos parceiros, pois os custos são muito altos. O festival não arca com despesa alguma, nem de transporte, alimentação, hospedagem… absolutamente nada. Fora o fato de termos que ir até Brasília para tirar o visto de entrada para os Estados Unidos, pois não é possível fazer isso em Belém. Conversamos com alguns setores do Governo do Estado do Pará que entenderam a importância de enviar um representante da cultura paraense em um festival desse tipo (somos também os únicos artistas da Região Norte). Então conseguimos custear parte dos gastos com o apoio da Funtelpa (rádio e TV pública do Pará), grande incentivadora da cultura no estado. Também temos um projeto de circulação patrocinado pela VIVO através da Lei Semear (lei estadual de incentivo a cultura) e Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves. Conseguimos fazer com que um show dessa turnê fosse o do SXSW. Sem esses parceiros não conseguiríamos participar do festival.

É a primeira vez de vocês no festival? O que vocês estão esperando do evento? Senão, o que esperam dessa edição em relação a outra?

Sim, é a primeira vez que participamos do festival e esperamos poder expandir cada vez mais esse som que a gente faz, ja que o festival traz pessoas e produtores de todos os lugares do mundo.

Como vocês esperam que será a recepção do som de vocês?

Esperamos que a reação das pessoas seja a mesma que a dos lugares que tocamos pelo Brasil, sempre conseguimos surpreender. Estamos bem confiantes com nosso trabalho.

Vocês estão preparando alguma coisa diferente para o show do festival?

Além do novo figurino, as projeções que levam um pouco da cena tecnobrega de Belém sincadas com a batida do dj.

Depois do festival vocês voltam pro Brasil ou seguem pelos Estados Unidos?

Voltaremos para o Brasil para dar proseguimento na turnê de Lançamento do nosso disco que ja começa com esse show no SXSW, essa turnê passa pelos interiores do Pará e vai por outros estados do Brasil.

Vocês pretendem ver algum artista nessa edição do festival? Quem?

Pretendemos ver vários artistas, ouvir novos sons que podem servir de referências nas experiências que fazemos, o festival é rico sonoricamente e a gente vai aproveitar ao máximo tudo que ele nos oferecer.

Por que lançaram o disco só agora? Vocês acham que é realmente necessário lançar um álbum ainda hoje?

Para nós é de extrema importância lançar um disco com qualidade máxima tanto musical quanto material, temos muitas músicas na internet mas o disco traz o que temos de melhor a oferecer e serve de referência do nosso trabalho, principalmente o apresentado no show.

É mais fácil apresentar a Gang do Eletro pro gringo de fora do Brasil ou pro gringo brasileiro — esse cara que não entende muito o que acontece fora da sua cidade ou estado — ?

Até agora o gringo brasileiro tem nos recebido muito bem, é a primeira vez da Gang do Eletro fora do Brasil, confesso que estamos bem ansiosos para ver como será a recepção dos gringos.

Como vocês veem o modo de produção do tecnomelody no que tange a criação “encomendada”? Digo, uma aparelhagem ou uma loja pede um tecnomelody e algum DJ mete a mão na massa. Isso é algo bem paraense, mas também seria uma forma de sobrevivência para outros músicos em outros lugares do mundo.

Achamos que o crescimento do tecnobrega se deu por essa forma de trabalho, os DJs fazendo musicas para fã clubes, aparelhagens, etc. Ou seja, o mesmo público que consumia esse tipo de musica nas festas manteve o mercado por muitos anos, isso fortaleceu o ritmo que acabou se expandindo para outros lugares.

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