Tag Archives: música

Música

Dando close com a Karol Conká em Paris

Parisienses tem mania de usar preto. Vez ou outra, eles arriscam acessórios neutros ou aquele Stan Smith no pé. A matiz de tons facilita a identificação dos turistas, quase sempre com roupas coloridas. A exceção é a Karol Conká. De cabelo rosa, brinco amarelo e meia com estampa de onça, ela não está na Europa a passeio. A rapper faz sua terceira turnê internacional e toca na edição francesa do Afropunk — festival que celebra a cultura negra.

Um ótimo pretexto para sair em busca da cultura africana da cidade, bater umas fotos e trocar uma ideia no apertado metrô de Paris sobre o disco novo, machismo e cabelo.

Esperando o metrô.

Esperando o metrô.

“Isso aqui não tem no Brasil!”, exclamou ela quando parou em vitrine de Château d’Eau. O bairro que concentra cabeleireiros e lojas especializadas em cabelos afro entrou na lista de lugares favoritos da Karol. E os vendedores de lá agora tem em Karol uma das freguesas preferidas. A rapper saiu carregada de pacotes com metros e metros de cabelos de cores, tamanhos e funções diferentes. Quem chegava perto queria saber quem era aquela mulher.

Dando uma olhada nas vitrines.

Dando uma olhada nas vitrines.

Continue reading

Facebooktwitterredditpinterestmail
Cultura, Jornalismo, Música

O pacto de sangue entre rap e futebol na França

Como ocorre no Brasil, o fim de cada jogo da França na Eurocopa 2016 acompanhou intermináveis mesas redondas na TV. Após a derrota para Portugal, todas lamentavam o gol do atacante Éder e tentavam, em vão, explicar o porquê do vice-campeonato.

Dias antes, nas quartas-de-final, o clima da análise era oposto: a maior parte das discussões celebrava os pormenores da goleada de 5 a 2 na Islândia. No canal i-Tele, um grupo questionava o gesto de Paul Pogba, meio-campista francês, ao comemorar seu tento. “Não seria uma ofensa ao público?”, questionou um deles.

“Isso é um dab”, respondeu Djibril Cissé. Com a tranqulidade de quem revela um segredo conhecido, o ex-jogador explicou que aquilo era um passo de dança importado do hip-hop. Era mais um exemplo da frutífera relação entre rap e futebol na França.

“Os jogadores estão muito próximos do rap por aqui, eles escutam esse tipo de música no vestiário, eles estão atualizados com o que tem de novo”, explica Mohammed Sylla. Mais conhecido por MHD, o rapper de 21 anos é a mais recente sensação do hip-hop francês Com seu chamado “Afro-Trap”: uma mistura de texturas do oeste africano a arranjos e prosódias clássicas do rap norte-americano.

Continue reading

Facebooktwitterredditpinterestmail
Música

O Latam Esquad é o rap latino made in Brazil

A origem é boliviana, peruana ou brasileira, a cidade é São Paulo, o jardim é Japão. Na zona norte da capital, um pequeno estúdio de fundo de quintal recebe uma molecada com camisetas de times da NBA, botas de camurça ou tênis da Adidas e largas blusas de moletom – algumas peças de confecção própria. Garotos e garotas vão e voltam entre o espanhol e o português na mesma fala, na mesma letra. Eles são o Latam Esquad, o primeiro coletivo de rap latino-americano do Brasil.

“A gente é uma família: se um não tem o troco pro busão ou pro rango, a gente junta”, me disse Bryan Rodriguez. Ele é o fundador do grupo com quase vinte jovens que se revezam como rappers, produtores e grafiteiros. No alto de seus vinte e poucos anos, eles versam sobre imigração, tráfico de pessoas, maternidade e preconceito em músicas que rolam nos encontros de hip-hop ou no SoundCloud. E as faixas saem dali mesmo, do estúdio amador onde a gente trocou uma ideia a base de muita catuaba e vinho de garrafa plástica.

Continue reading

Facebooktwitterredditpinterestmail
Música

Banda baiana faz sucesso com arrocha debochado

Enlarge

15249203-1
Flávio Alves dos Santos (Jurubeba), Hélio Pires (Jhon Falcão) e José Roberto Franca (Zé da Véia)

Zé Carlos Barretta/Folhapress

Na véspera do São João de 2014, Hélio Pires, 27, largou o emprego em um posto de gasolina na Bahia para se dedicar à música sobre sua “Pop 100”. A moto econômica dá nome ao maior sucesso da banda liderada por ele.

Hoje, com cerca de 25 shows por mês e cachê médio de R$ 50 mil, o grupo Rei da Cacimbinha espalha o ritmo da arrochadeira resenha (gíria para deboche) pelo Brasil.

“A arrochadeira resenha é o contrário da ostentação: fala da humildade, do cara que anda errado, que é feio”, explica Ludson Gusmão, empresário da banda. Segundo ele, o estilo mistura o pagode baiano ao arrocha de nomes como Pablo e Silvanno Salles.

Continue reading

Facebooktwitterredditpinterestmail
Música, Tecnologia

A nova ressureição da única máquina de discos de vinil do Brasil

Quando era mais novo, eu “dava” uns CD-Rs com músicas gravadas para alguns amigos. Era um trabalho complicado. O cara – geralmente alguém que ligava o computador para usar o Paint, o Chat do UOL e o FreeCell – fazia uma seleção de músicas; eu baixava aqueles MP3s no Kazaa sem me importar com a qualidade dos arquivos – contanto que não fossem aquelas versões com a chiadeira proposital do RIAA –; depois, convertia as faixas para WAV no Winamp; e, enfim, gravava o CD com alguma versão do Nero que também tinha sido gravada em algum CD.

Esse esquema é realmente coisa de moleque se comparado ao trabalho de Arthur Joly e Bruno Borges, o DJ Niggas. Os dois burlaram o sistema tradicional de produção de discos com uso de moldes de acetato – o processo de prensagem em larga escala. Num pequeno estúdio na Zona Sul de São Paulo a dupla criou a Vinyl-Lab, a única produtora do Brasil capaz de gravar discos diretamente nas bolachas de vinil. Com muitíssima paciência, muita grana, alguma engenhosidade e um pouco de sorte, eles botaram pra funcionar a Neumann AM32B, de 1957, um torno de corte de discos tão histórico quanto complicado.

Arthur Joly prepara a máquina de fazer vinis. Crédito: Felipe Maia

Continue reading

Facebooktwitterredditpinterestmail