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Cultura, Jornalismo, Música

O pacto de sangue entre rap e futebol na França

Como ocorre no Brasil, o fim de cada jogo da França na Eurocopa 2016 acompanhou intermináveis mesas redondas na TV. Após a derrota para Portugal, todas lamentavam o gol do atacante Éder e tentavam, em vão, explicar o porquê do vice-campeonato.

Dias antes, nas quartas-de-final, o clima da análise era oposto: a maior parte das discussões celebrava os pormenores da goleada de 5 a 2 na Islândia. No canal i-Tele, um grupo questionava o gesto de Paul Pogba, meio-campista francês, ao comemorar seu tento. “Não seria uma ofensa ao público?”, questionou um deles.

“Isso é um dab”, respondeu Djibril Cissé. Com a tranqulidade de quem revela um segredo conhecido, o ex-jogador explicou que aquilo era um passo de dança importado do hip-hop. Era mais um exemplo da frutífera relação entre rap e futebol na França.

“Os jogadores estão muito próximos do rap por aqui, eles escutam esse tipo de música no vestiário, eles estão atualizados com o que tem de novo”, explica Mohammed Sylla. Mais conhecido por MHD, o rapper de 21 anos é a mais recente sensação do hip-hop francês Com seu chamado “Afro-Trap”: uma mistura de texturas do oeste africano a arranjos e prosódias clássicas do rap norte-americano.

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Música

O Latam Esquad é o rap latino made in Brazil

A origem é boliviana, peruana ou brasileira, a cidade é São Paulo, o jardim é Japão. Na zona norte da capital, um pequeno estúdio de fundo de quintal recebe uma molecada com camisetas de times da NBA, botas de camurça ou tênis da Adidas e largas blusas de moletom – algumas peças de confecção própria. Garotos e garotas vão e voltam entre o espanhol e o português na mesma fala, na mesma letra. Eles são o Latam Esquad, o primeiro coletivo de rap latino-americano do Brasil.

“A gente é uma família: se um não tem o troco pro busão ou pro rango, a gente junta”, me disse Bryan Rodriguez. Ele é o fundador do grupo com quase vinte jovens que se revezam como rappers, produtores e grafiteiros. No alto de seus vinte e poucos anos, eles versam sobre imigração, tráfico de pessoas, maternidade e preconceito em músicas que rolam nos encontros de hip-hop ou no SoundCloud. E as faixas saem dali mesmo, do estúdio amador onde a gente trocou uma ideia a base de muita catuaba e vinho de garrafa plástica.

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Música

Músicas negras do KL Jay

kl jay

No começo de abril conversei com o KL Jay para a revista Trip. A questão era o racismo e, entre outras ideias, ele soltou uma lista das suas dez melhores músicas feitas por artistas negros. A seleção vem logo abaixo, com o bônus da faixa própria.

“Negro drama” / Racionais Mc’s

“Canto das três raças” / Clara Nunes (Paulo César Pinheiro e Mauro Duarte)

“Zumbi” / Jorge Ben Jor

“Fear of a Black Planet” / Public Enemy

“Off the Wall” / Michael Jackson

“White Man’s World” / 2Pac

“Odiados amigos” / X da Questão

“Equinox” / John Coltrane

“Haiti” / Gilberto Gil e Caetano Veloso

“Get Up Stand Up” / Bob Marley

“1999” / Common, Talib Kweli e Sadat X

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Música, Vídeo

Snoop Game

A música pop vive uma terra arrasada do pós-guerra virtual onde o hip hop é o farol das boas novas estéticas. Seus atalaias são deuses renascidos, messias midiáticos, imperadores megalomaníacos e líderes amotinadores. No panteão, Snoop Dogg mantem-se rei, como ele mesmo se denomina, a passos aparentemente desconexos.

De 2012 para 2013, sua guinada à música jamaicana transferiu-lhe de mestre de cerimônias da costa leste a toaster de Kingston. As texturas eletrônicas próprias do Diplo, produtor do álbum “Reincarneted”, deixaram a desejar uma apropriação substancial da prosódia da ilha, mas vieram em prol de uma tomada espiritual e lírica do então Snoop Lion.

O documentário com mesmo nome do disco conta bem essa história com uma taxa de baseados por minuto nunca antes vista no cinema. Ainda que reforce o estigma rastafariganjapower deixado pelo maior diplomata jamaicano — Bob Marley –, o fato é a cereja do space cake bolado de forma pioneira por Snoop. A bandeira da maconha no hip hop é levantada por ele desde o tempo em que o camarada Dr. Dre batia em rappers usuários.

Uma das últimas rebarbas do álbum jamaicano encerra essa dança esquisita de Snoop. Em vez de ostentação, bling bling, performances de belas-artes ou filmes conceituais, o cara presta homenagem ao clássico Pokémon de Game Boy no clipe de “Get Away”. Bela jogada, Dogg Lion.

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Música

Respeite os clássicos da rua


A Universal, que não é boba nem nada, vai relançar uma série de pedras angulares do hip hop norte-americano. A primeira rodada é basicamente de grupos que deram origem a toda leva noventista da cena.
– NWA – Straight Outta Compton (180 gram vinyl)
– NWA – NWA & The Posse (CD, digital)
– Eazy-E – Eazy-Duz-It (CD, digital, 180 gram vinyl)
– Ice Cube – Amerikkka’s Most Wanted (180 gram vinyl)
– EPMD – Strictly Business (CD, digital)

Os discos vêm em edições remasterizadas e os CDs terão faixas-bônus, caso de “I’m Housin” do EPMD. Até o fim do ano outros nomes entram na lista: Public Enemy, Tupac, Eminem, 50 Cent, etc.

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