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Doze Casos e Um Perito: A História de Ricardo Molina

In dubio pro reo. A expressão é elemento sagrado na lei dos homens que, invariavelmente, precisam julgar outros homens. “Se alguém tem dúvida, eu não posso condenar”, argumenta, na boa e última flor do lácio, Ricardo Molina de Figueiredo, mais conhecido como “perito Molina”. Ele desempenha seu trabalho como se fosse, ao mesmo tempo, doze jurados e um juiz, como no filme Doze Homens e Uma Sentença. Mas sua real tarefa não é ser jurado ou juiz. Por trás dos óculos elípticos o senhor esconde olhos, orelhas e nariz que não deixam passar os detalhes pequenos, as minúcias camufladas, os vestígios essenciais. Mais do que certezas, levantar dúvidas é sua função. “Não existe verdade absoluta”, analisa o perito. Ele não confunde para esclarecer. Ele esclarece para confundir.

“Há peritos que falam ‘minha conclusão é categórica’, e tem muito repórter que pergunta ‘o senhor tem certeza disso?’ Não!”, me diz ele em uma de nossas conversas. Molina não fica em cima do muro. Ele é um perito criminal e passa o dia em seu escritório rodeado por monitores, um ou outro sistema de som e uma papelada de laudos e análises técnicas que se espalha numa bagunça organizada. “Você precisa de três coisas para ser um perito. Uma lupa, para ampliar as coisas; lápis e caderno para organizar os dados; e o terceiro elemento, o mais importante de todos, o cérebro, porque não adianta ter equipamento e banco de dados, mas não ter o cérebro. O fator humano na perícia é fundamental.”

A máquina de café é o item mais moderno da sala. O ritual pra quem chega é tomar uma dose da cápsula escolhida ao gosto do freguês. O resto da aparelhagem é ferramenta de trabalho simples, sem grandes mistérios ou ares de laboratório do Professor Pardal. “As pessoas acham que tudo se resolve com tecnologia. Séries como CSI dão essa falsa impressão”, explica o perito.

O doutor Molina posou pra foto bem de boa na varanda. Crédito: Felipe Larozza/VICE

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