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Cultura, Jornalismo

O Sussurrante Mundo dos Orgasmos Mentais

Bem que tentei. Algumas vezes rolaram durante o trabalho. Nem tão concentrado quanto (acho que) deveria, mas prestando atenção mesmo que envolto do corre corre cotidiano. Confesso que me senti meio ridículo com a chance de algum olhar de soslaio pro meu computador. Ainda assim, segui em frente. E nada. Cheguei em casa pronto a mais uma tentativa. Silêncio total na madrugada. Eu, a tela, os fones, a moça do outro lado. Dei play no vídeo. Esperei. Relaxei. Ouvi e vi. E nada de novo — nem coito interrompido. Eu não tive um orgasmo mental.

“Eu sinto um formigamento mesmo. Como se fosse um arrepio que vai descendo. Sai da parte posterior da cabeça e desce a coluna”, me disse Anne Carolline Bispo, uma jovem de Aracaju que tem ASMR. Resumida como “orgasmo mental”, a sigla responde, em inglês, por Resposta Sensorial Autônoma do Meridiano. O termo soa pomposo, mas seu significado não tem base científica confirmada. Assim como outras tantas subculturas contemporâneas, esse conceito e seu universo surgiram em fóruns dessa infinita espiral chamada internet.

O ​Reddit concentra as primeiras menções de ASMR que se tem notícia. Relatos espaçados aos poucos formaram uma comunidade de gente que viu que não estava sozinha. Em comum, essas pessoas têm sensações que vão de formigamento a arrepios e extremo relaxamento. A causa disso são ruídos em volumes baixos: unhas raspando e batucando em pedaços de plástico, lâminas e embalagens sendo amassadas e dobradas, líquidos caindo e respingando e, principalmente, pessoas sussurrando em baixo e bom som.

“Lembro da minha infância. Quando eu ia no supermercado, eu ficava observando mulheres fazendo compras, olhando os produtos, mexendo neles. Eu ficava relaxada com aquilo. Eu me sentia estranha porque eu achava que só eu sentia isso”, explica Anne. “Descobri que sentia isso recentemente, quando eu estava na faculdade. Eu estava estudando com uma amiga. Ela estava lendo, passando as folhas. Eu sentia sono ao mesmo tempo que sentia meu corpo tremer. Eu ia dizer o que pra ela?”

A causa disso são ruídos em volumes baixos: unhas raspando e batucando em pedaços de plástico, lâminas e embalagens sendo amassadas e dobradas

A dúvida continuou a coçar a cabeça de Anne até que, depois de um dia cansativo, ela descobriu a categoria do ASMR ao buscar vídeos de relaxamento no YouTube. “Eu fiquei abismada. Eu não sabia o que a moça do vídeo estava fazendo que eu estava tão relaxada”, conta ela. Foi mais ou menos a mesma coisa com Rafael Tudorov, jovem de São Paulo que também sente orgasmos mentais. “Cheguei em casa bem cansado do trabalho e assisti a um vídeo desses. Foi como se fosse aquele I-Doser”, me disse ele.

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Cinema, Música, Vídeo

O encontro de Jefferson Airplane e Jean-Luc Godard

Godard

Ainda sobre o 56º Grammy: a premiação também foi palco para Ringo Starr e Paul McCartney comemorarem, sem tocar Beatles, os cinquenta anos de sua primeira aparição na TV norte-americana — ou o primeiro passo na dominação global da banda.

Dali em diante seriam precisos cinco anos para que os quatro fizessem seu último show como grupo. O concerto no terraço da gravadora Apple ficou tão famoso que ofuscou um brilhante capítulo da cultura: o encontro de Jean-Luc Godard e Jefferson Airplane em Nova York.

Foi em novembro de 1968 quando o diretor francês resolveu voltar ao país norte-americano. Na França, a primavera daquele ano já morria em inverno. Nos Estados Unidos, ao contrário, Godard acreditava que encontraria a revolução.

O panorama daquele momento seria captado por ele no documentário One American Movie, cujas gravações começaram em outubro. Na internet, esse túnel do tempo, uma das cenas está disponível como making of para quem quiser ver.

No dia 30 de novembro daquele ano, no topo do hotel Schuyler, em NY, o Jefferson Airplane toca House at Pooneil Corners. O diretor francês aparece aqui e acolá no vídeo, filmando de outro prédio. Sobre o crescendo lisérgico da canção, a voz xamãnista de Grace Slick rebate nas muradas ao redor e os transeuntes viram plateia.

Ao fim de uma única música a polícia aparece para acabar com a apresentação, ao contrário do que aconteceu no show londrino dos Beatles. Godard não foi preso e rumou para o Canadá poucos dias depois sem terminar o filme. Estava fechado o ano de 1968.

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Cultura, Vídeo

Charles Collet

O Django Reinhardt sobre rodinhas está mais ligado em aproveitar a vida que virar peça publicitária — muito embora assim o faça, mas naturalmente.

Menos GoPro e mais GoEasy. O Rodney Mullen já mostrava.

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