The xx retorna aos grandes palcos no Primavera Sound

“Esse é o nosso primeiro festival em dois anos”, disse Oliver Sim ao público do San Miguel Primavera Sound. A reestreia em solo espanhol não foi por acaso. Em 2010, a cidade de Barcelona foi a primeira a sediar um show do The xx fora da Inglaterra. Agora, o trio voltou em horário nobre e num dos palcos principais desse que também desponta como um dos mais importantes festivais de música no mundo – especialmente na cena indie.

Por conta dessa vocação do Primavera, talvez seja difícil observar os méritos do The xx para ter tal retorno de gala. Numa era de pop hegemônico e underground pulverizado (em que grandes gravadoras ainda tentam reencontrar seu caminho), qual deveria ser o crédito de uma banda independente que não apresenta o tão esperado segundo álbum depois de um ótimo debut?

Desde ‘xx’, primeiro e aclamado disco de 2009, a expectativa paira sobre o grupo de Oliver Sim, Romy Craft e Jamie xx. Finda a turnê de lançamento, começou o hiato. Para somar aos singles, alguns clipes, diversos remixes e versões de canções próprias e alheias. Embora não fosse nada de realmente novo, isso garantia sobrevida ao trio. Somente nas últimas semanas, contudo, eles reconquistaram o buzz com novidade. Músicas desconhecidas pipocaram na rede e ontem, na cidade de um dos melhores times de futebol do mundo, o The xx acalmou os ânimos da torcida formada por público e crítica.

O show de pouco mais de uma hora abre com a oitentista Islands. Terceira faixa do único álbum, a canção se apoia nas conversas entre Craft e Sim. Seja nos vocais, quando destilam as românticas letras, seja nas cordas, quando dedilham notas na guitarra e no baixo, respectivamente e, por vezes, alternadamente. Os diálogos seguem em músicas como VCR, em que a notas reverberam e passam perto do drone, sem soar algo etéreo ou fluido demais.

Essa concretude se deve muito a Jamie xx, coração com marcapasso da banda. Tocando calmamente teclas e pads, o produtor recria batidas e linhas rítmicas ao vivo. Quando chega ao departamento dos dois colegas, a melodia, o britânico dá uma ideia do que será o novo álbum. Mais dançantes ou mais ‘club music’, como já afirmou Oliver em entrevistas, as duas recém-chegadas músicas vêm com toques de deep house e eletro. Ainda sem nome, uma delas fechou a apresentação. Certamente um novo cartão de visitas da banda.

O antigo e o novo hype

Ainda na seara eletrônica, outra apresentação que causou furor no primeiro dia do festival foi a da canadense Claire Boucher. Grimes é seu codinome, presente em várias listas que enumeram os hypes do ano. A garota foi uma das primeiras a tocar no palco Pitchfork, dedicado a novidades indie e cujo público dividia-se entre usuários de óculos de grossas armações e usuários de camisas xadrez.

Boucher não está no seu primeiro álbum, mas foi ‘Visions’, o terceiro de sua autoria, que causou maior barulho em blogs e veículos especializados. No palco, em posse de seus sintetizadores e do microfone, a garota não se restringe a seu mais bem sucedido trabalho. Passando por faixas novas e antigas, Grimes sempre canta em falsetos ou grita com a voz suave, explorando possibilidades também em sua espécie de vocoder, caso de ‘Genesis’.

No pano de fundo, a moça ataca notas quebradas e dissonantes – mais no sentido de soarem como erro do que soarem erradas. A estética glitch de Grimes, que parece a repetição de batidas incomuns, encontra caminho em ritmos dançantes acompanhados por linhas melódicas atraentes. O resultado, ao vivo, é uma aproximação entre o dream pop e as novas correntes eletrônicas, como no duo JJ. Isso se evidencia numa das últimas a serem tocadas, a faixa “Be a Body”. O que também fica óbvio é que, sobre o palco, muitas faixas são parecidas entre si, ainda que façam o público vibrar de maneiras bem diferentes – vide o pessoal que dançava das mais variadas maneiras ao lado da artista.

[Texto originalmente publicado no site da MTV Brasil]
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