Vinte anos de Rage Against the Machine

Há duas décadas um monge budista queimava nas lojas de música — fosse CD, vinil, ou cassete. Entre os Sex Pistols e o Run DMC, figurava a primeiro e homônimo álbum da banda californiana: Rage Against the Machine.

Era pra botar fogo sobre o que restava de Guerra Fria. O fim do conflito Rocky Balboa x Ivan Drago levou os Estados Unidos a tomarem o prumo do mundo como grande potência que eram. Movidos a petróleo e neoliberalismo disfarçado de contenção governamental, o país aumentava suas margens de crescimento e exclusão. Do Rio Grande continuavam a surgir imigrantes e a massa crítica de jovens que não temia novo conflito armado, agora no Golfo, era vítima do desemprego.

Nesse tabuleiro, a CNN dos negros de Public Enemy e seu bando continuava a fazer seu jogo de denúncia e provocação. Do outro lado, a galera de Seattle colocava roupas xadrez no punk e adicionava um tanto de visceralidade às letras e melodias. Os mais desgostosos vestiram o som com distorções e andamentos acelerados próprios ao metal de bandas como Pantera. E na costa oeste alguém resolveu misturar tudo isso. A mensagem seria explícita e levada por um moleque metido a chicano e acostumado a leituras de esquerda — de Marx a Chomsky.

Se Zack de La Rocha é o nome por trás de letras que falam muito já em seus títulos, Tom Morello é a mente pensante em riffs que, arrisco, estão entre os melhores dos anos 90. A sofisticação no uso de overdrives, flangers e outras ornamentações de pedaleira já seriam potentes por si só, mas elas ainda vinham acompanhadas de técnicas apuradas, típicas de guitarristas que dedicam horas de sua adolescência ao instrumento — e também às leituras vermelhas, no caso, típicas de um cientista social formado em Harvard. As viradas, solos e scratches de Morello o colocam lado a lado de monstros como Jimi Hendrix e Jeff Beck.

O coquetel molotov estava pronto com a cozinha de Tim Commerford e Brad Wilk. As mãos pesadas garantiam slaps profundos, camas densas e batidas seguras. O resultado são células sobre as quais o senhor de La Rocha faz sua cantoria declamada ou seu rap quase gutural. Do pavio à explosão, de Bombtrack a Freedom, Rage Against The Machine é um álbum que faz aniversário com a mesma capa — ou placa — inflamável que tinha vinte anos atrás.

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Tudo isso pra dizer que você pode contribuir com suas lembranças sobre a banda em comemoração às duas décadas do primeiro disco. Vai lá: http://ratm.tumblr.com/

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