Essa entrevista foi concedida por chamada de vídeo por Laurent Garnier quando da sua vinda ao Brasil em abril de 2026. As respostas, publicadas integralmente somente aqui, foram base do vídeo publicado pelo Toca UOL também em abril de 2026 e disponível ao fim do texto.
Felipe Maia: Você lembra quando foi a última visita ao Brasil — em 2022, acho?
Laurent Garnier: Faz tempo. 2022… mas acho que foi antes disso, na verdade. Não tenho certeza, teria que checar, mas faz bastante tempo que eu não vinha.
FM: E você lembra como foi a primeira vez?
LG: A primeira vez de todas? Ah, sim, eu lembro. Acho que fiz dois ou três clubes, e me parece que fui ao Health Club também nessa turnê. Eu estava tocando para um cara… como é que ele se chamava? Porque toquei várias vezes pra ele. Mas foi há muito, muito tempo — uns cinco anos, acho, a primeira vez. E olha, quem devia lembrar melhor é a Eli. Ela sabe. Acho que já na primeira ou segunda vez eu toquei no clube dela, bem no começo.
FM: Você voltou bastante depois disso, não?
LG: Sim, devo ter vindo umas doze vezes ao Brasil, mais ou menos.
FM: E aí a gente chega nessa visita de 2026. Você está pensando em reduzir as viagens longas, certo? Vai ser sua úlltima vez no Brasil?
LG: Não diria que é uma decisão só sobre viagens longas — é uma decisão mais geral sobre a minha carreira de DJ. Desde o começo do ano, reduzi bastante as coisas. Mas nunca se deve dizer nunca, né? Então vamos chamar essa de a última vez… até a próxima, se houver uma próxima.
FM: Depois de mais de uma década como DJ, o que te fez pensar em desacelerar? É a situação do DJ no mundo hoje? É o corpo?
LG: Durante a pandemia, fiquei refletindo muito sobre o meu lugar na cena, sobre como essa música evoluiu nos últimos 30, 35 anos — porque no ano que vem vão fazer 40 anos que eu toco como DJ. Eu tinha 57 anos durante a pandemia, e quando você chega nessa idade percebe que está mais perto da porta de saída do que da de entrada. É legítimo se perguntar: qual é o meu lugar em relação às pessoas que vêm ouvir minha música? O que eu represento nesse universo?
Uma coisa era certa: eu não queria que fosse a pandemia a decidir por mim que eu ia parar. Fiquei me perguntando muito se ia voltar depois dela, porque na França ficamos parados quase um ano e meio. Foi por isso também que fiz o álbum 33 Tours et puis s’en vont — eu queria dizer aos meus fãs que, devagar mas com segurança, ia começar a desacelerar.
Mas tem também a questão do planeta. É difícil dizer que tudo bem pegar avião o tempo todo quando a gente vê o que está acontecendo com o aquecimento global. Nós, como seres humanos, somos responsáveis por isso. Então decidi fazer menos shows distantes, priorizar os que posso ir de trem. Antes eu pegava muito avião. Desde a pandemia, pego muito menos. A ideia é equilibrar: várias vezes de trem, uma de avião.
E é claro que ter 60 anos numa profissão que se volta muito para os jovens pesa nessa equação. Nunca quis me tornar um velho dinossauro dessa música, um jukebox empoeirado. Então tento continuar fazendo sentido. E uma das formas de fazer sentido é me tornar mais raro.
FM: É interessante você falar isso, porque tenho a impressão de que você faz parte de uma geração que chegou a uma certa idade nas pistas e nas cabines, mas com uma consciência de si mesmo, do corpo, do planeta.
LG: Claro. Quando há 40 anos você trabalha de noite, vai dormir às sete da manhã — várias vezes por mês — isso é uma coisa que você faz quando é jovem. Nossa vida de DJ não é muito normal. Mas chega um momento em que o corpo cansa mais, você precisa ter cuidado. Não me sinto cansado, não me sinto velho — estou bem. Mas é preciso ser consciente das coisas.
E para mim, ser consciente passa também por deixar espaço para uma nova geração que está fazendo outras coisas. A cena mudou muito. Às vezes me vejo… tentando encontrar a palavra certa… menos em sintonia com uma certa parte do mundo da techno do que eu estava há vinte anos. Isso é claro.
FM: Por quê?
LG: Não sei ao certo. Existe uma nova escola — e eles dizem isso abertamente — onde uma parte significativa das pessoas está mais interessada no número de seguidores no Instagram do que no conteúdo. O pacote se tornou mais importante do que a música. E isso não é a minha realidade de forma alguma.
Eu não me importo com quantas pessoas me seguem no Instagram. A única coisa que me importa é a música. E hoje existe uma parcela da nova geração que assume completamente que a música vem depois dos seguidores e do conteúdo nas redes. Não tenho a impressão de estar na mesma profissão.
FM: E você acha que houve uma bifurcação na cena — uma parte voltada para following, fan base, Instagram, e outra que…
LG: Não é só o DJ. É igual na política. Quando você olha como uma parcela da política no mundo se comporta hoje, virou uma espécie de leilão de besteiras em alta velocidade — ocupo espaço, falo asneiras, mas falo todo dia e preciso estar lá o tempo todo. A gente percebe isso na política, na música, em muitas coisas. Com as redes sociais e as novas tecnologias, muita coisa mudou.
Não estou dizendo que era melhor antes. Estou dizendo que hoje é diferente, e não me sinto necessariamente em sintonia com tudo que vejo. Me sinto em sintonia com certos artistas, certas coisas — mas não com todos. É normal. E mesmo a nova geração não se sente necessariamente em sintonia com tudo que acontece no mundo da techno. A gente representa outra coisa, e tudo bem que existam alternativas.
FM: São movimentos dialéticos, mudanças que acontecem a cada geração, épocas paralelas. E no seu trabalho — como você continua curioso, interessado nas novidades? Porque o trabalho do DJ é também levar coisas novas até os ouvidos das pessoas.
LG: Para mim, essa é a base da profissão: ouvir música e tentar passar o máximo de tempo possível descobrindo coisas.
Hoje isso consome um tempo enorme. Acredito que saem cerca de um milhão de faixas por semana — número que não tem comparação com o passado. Há vinte anos, se você era especializado em techno e ouvia bastante disco na semana, conseguia ter uma boa noção de tudo que tinha saído. Hoje você pode passar 14 horas por dia ouvindo música e não sabe um décimo do que está acontecendo. Eu escuto entre 10 e 12 horas de música por dia. Todo dia.
É inclusive por isso que produzo quase nada mais — não tenho tempo. Tem tanta música saindo e eu tenho tanta vontade de ouvir novidades. À noite, se terminei de ouvir tudo e organizei, no dia seguinte coloco mais 150, 200 coisas novas no computador que fui buscar em todo lugar. Fiquei um pouco obcecado com isso. Mas é a base da nossa profissão: ouvir, garimpar, procurar, descobrir, para tentar fazer as pessoas conhecerem coisas novas. E eu sempre fui alguém que quer tocar novidades. Na maioria dos meus sets — a não ser que seja algo especial — 95% do que eu toco é música nova.
FM: Tem um aspecto muito particular no seu trabalho que eu noto: a duração dos sets. Já vi entrevistas em que você fala que é preciso ter um certo tempo. Por que a duração importa?
LG: Porque a narrativa, a história, são muito importantes — e é bom ter páginas no livro para conseguir escrever a história mais bonita possível. O tempo hoje virou um luxo. Se eu venho para fazer sets de uma hora e meia, não vejo sentido.
Eu toco pelo menos 3 horas em cada lugar para conseguir oferecer algo. E além disso gosto de misturar vários estilos diferentes — house, deep house, UK bass music, drum and bass às vezes, techno também. Para juntar tudo isso e contar uma história coerente, que não vire bagunça, precisa de tempo. A melhor coisa como DJ é conseguir embarcar as pessoas na sua história e levá-las em viagem. Para não soar caótico, é preciso tempo. Esse é o ponto.
As pessoas às vezes esperam que você faça alguma coisa logo de cara — mas não somos mágicos. O que gosto é de instalar algo, e quando encaixa, você as leva para outro lugar, para outro universo. O que interessa não é a instantaneidade — é a narrativa. Quando uma história é boa, quando você assiste a um filme que ama, é muito melhor que dure duas horas do que uma. Hoje em que tudo é reduzido, cortado, condensado, ter tempo virou um luxo cada vez maior.
FM: Lembro de uma entrevista que fiz com o DJ Marky, e ele me disse: “É preciso deixar as faixas respirar.”
LG: Com certeza. E Marky é o rei nisso. Além de ser um scratcher fenomenal, é um DJ brilhante. Fiz muitas turnês com ele — chegamos a fazer uma onde tocávamos drum and bass juntos a noite toda em vários clubes diferentes. Fizemos isso no Brasil, em Londres, em Paris, em Tóquio, em muitos lugares. Era mágico dividir as pick-ups com ele, porque Marky tem uma cultura musical verdadeira, toca tudo.
FM: Você também — tenho a impressão de que não é exatamente um DJ open format, mas tem uma cultura tão aberta que o seu objetivo é simplesmente a música, seja lá qual for o gênero.
LG: É o prazer da música. Tem que ter prazer com a música. Para mim, tudo está conectado. Agora mesmo estou trabalhando num projeto de compilações, e fico explicando para as pessoas com quem quero fazê-lo que a batucada brasileira que eu ouvia com 14 anos tem uma ligação com certas faixas do Jeff Mills.
Para mim existe um fio que une tudo. Tanto quanto o De La Soul e o disco, e o disco que levou à house. Para mim não há nem uma grande linha separando house e techno — é uma questão de BPM ou de textura, mas no fundo tudo vem do mesmo lugar, da mesma cultura. Sem a música brasileira, sem a música latina, sem o disco, sem a soul, sem o reggae — porque foi daí que vieram o dubstep e depois o UK bass music — tudo está muito ligado. É a cultura da dança. O blues, o rhythm and blues, tudo isso também. Há pontes reais entre todas essas músicas.
FM: Você viveu várias gerações da música eletrônica na Europa, especialmente na França. Recentemente tivemos Thomas Bangalter tocando com Fred Again numa celebração que foi um momento muito especial para a música eletrônica francesa. Como você enxerga esse desenvolvimento da cena francesa, que há muito tempo é tão importante para a música eletrônica no mundo?
LG: Faz muito tempo que a França tem um lugar muito importante no mundo da house, da techno, da música eletrônica em geral. No começo foi um pouco lento. Falando de house e techno: no início, foi sobretudo a cena gay que ouviu essa música. A gente ia tocar house em clubes gays, e havia uma pequena cena de raves começando — mas era muito intimista.
A verdadeira explosão foi com os Daft Punk e o que chamaram de French Touch. Mesmo que antes desse termo já houvesse bastante produtores na França. Tínhamos o nosso label com a Fnac, depois criamos a FCOM, havia outros labels, mais techno, mais house, vários DJs. Mas o que realmente popularizou a cena francesa no exterior foi a explosão da French Touch.
A partir daí, sempre houve novos chegando — nas festas, nos clubes, agentes, DJs, produtores — e a coisa foi crescendo. Hoje a cena francesa é muito importante, existe, é vibrante, é muito excitante. Há cada vez mais produtores franceses assinando com selos internacionais. Às vezes você nem sabe que são franceses — escuta a música e pensa “não, esse cara é inglês, impossível.” E não — é francês. Não existe mais um estilo conotado como francês. Hoje a França produz muita coisa, com muita diversidade de sonoridades. Temos uma cena que está muito bem.
FM: Você acha também que estamos num momento na techno e na house em que tudo é muito direcionado para os drops, para os climax — todo mundo quer isso o tempo todo?
LG: São questões de moda. A cena techno dominante hoje fala muito de drops, de climax. É uma cena bastante rápida, bastante pesada. Tenho a impressão de que é o que os jovens querem ouvir hoje. Mas isso já existia há uns vinte anos — quando se ia a Rotterdam com toda a cena gabber e hardcore, e nos EUA com a Industrial Strength e o Lenny D. Já havia uma cena inteira assim, menor, mas totalmente mergulhada numa música brutal. Não tem nada de novo. Parece ser a moda hoje, mas as modas passam, as coisas mudam — e vai ter inevitavelmente um retorno a outra coisa.
Vai ser para a house? Para algo mais rock and roll? Não sei. A moda vai se mover. E para mim, a cena hard techno hoje é nada mais nada menos do que a cena comercial de hoje. Há dez anos, o EDM era isso. Hoje, a nova geração ouve hard techno — mas não acho que estão fundamentalmente lá pelo amor à música. É outra coisa. E vai se deslocar para algo diferente.
Mas em paralelo, hoje você ainda tem uma cena underground de techno muito interessante, uma cena de deep techno, e uma cena house que é incrível. Eu sigo um pouco mais a cena house hoje. Sempre existiram cenas paralelas, desde que comecei a tocar. Na Inglaterra, tem a cena breakbeat que virou drum and bass, depois a dubstep. O dubstep não funciona mais na Inglaterra, mas há uma cena house muito vibrante. E na França também — uma ótima cena house com labels jovens como o Frappé, entre outros que são muito interessantes, que para mim são uma espécie de continuação natural dos Masters at Work, mas com um lado um pouco mais vitaminado, mais disco. E tem também uma enorme cena hard techno na França — que sempre existiu. Sempre houve DJs de hard techno lá, como o Manu le Malin, que está presente há quase 30 anos.
São cenas paralelas. Às vezes crescem, às vezes encolhem. Eu não toco hard techno, não é a minha música. Mas que ótimo que existe. Só não esperem que eu toque hard techno quando vou a algum lugar. Como não sou alguém que segue a moda — a moda me importa pouco — sigo só a música que me faz vibrar. Posso tocar uns discos de techno um pouco mais pesada, acontece, mas não é o núcleo do que faço.
FM: E quando você chega numa nova cena — por exemplo, aqui no Brasil — você chega com o set planejado ou é algo que…
LG: Nunca. Jamais. Nunca toco a mesma coisa. Já porque não tenho a menor vontade de me repetir. E não estou aqui para fazer um live — não é como um músico que vai fazer um show com as próprias músicas, onde o set está de certa forma trabalhado de antemão.
Eu tenho músicas novas toda semana, toda semana, toda semana. E tenho pessoas que me seguem por todo lugar — inclusive duas que me acompanham aqui no Brasil, fãs muito dedicados que vêm a todos os meus shows. Só por elas, devo tocar diferente cada noite. Não sou um jukebox.
Quando chego num novo país, num novo clube, não sei o que vai acontecer. Não sei quem toca antes de mim, não sei como a pessoa vai tocar. Não sei qual vai ser o clima da festa, que horas vou tocar — porque você não toca a mesma coisa à meia-noite e às seis da manhã, nem a mesma coisa no domingo e numa sexta à noite. A iluminação, o som, quem vem antes, quem vem depois, a hora, o mood do momento, como você sente a vibração — tudo isso influencia muito no seu set.
Então não tenho nenhuma ideia do que vou tocar sexta ou sábado. Em algum momento vou tentar chegar… na verdade, toco só coisas que gosto. Mas como posso tocar techno um pouco pesada, deep house, UK bass ou qualquer coisa, depende por onde começo. Talvez comece aqui, talvez comece lá, e vou tentando chegar em algum lugar. É 3D essa história. É claro — porque música é 3D. A gente não come a mesma coisa todo dia.
FM: Última pergunta: qual é a sua esperança, o que você pensa sobre o futuro da música eletrônica? Hoje é diferente de vinte anos atrás — é uma indústria de peso, com a inteligência artificial também. O que vem por aí?
LG: Sabe, é uma indústria de peso. Mas eu, como dono de um label, vejo as vendas de discos — continuam sendo mínimas. Na F Communications, meu label de antes, há vinte ou vinte e cinco anos, quando lançávamos um álbum podíamos vender 100 mil cópias. Hoje, se vendemos 250, estamos felizes.
Então os DJs talvez recebam mais, mas os músicos hoje têm dificuldade de viver se decidirem ser apenas músicos sem se apresentar ao vivo. Antes havia uma escolha — os músicos podiam viver muito bem da música sem sair em turnê. Hoje, se você não faz shows, acabou. Não dá para viver da música.
Então sim, é uma indústria de peso porque há negócios enormes construídos em torno disso, grandes majors que devoraram tudo tentando ter a maior fatia do mercado. Mas a economia de um clube pequeno… muitos clubes fecharam pelo mundo todo. A economia da música em geral — não dá para olhar só para os grandes, tipo Coachella.
Coachella é uma coisa, mas faz muito barulho. Pessoalmente, nunca mais quero tocar no Coachella — não tenho nenhum interesse em ir lá, simplesmente não curto. Quero ver música. O meio que frequento não é o grande espetáculo da música — são pequenas cenas, coisas um pouco mais underground, que às vezes têm dificuldade de fechar o ano. Nem todo mundo ganha fortunas.
Agora, é verdade que a música eletrônica tem dias bonitos pela frente. Mas depende do que você quer fazer. Se você quer ser o DJ do momento e tocar em Ibiza, vai ganhar dinheiro — talvez bastante. Mas se você escolhe não entrar nesse sistema — que não é o sistema que me anima —, é mais complicado para muitos de nós. E são exatamente esses sistemas alternativos que podem nos dar as músicas mais interessantes.
Como músico, como DJ, como artista — só podemos propor. Há quem proponha algo mais comercial, há quem faça com muito coração e seriedade, e há quem pense primeiro no dinheiro. Cada um escolhe o seu caminho.
É o público que decide onde quer ir. Se as pessoas querem ouvir coisas ultra comerciais — ótimo, sem problema. Não somos todos obrigados a nos torturar tentando entender a música. Eu nunca gostei muito dos ayatolás da música, dos caras que pensam demais o tempo todo. Eu não penso.
Para mim é muito simples: isso me agrada? Me dá vontade de dançar? Me emociona? Ou não me diz nada? E quando não me diz nada, não me questiono. Pode ser muito bom, muito underground ou muito comercial — se não me fala, não me fala, e tudo bem. É só música. A gente não consegue mudar tudo na face da Terra. Não dá para se levar muito a sério. A gente só propõe coisas.
FM: Tem algo do Brasil que você gosta muito? Música, comida, o que for?
LG: Adoro comer no Brasil. Todo mundo sabe isso porque trabalho com chefs, faço culinária. Então quando visito um país, gosto de comer coisas diferentes. Aprendi a fazer pão de queijo porque senti muita falta durante a pandemia. Em algum momento pensei: “Por que não aprender?” Fui ao YouTube, baixei receitas em português, pedi para traduzir, aprendi a fazer. Mas o que eu quero agora é ir a uma churrascaria, comer carne, comer picanha. Vocês comem muito bem no Brasil! Muito mesmo.
